Cinco perguntas para Fábio Almeida

Repórter da RBS TV apresentou a série de reportagens Violência Futebol Clube, no Congresso da Abraji

1. Quem é você, de onde veio e o que faz?
Meu nome é Fábio Almeida, nasci no Rio de Janeiro, em 27 de maio de 1982. Sou filho do seu Antônio e da dona Iracema e vim para Porto Alegre com dois anos de idade. Morador da Zona Sul da capital gaúcha, sonhava em ser biólogo. Na adolescência, me apaixonei pelo rádio e pela música? No fim dos anos 1990, ainda ligado à música, trabalhei como DJ.
Nesse meio, comecei a trabalhar em rádios comunitárias, depois no Programa Hip-Hop Sul (TVE), e, na sequência, Rádio Transamérica (Novo Hamburgo). Alguns anos depois, participei da primeira equipe de cobertura esportiva em FM de Porto Alegre, na Rádio Metropolitana. Em 2000, entrei para o curso de Jornalismo da Unisinos. Em 2002, fui estagiário na Rádio Gaúcha e um ano depois fui para a Rádio Farroupilha, onde fiquei durante três anos e meio como repórter da unidade móvel da emissora e, em conjunto com vários colegas, tive a felicidade de conquistar muitos prêmios de jornalismo, entre eles ARI, Wladimir Herzog, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos e o Prêmio de Jornalismo Embratel. Em 2007, voltei de vez para a Rádio Gaúcha como repórter e fiquei na emissora até entrar para o projeto Caras Novas, da RBSTV, em 2009. Depois de passar pela produção, reportagem da madrugada e Geral, hoje produzo matérias investigativas.
2. O que representou sua participação do Congresso da Abraji?
Esse foi o segundo ano de participação no Congresso. É sempre bom ter a possibilidade de conhecer novas histórias e cases, além de trocar contatos e informações. Nessa edição, participei do painel sobre torcidas organizadas e apresentei a Série de Reportagens Violência Futebol Clube, matérias produzidas em 2007 com os colegas Cid Martins e Jocimar Farina, na Rádio Gaúcha.
O interessante neste painel foi a oportunidade de conhecer o trabalho do jornalista argentino Gustavo Gabria, do jornal Olé. Ele relatou uma situação de quase descontrole, que envolve poder político e torcidas organizadas no país vizinho. Coisa que parece longe do Brasil, graças a iniciativas já realizadas aqui, como o Estatuto do Torcedor. A participação no Congresso representa, mais uma vez, a contribuição do jornalismo investigativo feito no Rio Grande do Sul e representado, outras vezes, pelos colegas Giovani Grizotti, Cid Martins, Daniel Scola, entre outros.
3. O que todo jornalista investigativo precisa saber?
Acredito que todo o jornalista, chamado investigativo, mas que na verdade pratica o jornalismo de aprofundamento, precisa saber coletar e manter suas fontes. Além de saber ouvi-las com uma atenção diferente. As histórias contadas podem ser abordadas de outro ângulo. Coisas que apreendo e tento aperfeiçoar todos os dias.
4. Além de preservar a imagem, que outros cuidados tens com sua segurança?
Felizmente, os níveis de violência aqui no Estado são diferentes dos níveis apontados na Região Leste, Nordeste e Norte do País, onde repórteres são ameaçados, agredidos e mortos. A imagem é preservada, na verdade, para garantir a próxima reportagem, a possibilidade de infiltração, onde um repórter identificado não conseguiria penetrar.  Aqui no Estado não há a cultura de um produtor que atue junto na produção, são raras as participações de outros profissionais na realização de matérias investigativas, por isso a exposição deve ser controlada. Ainda me considero um jornalista investigativo em formação e esses cuidados aprendi com repórteres experientes e de sucesso, como o próprio Grizotti e o Eduardo Faustini, colega da Rede Globo, autor de algumas das maiores investigações jornalísticas do País.
5. O que mais lhe dá prazer na profissão?
Duas coisas me dão os maiores prazeres na profissão: poder mostrar para todos uma situação que é de domínio de poucos e mantida em segredo e ter a possibilidade de matar a minha curiosidade e fazer o mesmo para tantos outros.
Algo que me dá muito prazer também é vivenciar e poder circular em vários meios, digamos, "externos", e dentro do mundo da comunicação - tudo em tempo real.
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