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Cinco perguntas para Robson Pandolfi

Jornalista esteve em Buenos Aires, na Argentina, para visitar redações
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Robson | Crédito: Emmanuel Denaui

  1. Quem é você, de onde vem, e o que você faz?

Essa é uma pergunta bastante abrangente, mas vou tentar fugir de respostas existenciais: sou Robson Pandolfi, jornalista, empreendedor e professor. Sou sócio da República – Agência de Conteúdo, professor nos cursos de Jornalismo e de Relações Internacionais da Uniritter e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada da Unisinos. Atualmente, meu foco tem se concentrado em entender como transformar o crescente fluxo de dados gerados em múltiplos contextos e dispositivos em informação, conhecimento e, naturalmente, boas reportagens.

  1. O que o motivou a se tornar jornalista?

Desde que me conheço por gente, sonhava em trabalhar na área da Computação. Sou técnico em processamento de dados e cheguei a prestar vestibular para Engenharia de Computação. Na época, eu tinha o hábito de escrever crônicas, mas não imaginava que um dia viveria da escrita. Não sei dizer exatamente o momento em que decidi ser jornalista, mas lembro que uma vez acompanhei a cobertura de um homicídio. Me pareceu uma rotina mais dinâmica do que a de programador. Acho que foi uma decisão acertada.

  1. Recentemente, você viajou para Buenos Aires, na Argentina, para aprofundar conhecimentos. O que isso significa para sua carreira e para a República?

O cenário do Jornalismo latino-americano está bastante interessante, com experiências promissoras em vários países. Na Argentina, uma experiência já amplamente divulgada é a do LN Data, braço de Jornalismo de Dados do La Nación – que ganhou o Prêmio à Inovação Jornalística e Digital Google-FOPEA por um projeto que envolveu a escuta de mais de 40 mil áudios sobre o caso Nisman. Há, ainda, o Chequeado, plataforma pioneira de fact-checking na América Latina, que inspirou iniciativas semelhantes por aqui. Neste semestre, lançamos, na Uniritter, uma disciplina de jornalismo de dados. Por isso, fui à Argentina para conhecer in loco esses projetos, a estrutura dessas redações e entender quais são as habilidades a serem desenvolvidas por quem tiver o objetivo de disputar uma vaga nesses mercados.

Além disso, o desafio das redações nesse cenário também é um desafio para a República. Temos o desafio de ajudar veículos, empresas e organizações a lidar com quantidades cada vez maiores de dados e a encontrar formas inovadoras e mais eficientes de comunicar. Para isso, nada melhor do que conhecer quem já está fazendo isso.

  1. De que maneira você enxerga a tecnologia no exercício da sua profissão?

Nas últimas duas décadas, as redações passaram por uma informatização em larga escala. Mas, salvo raras exceções, aproveitou-se muito pouco do potencial que a tecnologia pode trazer para a atividade jornalística. Uma pessoa que ingressa em um veículo hoje em dia realiza atividades essencialmente idênticas às de um profissional dos anos 70 – exceto, talvez, pelo cigarro e pelas máquinas de escrever. Ou seja, o suporte mudou, mas o Jornalismo incorporou muito pouco das possibilidades trazidas pelos novos recursos tecnológicos.

Agora, isso parece estar mudando. As empresas de mídia já perceberam que o futuro do Jornalismo será muito diferente do passado – e isso impacta diretamente no tipo de profissional que será requisitado nos próximos anos. Há muitas experiências bastante promissoras ao redor do globo, embora ainda de cunho experimental. Por aqui, a evolução tem sido tímida. Vejo que os projetos mais interessantes estão fora das redações convencionais, o que não é algo propriamente ruim. Acho que os veículos ainda estão tentando entender esse novo momento, encontrar os melhores caminhos.

  1. Quais são as suas experiências anteriores no Jornalismo?

Com exceção de uma breve passagem por assessoria de imprensa, desde o início da minha carreira no Jornalismo trabalho com revista. Atuei por cinco anos em agências de comunicação corporativa. Isso me deu uma base bastante importante para entender todo o processo de produção de uma publicação – e, evidentemente, todos os contratempos que surgem no caminho. Nesse meio-tempo, fiz alguns frilas e uns bicos de fotógrafo. Me tornei sócio da República em 2014, ano em que também ingressei na Uniritter. Desde então, minha rotina tem sido bastante dinâmica, por assim dizer. É bastante cansativo, mas tenho aprendido muito – provavelmente muito mais do que ensinei.