Ministro do STF determina que revista Crusoé e site O Antagonista tirem notícia do ar

Matéria sobre relação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, à empreiteira Odebrecht

Mensagem mostra que reportagem está fora do ar - Print do site da revista Crusoé

Nesta segunda-feira, 15, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandou que a revista Crusoé e o site O Antagonista - que reproduziu o conteúdo - retirem do ar as notícias que revelam a relação entre o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, e a empreiteira Odebrecht. O caso se deu após manifestação da Procuradoria-Geral da República a respeito da matéria intitulada 'O amigo do amigo de meu pai', que estampava a capa da última edição da publicação. O material havia sido publicado no site na última sexta-feira, 12, e quem acessa a página agora se depara com a seguinte mensagem: "Reportagem censurada judicialmente".

O texto publicado pela revista e pelo site se refere a uma troca de mensagens entre executivos da Odebrecht e informa que, no diálogo, uma pessoa pergunta a outra se Emilio Odebrecht, pai de Marcelo, falou ou falaria com um "amigo do amigo". Este, no caso, seria Toffoli, de acordo com informações fornecidas pelo próprio Marcelo. Na época da conversa, o presidente do STF era advogado-geral da União. Entretanto, a PGU desmentiu a notícia e afirmou não ter recebido o documento mencionado na reportagem.

Por meio de uma nota, a Crusoé afirma que reitera o teor da matéria, que foi feita baseada em documento, "e registra o contorcionismo da decisão, que se apega a uma nota da Procuradoria Geral da República sobre um detalhe lateral e a utiliza para tratar como 'fake news' uma informação absolutamente verídica, que consta dos autos da Lava Jato".

Além de mandar tirar a notícia do ar, o ministro fixou uma multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento da decisão, e estabeleceu que os responsáveis pelo site e pela revista prestem depoimento em 72 horas.

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