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César Paz: Ousadia e talento

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Antes de ser um militante das áreas de Comunicação e Tecnologia, o porto-alegrense César Fernando Paz é um homem de negócios. Mas se ao ler esta descrição você imaginar o estereótipo típico de um executivo, ou seja, um homem engravatado e com um semblante sério, saiba que estará enganado. O diretor-presidente da agência digital AG2 é uma pessoa despojada e que deixa o terno e gravata para as ocasiões especiais. Foi devido a uma intuição aguçada que, segundo ele possuia, montou um Dream Team e, com muita ousadia e talento, conseguiu trilhar o caminho do sucesso.


Vôos mais altos


Com 21 anos, César se formou em engenharia mecânica e iniciou sua carreira profissional na Aeromot, empresa fabricante de equipamentos para a aviação. “Não me considero com muita vocação, pois nunca fui um bom engenheiro. Entretanto, a minha formação ajudou a desenvolver um raciocínio lógico para resolver questões de qualidade”. Em 1985, quando se tornou engenheiro de manutenção da Varig, já estava com a carreira estruturada na área da aeronáutica. Três anos mais tarde estava de mudança para São José dos Campos onde foi trabalhar na Embraer, na área de negócios. Sua responsabilidade era discutir com os clientes a configuração das aeronaves.


Também atuou, durante dois anos, como diretor de planejamento da Pantanal Linhas Aéreas. “A cultura aeronáutica me ajudou na construção de um bom modelo de negócios, pois ela não permite erro. É uma cultura muito forte em termos de qualidade e de exigência. Ajudou muito na minha formação e hoje eu uso um pouco destes conceitos”.


Em 1996, César resolveu alçar vôos mais altos: voltou para o Rio Grande do Sul com o objetivo de criar as filhas e montar um empreendimento. Ele queria entrar para o mundo ‘Business’ e, para isso, juntou todas as suas economias e as investiu em uma franquia da empresa americana Alpha Grafic. O negócio acabou não dando certo, mas a tentativa serviu como um ensaio. “Perdi uma grana, mas, em compensação, ganhei experiência para a montagem da AG2”, conta.


Uma segunda opção


A primeira pedra encontrada no caminho não foi motivo para desistência. O engenheiro juntou a bagagem adquirida e foi estruturar uma nova trajetória. A AG2, que hoje cresce mais de 30% ao ano, carrega em seu nome o objetivo para a qual foi criada. “O AG vem de agência e o 2 significa uma segunda opção, ou seja, uma alternativa ao modelo de comunicação das agências de publicidade”, explica. Os planos para a fundação da empresa surgiram em 1998, mas foi um ano mais tarde que cinco sócios alugaram um sobrado no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, e inauguraram a primeira sede.


A agência, que no começo tinha apenas um funcionário, hoje conta com mais de 150 colaboradores distribuídos nas unidades de Porto Alegre, Pelotas e São Paulo, e a tendência, segundo César, é chegar a 200 no final do ano que vem. “A AG2 se caracteriza como uma agência digital de solução completa. Nós desenvolvemos todo o processo, desde a consultoria, passando pelo desenvolvimento, até a gestão dos projetos digitais”, relata. Clientes como Embraer, Bradesco, General Motors, Grupo Silvio Santos e Azaléia fazem parte do portfólio da empresa que trabalha focada nas grandes corporações. “O sucesso se deve ao modelo e à metodologia de trabalho. Não basta ser criativo, é necessário ter uma metodologia de trabalho, um modelo operacional viável. Sempre tivemos muito claro qual era o nosso modelo de trabalho e de operação”, afirma.


A AG2 já surgiu com a ambição e o desafio de trabalhar com grandes marcas. “No início fazíamos qualquer coisa, mas tínhamos o discurso e tentávamos montar um porrtfólio adequado. O primeiro grande cliente, que veio em 1999, foi a Renner. Hoje temos uma carteira que é o nosso principal patrimônio e a administramos com cuidado, pois são clientes que entendem o tipo de trabalho que fazemos”.


Elo com a comunicação


César, que escreve há quatro anos para sites e revistas especializadas, se define como um militante das áreas de Comunicação e Tecnologia, que são os pilares da AG2. “Sempre tive uma ligação muito próxima com a comunicação: ou porque dependia dela para fazer negócios ou porque sempre entendi a sua importância”.


O engenheiro confessou em um artigo nutrir um grande apreço e uma ponta de inveja pelos melhores publicitários do país. A admiração não advém apenas da capacidade criativa que eles possuem, mas também da capacidade de ganhar dinheiro.  No texto, ele conta que foi este talento que gerou um modelo de negócios no Brasil, pelo qual revela uma certa indignação. “O modelo tem 50 anos e é muito questionado, pois se baseia na venda de mídia: quanto mais o cliente gastar, melhor é para todo o mundo. Isso é complicado! A competição do mercado exige que as agências façam o melhor, por menos! Sempre defendi que o substantivo do trabalho da agência digital deveria ser o serviço e não o comissionamento de mídia e, desta forma, acho que o foco do modelo das agências digitais deve se diferenciar das agências de propaganda”, conclui ele.


Bom para o corpo e para a mente


Mesmo trabalhando cerca de 12 horas por dia, César consegue otimizar seu tempo e praticar atividades como leitura e corrida. Ele está se preparando para participar da maratona de Buenos Aires, que acontece no dia 4 de novembro, e para isso, treina cinco vezes por semana. “Correr é muito prazeroso e praticar um esporte em meio à rotina de viagens que tenho é um pouco difícil. A corrida acabou sendo uma grande solução para o corpo e para a mente”. Quanto à leitura, não podem faltar em sua mala clássicos pertencentes à literatura russa ou americana. Temas relacionados ao setor e autores brasileiros são sempre bem-vindos.


Reservado, César, que nasceu em 15 de maio de 1964, evita comentar sobre sua família. O máximo que revela é ser casado há 20 anos com Rejane e com ela ter duas filhas: Greta, 16, e Djulia, 8. No final de semana, tanto o trabalho como as demais atividades são deixados de lado: a prioridade é a família.

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