Cinco perguntas para Taís Seibt

Jornalista e pesquisadora, ela é uma das idealizadoras da Filtro fact-cheking, que promove maratonas de checagem

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1 - Quem é você, de onde vem e o que faz?

Meu nome é Taís, sou natural de Gramado e sou jornalista. Atualmente, estou concluindo doutorado em Comunicação na Ufrgs, com uma pesquisa sobre fact-checking.

2 - Como se deu a escolha pelo Jornalismo?

Quando eu era criança, via sempre meus pais lendo jornal de manhã cedo, enquanto eu tomava café antes de ir para a escola. Meus pais fizeram só o ensino básico, mas sempre foram bem informados e atualizados sobre tudo. Aos poucos, fui compreendendo que eles aprendiam por meio da imprensa, então, segui o exemplo. Sempre gostei muito de ler e, várias vezes, "brincava" de fazer jornais: eu dobrava folhas de ofício no meio e desenhava a capa do "The Seibt News", ou qualquer coisa parecida.

Ganhei vários concursos de redação quando adolescente também. Acho que caí no Jornalismo naturalmente, apesar de ter oscilado para a Educação Física na época do vestibular, porque jogo vôlei desde os 11 anos e não tive futuro por causa da baixa estatura. Então, cheguei a cogitar ser treinadora, mas o Jornalismo foi mais forte.  

3 - Como foi organizar a primeira maratona de checagem de informação em Porto Alegre, oferecida pela Filtro?

Acho que a experiência proporcionada foi diferenciada porque trabalhamos com temas locais - e temas quentes, uma vez que os jornalistas verificaram declarações de pré-candidatos ao governo gaúcho. Também por ser uma reunião de jornalistas profissionais, que já atuam na área em diferentes dimensões, foi um momento rico de troca de experiências e que nos ajudou a desmistificar que checar é simples. Tanto não é, que cada vez mais é necessário se especializar nisso. 

4 - Como você avalia a atuação da Filtro fact-cheking?

Por enquanto, a atuação está centrada na conscientização, em disseminar o que chamo de "cultura de verificação". Isso é importante porque a prática de fact-checking ainda é muito jovem no Brasil e nós somos os primeiros a introduzir a checagem, de forma sistemática, na mídia local. Então, a conscientização é essencial até para que o público, os próprios agentes políticos e seus assessores entendam o que vamos fazer. Temos participado de muitos encontros com públicos diversos para falar sobre este tema, e isso tem sido muito gratificante. O retorno institucional do nosso projeto nos deixa confiantes de que o investimento pessoal e profissional que estamos fazendo tem relevância. Em especial para mim, como pesquisadora do tema, é muito gratificante ver um trabalho acadêmico convergir com a prática profissional. Sempre persegui isso, desde que ingressei na pós-graduação.

5 - Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Daqui a cinco anos, eu já serei "doutora" há quatro (defendo a tese em 2019) e o Filtro já terá percorrido o interior do Rio Grande do Sul, formando dezenas de jornalistas "checadores", que farão um trabalho importantíssimo de checagem nas eleições municipais de 2020 e nos pleitos seguintes. Pretendo ainda lançar alguns projetos de documentários audiovisuais na Amazônia, que estão sendo gestados há um tempo, assim como a prometida e anunciada biografia do nosso querido Carlos Wagner. Possivelmente, eu case e tenha filhos nesse meio-tempo também.

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