Cinco perguntas para Marcel Hartmann

Jornalista de Zero Hora conquistou prêmio da Associação Brasileira de Psiquiatria

Marcel conquistou um prêmio da Associação Brasileira de Psiquiatria - Divulgação

1 - Quem é você, de onde vem e o que faz?

Meu nome é Marcel, tenho 25 anos e sou nascido e criado em Porto Alegre. Já morei em Grenoble, uma cidade do sudeste da França onde fiz intercâmbio em Comunicação e Letras, e em São Paulo, onde fui trainee e repórter do Estadão. Desde o ano passado, trabalho como repórter multimídia do jornal Zero Hora e de GaúchaZH. Cubro as áreas de Ciência, Saúde, Educação, Meio Ambiente e Comportamento, em especial com grandes reportagens para o caderno Vida e o DOC. Desde o início de setembro, estou na Política produzindo reportagens de jornalismo de dados, uma área na qual venho me especializando desde o ano passado. Fora da redação, corro de cinco a seis vezes por semana, leio sempre dois livros ao mesmo tempo e gosto de ficar de pé descalço. 

2 - Por que você escolheu ser jornalista?

Meio piegas: aos 14 anos, li 'Aprendendo a Viver', um livro de crônicas da Clarice Lispector. Meu universo ficou de pernas para o ar. Lembro, em específico, de uma crônica sobre o silêncio, na qual Clarice dizia que havia chegado a tamanha intimidade com uma amiga que podia dizer que não estava disposta a conversar, sem problema nenhum. Fiquei muito comovido e decidi que iria viver de escrita para ajudar a abrir a cabeça das pessoas como a minha havia sido aberta. Pesquisei qual era a profissão da Clarice em um livro de literatura e vi que ela era jornalista. Até pensei em fazer Letras, mas o Jornalismo me empolgou pela possibilidade de conhecer realidades diferentes e aprender algo novo todo dia. 

3 - O que significa conquistar o prêmio da Associação Brasileira de Psiquiatria?

Sei que houve mais de 600 inscrições para o prêmio, então fico muito feliz em saber que a reportagem que fiz foi considerada a melhor do Brasil em jornalismo impresso. Venho me especializando na área da saúde desde a época da faculdade, tive bons mestres e, hoje, tenho grande espaço enquanto repórter do caderno Vida, de Zero Hora. Tenho consciência de que trabalho em um ambiente que me dá condições para fazer bom jornalismo - se eu tivesse que fazer mil matérias por dia ou ao mesmo tempo, certamente não conseguiria me aprofundar, ouvir boas fontes, pensar em um bom texto. Fiquei muito feliz também porque, no mesmo dia da premiação da ABP, em Brasília, recebi o prêmio de Destaque do Ano do Prêmio RBS de Jornalismo e Entretenimento 2018, etapa local. Foi um dia louco. Vejo como indicativos de que estou na direção certa.

4 - O que não pode faltar na rotina de um jornalista?

Para além da necessidade evidente de ler jornais e revistas todos os dias, é muito importante ler literatura e livros de filosofia e de ciências humanas. O jornalismo é uma forma de acesso à realidade, mas livros nos ajudam a compreendê-la, nos dão instrumentos para entender fenômenos e arquitetar argumentos. Perdi as contas das vezes em que me aprofundei em entrevistas ou escrevi boas frases porque me lembrei de ideias lidas em livros.

5 - Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Prefiro não fazer grandes planos. Quero seguir me desenvolvendo como pessoa, continuar escrevendo, terminar uma pós em Literatura e um mestrado em Ética. Talvez, correr uma maratona, viajar mais, manter vivo meu bonsai que sofre com o calor.

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