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Lauro Quadros: Autodidata do radiojornalismo

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A vocação para a comunicação foi descoberta por Lauro José de Quadros ainda adolescente, fazendo locução nos alto-falantes do Colégio Rosário, onde era estudante. Na época, ele já sonhava em ser radialista porque acreditava possuir duas características fundamentais para a profissão: a voz e a determinação para perseguir o ideal. Moral da história? Mesmo sem formação acadêmica, hoje traz uma bagagem de 46 anos de experiência no radiojornalismo, consagrando-se, com um bom senso de humor e irreverência, entre os radialistas mais prestigiados do Rio Grande do Sul.


A primeira experiência no radiojornalismo foi na Rádio Gaúcha, em 1959, onde atuou como plantonista de estúdio, repórter e narrador esportivo, além de locutor comercial. No ano seguinte, ingressou na antiga Difusora, atual Bandeirantes, na qual trabalhou no programa Escolha e Peça. Em 1961, retornou novamente para a Gaúcha. Após um ano, foi contratado para trabalhar na Rádio Guaíba – na época considerada líder em programação esportiva -, pela qual fez a sua primeira cobertura de Copa do Mundo, no Chile. Lauro atuou por 23 anos na Empresa Jornalística Caldas Júnior, tendo passado também pelos veículos Folha da Tarde, Folha da Manhã e TV Guaíba. Paralelamente ao trabalho nos veículos do Grupo, trabalhou ainda na TV Difusora, com apresentação dos programas Câmera 10 – que marcou sua estréia na televisão -, Camisa 10, Portovisão e Jogo Aberto.


Lauro teve uma rápida passagem pela Rádio Pampa, em 1984 e em 1985, foi convidado para voltar à Rádio Gaúcha, onde atua até hoje, apresentando o programa Polêmica (9h às 11h) e participando do Sala de Redação (13h às 14h). Nesses 20 anos de RBS, o radialista trabalhou também nos demais veículos do grupo, incluindo Zero Hora, RBS TV, como comentarista do Jornal do Almoço, e TV COM, da qual foi um dos fundadores e pioneiro na apresentação do programa Estúdio 36. Há 11 anos, especificamente na cobertura do tetracampeonato do Brasil na Copa do Mundo nos Estados Unidos, Lauro decidiu encerrar sua participação nas jornadas esportivas. “Depois de 35 anos sem finais de semana, eu resolvi que ia me despedir das jornadas e recuperar o tempo perdido. Meus filhos cresceram sem minha companhia nos finais de semana”, explica Lauro, justificando também sua saída do programa Estúdio 36, em 1999. “Tive que recuperar a noite também para poder reorganizar minha vida. Agora trabalho das 9h até as 14h. Acho que está bem razoável para um cara de 65 anos e que chegava a trabalhar 16 horas por dia”, diz o radialista com uma boa gargalhada. Lauro só deixa os estúdios da Gaúcha depois de definir, juntamente com a equipe de produção do Polêmica, o tema, entrevistados e convidados da edição do dia seguinte do programa.


Na trajetória profissional de quase cinco décadas, Lauro Quadros já acompanhou sete Copas do Mundo, diversos títulos brasileiros e campeonatos internacionais de futebol, além de inúmeras outras coberturas importantes do jornalismo gaúcho. Pela atuação no radiojornalismo, já recebeu homenagens e premiações na área da comunicação. Entre eles, destaca o Prêmio ARI de Jornalismo, em 1986, na categoria Rádio, conquistado pela reportagem Seqüestro: o terceiro segredo de Fátima. O episódio é lembrado até hoje pelo radialista, que garante ter sido uma de suas maiores provações no exercício da profissão.


Durante a cobertura da Copa do Mundo do México, em 1986, Lauro fazia um programa de variedades em Porto Alegre, quando foi surpreendido por rapaz que propunha contar no ar o terceiro segredo de Fátima. “O cara só me enrolou durante o programa inteiro e não contou nada. Um ano depois, chego aqui na Rádio e o pessoal da técnica vem me avisar apavorado que um cara estava na entrada do estúdio com um revólver na cabeça de uma moça a ameaçando de morte. Ele exigia que fosse entrevistado por mim para contar o terceiro segredo de Fátima. Foi uma coisa inacreditável, eu fui para o microfone da rádio e fiquei duas horas e meia com o cara no ar tentando dissuadi-lo da idéia de matar a moça. Foi um sufoco, mas eu acabei ganhando o Prêmio ARI”, relembra hoje, com minúcias de detalhes.


Francófilo de carteirinha


Apaixonado pela cultura francesa, Lauro e a esposa Maria Helena viajam há 15 anos, sempre no meio do ano, para a França. O roteiro é variado e cada viagem inclui cidades das diversas regiões do país. Aliás, viajar é a maior paixão do radialista e o planejamento dos passeios já é considerado também um hobby dele. “As viagens estão acima de todas as coisas. Posso até ir pra outro país, mas acabo sempre na França. Sem querer bancar o exibido, eu conheço aquele país mais do que muitos franceses”, brinca Lauro, justificando sua tara pelo país. A “menina dos olhos” dele é Provence, no Sul da França. “Eu já viajei muito profissionalmente, mas não conheço o mundo inteiro. Ainda pretendo conhecer melhor o Canadá, a Austrália e Jerusalém. Se eu ganhasse na Mega-Sena agora eu ficaria um mês viajando e um mês em Porto Alegre o resto da vida. Essa seria a única maneira também de me aposentar”.


Frutos do casamento de 44 anos são os filhos Marcelo Augusto (43), que mora na Argentina, Carla (42), diretora do Colégio João Paulo I, Carmem (41), médica, e a caçula Laura, de 35 anos, também jornalista, que atua na McCann Erickson, em São Paulo. A família é composta ainda por quatro netos: Vítor (13) Cícero (12), Pedro (8) e Ernesto (6). O radialista transborda de alegria quando consegue reunir toda família, o que não acontece com muita freqüência devido aos compromissos dos dois filhos que não residem em Porto Alegre.


Lauro pratica caminhadas de seis a oito quilômetros diariamente, sempre nos horários livres após o trabalho na rádio. “Joguei futebol de salão até os 56 anos, mas depois de velho tive que optar por corridas ou caminhadas”, diz. Nas horas de folga, se divide entre diversas atividades, programas familiares, assistir filmes, escutar música e ler. Cinema é outra paixão do radialista, cujas preferências são ecléticas. “Eu não gosto de filmes de ação e de comédia, só se esta for romântica”. A música também tem espaço garantido nos momentos de lazer. “Sou tarado pela música norte-americana. Elas me encantam, além de ouvir, gosto de cantar também”, confessa ele.


Desplugado


História. Este é o tema predileto das leituras do radialista. História de tudo, com destaque para o cristianismo e religiões. Lauro se intitula um autodidata, por não ter curso superior e pelo seu conhecimento ter sido todo baseado em leituras. “Eu lia compulsivamente e tinha tudo organizado conforme os gêneros. Isso teve uma contribuição para minha formação e, sem dúvida, auxilia até hoje no desempenho profissional”, explica. Na cabeceira está  A viagem vertical, de Enrique Vila-Matas, escritor catalão de Barcelona.


Lauro não é muito chegado à Internet, e as demandas que precisa realizar através da rede delega para Maria Helena, que o auxilia até na hora de mandar e-mails. “Eu não transo muito e-mail, mas peço pra minha mulher providenciar isto pra ti”, diz ele com franqueza, ao combinar o envio de uma mensagem durante a entrevista. Paralelamente à vida profissional e pessoal, Lauro exerce ainda um trabalho de filantropia para o Instituto do Câncer Infantil, do qual é presidente do Conselho de Administração. “Isso é uma coisa maravilhosa que faz bem para minha alma e espírito. Fico muito feliz em ter esta participação lá no instituto. Não há como mensurar o quanto isso me gratifica pessoalmente”, afirma.


O radialista destaca que não planeja se aposentar tão cedo do radiojornalismo, até porque necessita do trabalho como uma referência na vida. “Não tenho intenção de parar mesmo por três razões: primeira, porque morreria; segunda, porque ainda não estou rico; e a terceira, porque eu não estou decadente, me vejo em boa forma para continuar”, ironiza o simpático Lauro, ao avaliar as possibilidades futuras.

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