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Cinco perguntas para Nauro Júnior

Fotógrafo prepara a sexta edição da Expedição Fuscamérica que se iniciará em janeiro
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Nauro Pelotas e Daniel Marenco no Segundinho | Reprodução

Nauro Pelotas e Daniel Marenco no Segundinho | Reprodução

1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?

Meu nome é Nauro Cardoso Machado Júnior, tenho 47 anos. Trabalho com Fotojornalismo há 26 anos, 18 dos quais fui fotógrafo do jornal Zero Hora, no Rio Grande do Sul. Sou casado com Gabriela Mazza, que é jornalista, e pai da Sofia e da Danielle. Elas são o centro do meu universo. Nasci em Novo Hamburgo e, depois de perambular pelo mundo, descobri Pelotas como o lugar onde quero viver. Hoje sou fotógrafo freelancer, sócio da minha esposa na Satolep Press – uma agência de comunicação –, professor de Fotografia no curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), formado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e tenho esse projeto chamado Expedição Fuscamérica, onde viajo pela América do Sul a bordo de um Fusca 1968, chamado carinhosamente de Segundinho. A partir da matéria-prima gerada, estamos produzindo um livro e documentário sobre esta aventura. Também sou autor de cinco livros.

2 – Onde e como nasceu sua paixão pelo Fusca?

Penso que todos nós temos a angústia de buscar a lembrança mais remota de infância. No meu caso, não tenho dúvidas de que minha memória mais antiga foi a do dia em que vi estacionar em frente de casa um Fusca azul 1964, que meu pai havia comprado no longínquo ano de 1972.  Era o primeiro carro da família e eu tinha apenas três anos. Se meu pai já era um ídolo, como proprietário do único carro do bairro ele se transformou em super-herói. Nossa vida, a partir dali, foi entrelaçada por Fuscas. O primeiro carro dos meus irmãos foram Fuscas, o meu primeiro carro foi um Fusca, e quando conheci minha esposa ela tinha um Fusca.

3 – Como surgiu a ideia de viajar pelo mundo a bordo do veículo?

Quando cursei a faculdade de Filosofia, precisava de um veículo para ir e voltar da universidade. Como moramos em um sítio, não poderia sair de casa com o único carro que tínhamos e deixar a Gabi e a Sofia sem carro. Com pouco dinheiro e um telefone celular de última geração, consegui cambiá-lo por um Fusca que, em seguida, foi batizado de Filó. Agora eu tinha o Filó – que me levava para a aula, e a Sofia – que me inspirava a estudar. ‘Filó-Sofia’!

Quando me formei resolvi fazer uma pequena viagem, pela maior praia do mundo, como presente pela conquista. Trata-se de uma região litorânea, que fica entre a Praia do Cassino, na cidade de Rio Grande, e a Barra do Chuí, na fronteira com o Uruguai. Quando voltamos desta aventura, resolvemos fazer uma página no Facebook, para que as pessoas pudessem conhecer através de o vasto material fotográfico que fizemos, as belezas deste lugar tão inóspito e belo. Foi aí que surgiu o nome Expedição Fuscamérica. Neste instante, eu sabia que as viagens não terminariam mais. Sou irmão de dois caminhoneiros e tenho o sangue da estrada nas veias, só que de Fusca eu poderia contar as histórias do caminho com contornos de simplicidade e assim dividir com o mundo o que eu via e vivia.

4 – O que a fotografia agrega nas viagens da Expedição Fuscamérica?

Trabalho com Fotojornalismo há 26 anos, mas foi a partir de 2009 que comecei a escrever. Dos cinco livros que publiquei, um é livro-reportagem, o segundo um romance, o terceiro é um livro de poesias e os outros dois são de fotografia. Nas viagens de Fusca não basta ser fotógrafo. Tenho que ser um contador de histórias. O que encontro pelo caminho é dividido com as pessoas através das redes sociais e de veículos de comunicação em todas as mídias. Claro que a Expedição Fuscamérica, por ser liderada por um fotógrafo e porque todos os copilotos convidados até agora trabalharem com imagens, ela é muito visual. O que as pessoas esperam da gente são imagens. Fotos, vídeos, mapas, mas também querem conhecer nossos personagens através de textos bem escritos.  Pretendemos, em breve, publicar um livro sobre nossas viagens com muitas fotos. Também estamos produzindo um documentário mostrando tudo que vimos pelos caminhos.

5 – Quais são as suas melhores lembranças desses passeios?

Se eu disser que pisar no solo Antártico não me impactou profundamente, estaria mentindo. Ir à Antártica era um sonho antigo. Chegar até lá através da Expedição Fuscamérica foi muito simbólico. Mas transportar uma garrafa de água do oceano Atlântico até ao Pacífico nos fez compreender muito do significado do mundo onde estamos inseridos. Quando misturei as águas dos dois maiores oceanos do mundo, tudo se transformou em uma coisa só. Somos parte de um todo. Viajamos para nos encontrar, mas, na realidade, todas as respostas estão dentro de nós.

Porém, as melhores lembranças, aquelas que ficam realmente em nossas memórias são as pessoas que encontramos pelo caminho. Quando elas veem um Fusca viajando pela América, têm curiosidade de conhecer os malucos que optaram por conhecer o mundo de forma simples. O Fusca é um carro democrático. Somos abordados por ricos e por pobres. Conversamos com chefes de Estado e andarilhos, sendo exatamente quem somos. O Fusca é um nivelador social que nos insere em todos os mundos.