Trensurb e ANPTrilhos realizam seminário sobre mobilidade urbana

Evento contou com presença de especialistas, gestores públicos e autoridades

Seminário abordou mobilidade urbana - Crédito: Angelo Pieretti/Trensurb

A Trensurb e Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) organizaram o seminário 'Desafios para o Avanço da Mobilidade sobre Trilhos na Região Metropolitana de Porto Alegre'. Ocorrido nesta semana, na sede da empresa gaúcha, em Porto Alegre, o evento contou com a presença de especialistas, gestores públicos e autoridades, que debateram o futuro dos trilhos na mobilidade urbana nas cidades.

Na abertura, o diretor-presidente da Trensurb, David Borille, falou sobre a importância do trabalho em conjunto para qualificar a mobilidade na região e classificou como fundamental a integração do transporte sobre trilhos com as demais opções.  Por sua vez, o dirigente do conselho da ANPTrilhos, Joubert Flores, destacou o papel estruturador da mobilidade urbana nas cidades. Ele disse que são necessários muitos avanços para qualificá-la e que há diversos desafios nesse sentido.

O secretário Extraordinário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Rodrigo Tortoriello, que representou a Prefeitura da Capital, falou que a atual crise do transporte público representa uma janela de oportunidade para se promover transformações nos sistemas. Ele disse acreditar que para salvar o sistema de transportes, é preciso "coragem, ousadia e determinação nesse processo de integração metropolitana".

No primeiro painel, o presidente do Conselho da ANPTrilhos, Joubert Flores, apresentou um panorama da mobilidade urbana e as perspectivas do setor metroferroviário no Brasil. Ele abordou o problema representado pelo atual nível de imobilidade nas grandes cidades, que afeta a produtividade e a qualidade de vida nas regiões metropolitanas. Para o painelista, investimento nos modais desse tipo trazem mais agilidade, regularidade, mobilidade, capacidade e previsibilidade nos deslocamentos. "A rodovia tem a capilaridade que o trilho nunca vai ter, mas uma coisa não funciona sem a outra", declarou.

Na sequência, o diretor-presidente do VLT Carioca, Márcio Hannas, falou da concepção, dos desafios da implantação e dos resultados das linhas operadas pela empresa no Centro do Rio de Janeiro. Ele relatou que o projeto surgiu para realizar a conexão entre modais que abastecem o centro da cidade, além de promover a revitalização da zona portuária e a integração de bairros da região.

O segundo painel foi apresentado pelo diretor-presidente da Trensurb, David Borille, que tratou de estudos preliminares da empresa para expansão dos serviços a outros seis municípios - Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, Campo Bom, Sapiranga e Triunfo -, além daqueles atendidos atualmente - Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo. A população dos municípios atendidos pela linha é de cerca de 2,5 milhões de habitantes. Com a expansão dos serviços, este número ultrapassaria os 3,3 milhões de pessoas, representando um aumento de, aproximadamente, 32%.

Na primeira fase dessa expansão, a Linha 2 da Trensurb iria da região da Azenha, na Capital, até o terminal Triângulo, à Fiergs e ao município de Cachoeirinha, com 23,6 quilômetros de trilhos e 20 novas estações. Em uma segunda etapa, a linha passaria por Cachoeirinha e chegaria até Gravataí em um trajeto de 12,3 quilômetros com oito estações. Uma terceira fase contaria com um ramal de 8,7 quilômetros, saindo do terminal Triângulo em direção a Alvorada, com cinco estações adicionais. O trecho até o Triângulo seria em via subterrânea e os demais em via elevada. A expansão atenderia a uma demanda de 430 mil passageiros por dia na Linha 2 e 220 mil na Linha 1 e o custo total estimado é de US$ 3,3 bilhões.

A extensão da Trensurb até Campo Bom e Sapiranga seria por VLT, em duas fases. A primeira, partindo da Estação Novo Hamburgo em um trajeto de 9,5 quilômetros até Campo Bom, com 12 estações. A segunda, de Campo Bom a Sapiranga, com 7,1 quilômetros e quatro estações. A demanda estimada para os dois trechos é de 24 mil passageiros. A empresa ainda estuda um ramal de Canoas até o Polo Petroquímico de Triunfo com 22,5 quilômetros e duas estações, uma no Polo e outra no bairro Harmonia, em Canoas.

Também falaram o secretário adjunto de Projetos Estratégicos da Prefeitura de Canoas, Francisco Hörbe, e o diretor do Departamento de Planejamento e Gestão da Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, Cléver de Almeida, que encerrou a programação do seminário. Após as apresentações, os painelistas debateram questões relativas à integração intermodal, escolha de tecnologia para atender necessidades de deslocamento, entre outros temas.

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