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Felipe Vieira: Feito por encomenda

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Até parece que foi feito por encomenda. Felipe Garcia Vieira sempre quis trabalhar em rádio e guarda na ponta da língua a data em que soltou o vozeirão pela primeira vez: 15 de janeiro de 1979, na única emissora de Butiá, a Rádio Sobral. Com apenas 19 anos de idade, Felipe já era gerente da rádio, e a admiração por este veículo mantém-se inabalada . “Eu gosto do imediatismo, da característica que o rádio tem de estar sempre presente, o que o torna um amigo das pessoas”. Estudo era uma prioridade para o pai, contabilista, e para a mãe, costureira. Os três filhos do casal fizeram faculdade em Porto Alegre. Os irmãos, porém, retornaram para Butiá, onde construíram carreira e família, enquanto ele mudou-se definitivamente para a capital aos 23 anos, quando começou a trabalhar na Rádio Gaúcha, após a formatura na PUC. Uma vez por semana, Felipe percorre os 80 km que separam as duas cidades para visitar os parentes. Da sua terra natal, trouxe também a paixão pelo cinema, “a única coisa que tinha para fazer lá nas horas vagas”.

24 horas com Felipe Vieira

Ele acorda antes de o galo cantar. Às 4h45, na companhia do seu ‘amigo’ rádio, começa a navegar na internet para se preparar para o Jornal Gente. Sai da Band por volta das 10h, retornando às 15h, para o Ciranda da Cidade, e permanecendo até 20h, depois do Band Cidade. “Durmo muito pouco, sempre depois da meia-noite”, revela ele, mas a rotina incomum não o fez abrir mão das coisas boas da vida. “Costumo sair quase todas as noites para jantar com amigos, ir ao cinema, teatro ou algum show”. Durante o dia, nos intervalos entre programas que apresenta, dedica-se a suas coisas pessoais, entre elas a atividade física com personal trainer. Começou a ter aulas de golfe há seis meses, porque um acidente de carro sofrido há vários anos o impede de praticar esportes de alto impacto. Também aproveita para colocar a leitura em dia. “Estou sempre com uma revista ou jornal debaixo do braço”. Seu gosto é variado em literatura. Não esconde a preferência pelo eterno Carlos Drummond de Andrade, sem deixar de destacar o devido valor dos escritores gaúchos. “Gosto de ler quem eu conheço”, diz, citando os escritores Letícia Wierzchowski, Jorge Furtado, Cíntia Moscovitch, Martha Medeiros, Duca Leindecker, Moacyr Scliar e Lya Luft como seus prediletos. E recomenda um dos livros sobre jornalismo que leu recentemente: “Deus é inocente, a imprensa não”, de Carlos Dornelles. “Só não ganhou repercussão porque mostra a hipocrisia da imprensa na guerra da informação”. Também curte bons músicos de MBP e Jazz, como John Coltrane, Milles Davis e Paralamas do Sucesso, que considera a banda da sua geração. Mas a preferência é mesmo por cinema, onde costuma ir três vezes por semana. “Aí sou bem eclético, de Woody Allen e Almodóvar a James Bond”.

“Sucesso só vem antes de trabalho no dicionário”

Felipe está satisfeito com o rumo da sua carreira. Não pensa em sair de Porto Alegre. “Não é falta de ambição. Nossa meta é melhorar o Jornal Gente, melhorar o Band Cidade, melhorar os índices de audiência”. Diz que o reconhecimento do público nas ruas é gratificante, mas confessa que fica tímido quando os ouvintes puxam papo ou comentam alguma notícia. “O Jornal Gente tem uma audiência superqualificada, nosso telejornalismo é muito bem feito, temos liberdade e conquistamos a credibilidade do público”. A estréia em televisão ocorreu quase por acaso. “Quando estava na Gaúcha, recebi um convite para trabalhar na TV Pampa. A RBS não permitiu, mas fui escalado para a equipe da TVCOM, que foi inaugurada em seguida”. Com domínio do microfone e capacidade de improvisação, ficou fazendo ancoragem de noticiário e de eventos aos vivo até 1997, quando foi para a chefia de esportes da RBSTV. Na Band, onde está desde 1999, conquistou seu espaço, fez amigos e teve a oportunidade de trocar experiência com veteranos e contemporâneos. “Divido o microfone com feras como Fernando Albrecht, Denian Couto, Afonso Ritter, Hélio Gama e Adão Oliveira, trabalho com o Meneghetti, meu amigo desde a faculdade, e meu chefe é o Bira Valdez, um dos melhores apresentadores de telejornal do Brasil”, elogia.

A vida é bela

Jovem, carismático, bom vivant, Felipe é fascinado por gastronomia, vinhos e charutos. Participa de confrarias e já fez cursos de culinária com experts como Aninha Comas e Philippe Remondeau. “Quero me habilitar mais, gosto de experimentar coisas novas, não tenho nenhum tipo de preconceito para comida”. E sonha em unir o útil ao agradável: “A longo prazo, gostaria de fazer um programa sobre restaurantes”. Férias, para ele, é sinônimo de lugar calmo. Boa pedida são as pequenas praias do Nordeste, onde pode mergulhar, hábito adquirido há cerca três anos. Já mergulhou em paraísos como Cozumel, Búzios, Fortaleza e Florianópolis, entre outros. Quando consegue compatibilizar viagens de trabalho com lazer, aproveita para curtir a paisagem, visitar as opções culturais do local e fazer umas comprinhas, outro programa que adora. Mas essa fase zen não dura o ano inteiro. O folião Felipe integrava blocos carnavalescos em Butiá, já desfilou na Imperadores do Samba em Porto Alegre e na Mangueira no Rio de Janeiro. Até que mudou de lado, passando a participar da cobertura da maior festa popular brasileira. “Até alguns anos, o carnaval era um subproduto no Rio Grande do Sul, um tapa-furo de programação. Hoje, temos uma geração de repórteres de carnaval extremamente qualificada graças ao Cláudio Brito”. Solteiro aos 37 anos, Felipe é um típico pisciano romântico e sonhador. “Sou movido à paixão”, revela, acrescentando que um dia ainda vai casar e ter dois filhos. Os olhos azuis brilham, mas enquanto esse dia não chega, seu principal projeto pessoal para 2003 é dedicar-se a alguma forma de trabalho voluntário. “Deus é bom para mim, quero retribuir”.