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Lasier Martins: Top em matéria de comunicação

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Em 19/03/2004

“Tu não vai ter espaço para colocar um décimo do que eu vou dizer nesta entrevista”, provoca Lasier Martins, profissional que largou a advocacia para traçar uma longa história na comunicação, ao ponto de consagrar-se como um dos comunicadores de TV com maior poder de influência na sociedade gaúcha. Os comentários e sua concepção sobre determinados acontecimentos são, às vezes, mal-compreendidos, como ele próprio admite, embora sejam reflexos da experiência adquirida ao longo de 42 anos de carreira no jornalismo gaúcho. “Quero ser útil em minha atuação na mídia. Posso ser um sonhador, aparentemente quixotesco, mas é o que penso e é assim que procedo”, explica.

Lasier nasceu no Distrito de General Câmara, atual município de Vale Verde, localizado na região do Vale do Rio Pardo. Morou praticamente toda a infância e a adolescência em Montenegro. Lá, iniciou sua ascendente carreira de jornalista quando, aos 16 anos, foi convidado para fazer um programa de esportes na rádio local, o “Esportes no Ar”. Em 1959, veio para a capital cursar o clássico no Colégio Estadual Júlio de Castilhos. No mesmo ano, Lasier conseguiu um emprego na Rádio Difusora. Mas, depois de um ano atuando na emissora, teve que deixar o radiojornalismo, pois foi convocado para servir ao Exército.

Cumprida a missão, retornou em 1961, novamente para a Difusora. Poucos meses depois, foi chamado para fazer uma seleção na Rádio Guaíba, com o jornalista Mendes Ribeiro. Ali iniciou a atuação de 24 anos e meio na Empresa Jornalística Caldas Júnior, onde trabalhou como repórter da rádio, colunista do Correio do Povo, comentarista da TV Guaíba, e por fim, como chefe de esportes da rádio e TV.

Fora dos Tribunais

A atuação na Caldas Júnior e o talento como repórter esportivo renderam muitos triunfos, como o Prêmio ARI de Jornalismo pelo programa “Guaíba no mundo da Copa”, em 1982, e a oportunidade de realizar coberturas da Copa do Mundo da Argentina e da Espanha. Formou-se em Direito na PUCRS, em 1967, e advogou intensamente durante 21 anos. “Fiz todo o curso de Direito sendo repórter esportivo”, diz. Lasier revela que sempre quis ser advogado e que sua vida foi norteada pelo sonho de atuar na área criminalística. “Sonhava em fazer grandes júris, mas depois eu percebi que o crime não compensava. Me tornei um advogado de Direito Civil e do Trabalho”, conta.

O comunicador já esteve a ponto de deixar o jornalismo diversas vezes para dedicar-se exclusivamente à advocacia. Porém, a paixão pela velha profissão prevaleceu, e Lasier acabou optando por atuar somente no jornalismo. Deixou de advogar em 1988, depois de recusar um proposta “tentadora” de um cliente, quando percebeu que o seu negócio era a comunicação e não os tribunais.

A atividade paralela ao jornalismo auxiliou-o muito durante a crise da Caldas Júnior, em 1986. Para não deixar que a rádio Guaíba fosse à falência, Lasier, como advogado, entrou com uma ação na justiça solicitando o poder de usufruto do veículo, o que foi concedido pelo Ministério do Trabalho, que, na época, permitiu que os funcionários da rádio, cujos salários estavam atrasados, fossem os administradores da emissora. Nomeado pelos funcionários como diretor, Lasier atuou por pouco tempo à frente da administração da Guaíba. Em maio de 1986, Renato Ribeiro comprou os veículos da Caldas Júnior e dispensou o jornalista. Poucos dias depois, Pedro e Nelson Sirotsky convidaram-no para trabalhar na RBS, mas sem lugar definido, para ser uma espécie de “coringa” do grupo. “Eu entrei para substituir quem faltasse, mas naquele ano mesmo fui fazer a cobertura da Copa do Mundo do México, já pela Rádio Gaúcha”, relembra.

No final de 1986, Jorge Alberto Mendes Ribeiro elegeu-se deputado federal, e a RBSTV fez uma seleção para substituí-lo na apresentação do Jornal do Almoço. Venceu Lasier Martins, que lembra até hoje o primeiro dia em que sentou na bancada do JA. “Assumi como âncora, ao lado da Maria do Carmo, em 9 de março de 1987”, conta. E teve ali outra trajetória vitoriosa até que, há cinco anos, deixou de ser apresentador para assumir o espaço de comentarista do telejornal, acumulando ainda a produção e apresentação do programa “Conversas Cruzadas”, da TV Com, e o comando do programa Gaúcha Repórter, da Rádio Gaúcha.

Foram muitas coberturas nacionais e internacionais, conquista de muitos prêmios de jornalismo e outros méritos nestes 17 anos de RBS. Títulos que o comunicador guarda com muito carinho. Não há nem mais espaço nas paredes do seu escritório para pendurá-los, mas faz questão de comentar a proveniência de cada um deles com orgulho. A vaidade de Lasier é justificada mais ainda, já que ganhou 12 vezes o Top of Mind da Revista Amanhã, na categoria "Comunicador de TV", das 14 edições já realizadas. Das viagens profissionais ele destaca as coberturas de quatro edições da Copa do Mundo, da Rio 92 – que para ele foi a mais espetacular de sua vida -, das Feiras de Couros e Calçados, em Hong Kong, Miami, China e Milão, além das coberturas de missões de governadores ao exterior e viagens de missões empresariais.

De onde vem tanta energia?

A produção dos programas de rádio e TV é adiantada já de manhã, quando de sua casa agiliza contatos e organiza a edição dos programas com os respectivos produtores do Gaúcha Repórter e Conversas Cruzadas. A leitura dos jornais, além de ser obrigatória para Lasier, é sempre feita no início do dia, às 8h. Até às 11h, ele já mentalizou o assunto do comentário do Jornal do almoço, gravou o comentário do programa “Chamada Geral”, que vai ao ar às 11h40min, e definiu as pautas dos programas. Depois da edição do Gaúcha Repórter, nos estúdios da Rádio Gaúcha, Lasier volta para casa, onde acerta os últimos detalhes do Conversas Cruzadas, veiculado às 22h30, na TV COM. “É uma vida muito intensa e agitada, como vês, sou um operário da comunicação”, brinca, com sorriso nos lábios.

Mas mesmo com a vida profissional agitada, Lasier revela que adora o que faz e que não pensa em deixar o jornalismo assim tão facilmente. “Trabalho estupidamente, mas gosto do que faço”, destaca. Aos 61 anos, demonstra um pique e uma qualidade de vida admirável. Para tanto, investe muito em sua saúde e diz que os exercícios físicos estão entre as suas prioridades. Pratica hidroginástica e anda na esteira três vezes por semana, sempre no final da tarde. “Graças a Deus estou em plena forma”, comenta. Como diz que “nunca vai parar de trabalhar”, o comunicador investe mesmo para manter a disposição. Há 11 anos, ele vai “religiosamente” fazer tratamento no SPA Kurotel, em Gramado. “Além de cuidar da saúde, o lugar é fantástico, revigora e ensina a reeducação alimentar. Procuro manter sempre a cabeça boa, pois o mais importante da vida é a saúde, o resto a gente leva adiante”, diz otimista.

Por trás das câmeras

Do primeiro casamento, Lasier tem dois filhos: Marla Martins, apresentadora do Estação Cultura da TVE-RS, e Lasier Júnior, também jornalista, que atualmente produz o programa “Surfe na TV”, no Canal 20 da NET. Fruto do seu segundo e atual casamento com a defensora pública Marta, são as filhas Luana, de 16 anos, e Carina, de 10. O comunicador curte a família nas horas de folga, quando também aproveita para viajar ou ficar em casa “bem à vontade”. Nas férias, costuma ir para o Nordeste, precisamente para o litoral norte de Alagoas, em Maragogi. Lá, faz tudo o que gosta: joga vôlei, descansa, lê, desliga-se de tudo e todos.

Nos fins de semana, Lasier coloca seu passatempo preferido em dia, a leitura. “Gosto de ficar em casa lendo, preferencialmente sobre política e, às vezes, obras de literatura”, diz. Na cabeceira está um dos sucessos da escritora Lya Luft, “Perdas e Ganhos”. A preferência musical é pelo clássico, como música erudita e instrumental. O cinema é freqüentado em média três vezes por mês, conforme a disponibilidade de tempo, embora ele aprecie mesmo é um bom teatro.

Como qualidade, Lasier destaca a obstinação: “Quando quero uma coisa eu me jogo de cabeça”, explica ele, ressaltando também que a fidelidade e a sinceridade fazem parte do seu jeito de viver. “Eu sou uma pessoa que posso fazer as críticas que faço porque não tenho por onde me atacarem. A minha vida é muito limpa”. A integridade é justificada pela formação de bons princípios e aprendizado adquirido com o pai, que foi mecânico de locomotivas, e a mãe, dona de casa. “Meu pai era um homem que lidava com a graxa e sempre dizia que seus filhos não seriam analfabetos como ele, que iriam estudar e vencer na vida”, relembra, nostálgico.

Lasier tem como estratégia pessoal não dizer os seus projetos do momento nem os planos para o futuro: é uma superstição não revelar os objetivos. “Aquilo que a gente diz que vai fazer acaba não dando certo”, acredita ele, destacando que arriscaria o pleno êxito dos planos contando a outros. Já que a persistência é o seu lema para conquistar o que almeja, Lasier guarda a sete chaves os projetos pessoais e profissionais e avisa: “Quando não temos nenhum projeto ficamos estagnados e aí é hora de parar!”. Como filosofia de vida ele faz questão de pregar que é fazer da sua profissão algo de bom para os outros. “Minha filosofia é ser útil e acho que isto eu tenho conseguido com sucesso”.