Grupos de família são principais vetores de fake news no WhatsApp

Aplicativo é usado para disseminar notícias falsas por ser considerado confiável

O WhatsApp é visto como uma das redes mais propícias para a difusão de notícias falsas, e, por enviar mensagens privadas e não ter caráter público, é mais complicado o rastreamento das fake news compartilhadas. Especialistas acreditam que a causa disso é que o aplicativo é considerado confiável pelos usuários e este 'ambiente seguro' espalha conteúdos especulativos sem que quem compartilhe seja alvo de julgamento. As informações resultam de uma pesquisa feita pelo 'Monitor do Debate Político no Meio Digital', da Universidade de São Paulo (USP), com respostas de 2.520 pessoas a um questionário online.  

Na pesquisa, era questionado sobre o boato recebido, dia e horários exatos e o meio pelo qual a mentira foi vista. Dados do usuário como gênero, idade, cidade e nível de estudo também integravam o questionário. O formulário foi divulgado nas páginas do Facebook de Marielle Franco, socióloga, feminista, militante dos direitos humanos e política brasileira, assassinada em 14 de março de 2018. Também foi postada na página Quebrando o Tabu. A maioria das respostas veio de mulheres com pouco mais de 20 anos.  

Entre os boatos mais compartilhados estão o do caso da morte de Marielle e vídeos que mostram sua ligação com o tráfico. Segundo o professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP Pablo Ortellado, os boatos são mais disseminados em forma de texto. "Embora os meios que traziam supostas evidências, como vídeos ou fotos, pudessem parecer mais persuasivas, foi a forma menos amparada em evidências a que teve maior alcance", diz.

Dados do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), contínua desde 2016, mostram que a atividade mais popular entre os brasileiros, ao usar a internet, é trocar mensagens por meio de aplicativos. Segundo as informações, 94,5% dos brasileiros responderam que usam a internet com esta finalidade.

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