Notícias de mercado da comunicação do RS.

Home Perfil Eduardo Sirotsky Melzer: Empreendedor precoce

Eduardo Sirotsky Melzer: Empreendedor precoce

Compartilhar
,

Muitos o conhecem apenas por Duda, mas o apelido curtinho que carrega desde a infância não esconde o peso do sobrenome famoso. Com apenas 34 anos, há três Eduardo Sirotsky Melzer é diretor-geral da RBS para o Mercado Nacional. Pode parecer precoce, mas precocidade mesmo Duda teve ao começar a trabalhar num banco com apenas 17 anos e, aos 20, trazer uma grande franquia internacional para o Brasil.


Nascido a 13 de maio de 1972, é o mais velho da terceira geração dos Sirotsky. É filho de Suzana, a primogênita de Maurício Sobrinho, fundador da RBS. Logo que entrou na faculdade de Administração de Empresas da PUC (Pontifícia Universidade Católica), Duda sentiu a necessidade de trabalhar: “Minha família é de empresários e empreendedores”, diz, culpando os genes pela pressa. Conta que tem fotos dele pequeno sentado à mesa do avô. Já eram indícios de uma vocação precoce para o trabalho. Ainda assim, parentes e amigos recomendaram que aproveitasse o período para se dedicar apenas à vida acadêmica, advertência que ele não seguiu. Queria atuar na RBS, mas sabia que havia critérios rígidos para alguém da família entrar na empresa. Então, começou a carreira como todo estudante: estagiando. “Falei com alguns amigos e consegui um trabalho no Banco Matone. Entrei como estagiário, depois fui efetivado. Fiquei uns dois anos lá, juntei uma grana e montei meu próprio negócio”, lembra.


Há cerca de 12 anos, durante o Governo Collor, abriu-se um período favorável para a venda de importados. Duda aproveitou e trouxe para o Rio Grande do Sul a Sweet Sweet Way, loja de balas, doces e produtos importados. “Era um negócio diferente, o sujeito entrava na loja, escolhia as balas e pesava. Comecei não só a ter as minhas lojas, mas a franquiar para o Brasil também”, conta. “Foi uma responsabilidade bárbara, tinha quatro lojas próprias, 50 funcionários e um monte de franqueados. Assumi uma responsabilidade muito à frente do meu tempo ou do que as pessoas esperavam para um jovem”, complementa.


Todo esse sucesso e ele ainda era um universitário… Hoje, Duda se diz ansioso e todos concordam que essa é uma de suas características mais marcantes. Ele atribui isso ao fato de ter começado tudo muito cedo e, portanto, querer sempre resultados rápidos: “É até um sinal da imaturidade”, pondera.


Boston, Nova York, São Paulo…


Ao chegar ao fim do curso, ouviu a advertência do pai, Carlos Melzer, que atuou mais de 30 anos na RBS: “Parabéns pelo feito, mas não perca a perspectiva das coisas. Não sei se tu te enxergas como empresário de balas para o resto da vida. Tu deves ter outras ambições”.


E tinha outros projetos, sim, como cursar um MBA no exterior. “O MBA, na minha área de gestão, é o principal aperfeiçoamento que existe. E tive a sorte de conseguir entrar na Universidade de Harvard”, comemora, dizendo que a instituição proporcionou experiências incríveis tanto pessoais quanto profissionais e acadêmicas. Aos 26 anos, recém-casado com a advogada Lica, mudou-se para Boston, nos Estados Unidos, período em que a esposa também aproveitou para se aprimorar profissionalmente. Foram dois anos que o empresário classifica como “maravilhosos”, acrescentando que Boston é uma ótima cidade para um jovem casal de estudantes.


Em 2002, terminado o MBA, eles optaram por permanecer no país. Lá, Duda trabalhou num fundo de investimentos e numa empresa de mídia de Nova York. Viver na Big Apple foi outra experiência importante. “Foi complementar, em todos os aspectos, ao meu MBA. Nova York é um centro nervoso do mundo, por mais coisas que eu estivesse fazendo, sempre sentia que estava deixando de fazer outras. Foi uma aula de gestão de prioridades”, diverte-se. Essa foi sua primeira experiência em mídia. Fundamental, já que a empresa em que ele sonhava trabalhar ainda era a RBS.


A empresa da família


No final de 2003, quando surgiu o novo planejamento estratégico do grupo, de reposicionar a RBS no centro do Brasil, Nelson Sirotsky e Pedro Parente convidaram Duda para assumir a área de Mercado Nacional. Ele aceitou a oportunidade e retornou ao país com Lica, dessa vez para morar em São Paulo. “Percebi o desafio e a minha potencial capacidade de agregar valor à RBS. Eu amo essa empresa, mas deveria estar no momento certo para participar dela. Os outros podem vê-la como empresa da família, mas para mim é uma coisa só, família e empresa estão integradas, então, eu vivo isso 24 horas por dia”, explica.


Como diretor-geral para o Mercado Nacional, Duda é responsável por todas as operações da RBS acima de Santa Catarina, o que envolve, basicamente, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. “A força do mercado nacional é alta e ainda tem um potencial muito grande para uma empresa regional como a RBS”, alerta o empresário. “Nossa estratégia é mudar o patamar da empresa em outros mercados. Temos um sucesso incrível nas áreas onde a RBS atua, seus veículos são líderes, mas tínhamos um potencial grande a ser explorado fora do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”, elucida.


Ainda devido à função, Duda tem uma rotina corrida, sempre viajando entre Porto Alegre, São Paulo e demais mercados. “Viajo todos os dias, tem que ter energia”, admite. Em meio a todas essas viagens, ainda encontra tempo para se dedicar a entidades do setor publicitário: é membro dos conselhos de Ética do Conar (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária) e do Cenp (Conselho Executivo de Normas-Padrão).


“Quero trazer a Coruja”


Duda é um profissional jovem numa área de atuação também nova dentro da empresa, ainda assim já está sendo indicado ao Prêmio Caboré, considerado o Oscar da propaganda brasileira, na categoria Profissional de Veículo. “Me sinto muito feliz por, com dois anos e meio de mercado, ser indicado, representando a RBS, para a premiação mais importante da publicidade nacional”, declara, reconhecendo ainda o papel da empresa nessa indicação: “É um reconhecimento amplo do mercado. No Caboré, concorrem pessoas com muitos anos de profissão e o mercado de São Paulo é altamente competitivo, com empresas de todo o mundo. Receber esse tipo de destaque tem sim muito a ver com o meu trabalho, mas também tem muito a ver com a força da RBS. Ela é uma empresa que opera regionalmente, mas goza de uma reputação, de uma credibilidade e de um respeito muito grandes nacionalmente”.


Ele convoca os profissionais gaúchos a votar nele: “Represento não apenas a RBS, mas o mercado do Rio Grande do Sul. Se fizermos uma retrospectiva, são sempre profissionais de São Paulo que levam o Caboré”, destaca. “Quero que os gaúchos entendam essa indicação como de nós todos. Quero trazer a Coruja para o Sul!”. Segundo Duda, há muitos potenciais eleitores no Estado, mas a abstenção aqui também é alta, talvez, justamente, por não haver a tradição de gaúchos concorrendo: “Por isso é que estamos fazendo uma campanha para que as pessoas votem. E que votem no Duda!”, esclarece.


Dormir em casa de vez em quando


Assumir essa postura 100% dedicada à RBS leva Duda a se afastar um pouco de sua família. “Minha mulher me disse outro dia, ‘Duda, tu podia dormir em casa um dia desses’. Eu até costumo dormir em casa, mas chego tão cansado que apago”, confessa. Ainda assim, ele faz o possível para passar as manhãs e os finais de semana com Lica e os pequenos Fernando, de um ano e nove meses, e Felipe, de três meses.


A esposa chegou a trabalhar em São Paulo, mas logo descobriu a gravidez. “Hoje, sua profissão é mamãe full time. Foi uma opção dela, mas como não posso estar sempre presente, fico muito mais tranqüilo sabendo que ela está com os bebês do que delegar a criação das crianças a uma babá”, conta Duda. Nas folgas, ele costuma brincar muito com os filhos, andar de bicicleta com o mais velho, administrar o ciúme entre os dois, como qualquer pai. Além de pedalar, gosta de correr e sempre leva um tênis na mala, para poder praticar o esporte em qualquer lugar e manter a forma.


A família também adora viajar, não a trabalho, claro, mas para se divertir. Uma das viagens que Duda destaca como especial foi a Punta del Este, Uruguai. “Não é um lugar distante nem exótico, mas é lindo”, derrete-se. Lá, no último ano, foi realizada uma assembléia do Conselho da Família Sirotsky, do qual Duda é coordenador. Ele explica que, por ser uma empresa familiar, a RBS, ao se desenvolver como negócio, promove também um desenvolvimento estrutural e social dos Sirotsky. “Para que essa empresa continue fazendo sucesso, ela pode e deve continuar familiar, desde que os subsistemas que compõem esse organismo também se profissionalizem”, coloca. Durante o encontro de quatro gerações da família, foram debatidas questões do grupo e realizadas dinâmicas de integração. “Eu vi o meu filho de um ano correndo de mãos dadas com o meu tio Jaime. Isso foi emblemático, um momento mágico”, emociona-se.


Duda se considera um privilegiado por trabalhar no que gosta e poder dizer que ama sua empresa: “Para mim, a RBS é a melhor empresa do mundo, claro!”, brinca. Ele diz que a integração dele com a família e com a empresa acontece tranqüilamente porque ele se dedica com paixão: “Quando somos apaixonados pelas coisas, nos dedicamos, nos doamos, e os resultados são muito melhores”.

Imagem