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Orestes de Andrade Jr: Entre idas e vindas

Na ponte aérea entre Santo Ângelo e Porto Alegre, Orestes de Andrade Jr construiu sua carreira de mais de 20 anos com passagens por redações, empreendedorismo e assessoria de imprensa
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Orestes de Andrade Jr. | Crédito: Jefferson Bernardes / Agência Preview

Orestes de Andrade Jr. | Crédito: Jefferson Bernardes / Agência Preview

Por Gabriela Boesel

Foi graças a Celso Roth, atual técnico do Sport Club Internacional, que o mundo da Comunicação ganhou mais um profissional de peso. Frustrado por não ter talento suficiente para ser um craque da bola, Orestes de Andrade Jr. largou a categoria de base do Internacional – seu time do coração – após ser aconselhado a jogar de lateral direito, e não no meio-campo. “Eu queria ser Camisa 10, mas o Roth acabou com minha carreira”, lembra, aos risos, e completa: “Já o perdoei”.

O futebol foi uma herança paterna. Filho do também jornalista e narrador esportivo da Rádio Guaíba, Orestes de Andrade, carrega na memória muitas lembranças de quando acompanhava de perto o trabalho do pai. “Com quatro, cinco anos, eu ia para estádio com o pai. Viajava com a equipe da rádio, estava sempre no meio deles. Era o mascote dos repórteres e radialistas”, recorda.

Mesmo com o exemplo em casa, o hoje diretor-geral da Secretaria de Comunicação do Rio Grande do Sul garante que nunca havia pensado em seguir na carreira jornalística. Chegou, inclusive, a prestar vestibular para Medicina, no qual não passou. “Fiz por fazer, pois tenho até um pouco de medo de ver sangue”, confessa. E foi entre idas e vindas, perguntas e respostas e diversas experiências que Orestes encontrou no Jornalismo o caminho a seguir.

Ponte aérea

Natural de Santo Ângelo, no Noroeste do Estado, Orestes construiu sua carreira na Comunicação em uma espécie de ponte área entre a cidade natal e a Capital. Uma experiência cá e outra lá formaram o extenso currículo repleto de desafios, convites e acertos. O estudante de Ciências Sociais, na UFRGS, – curso que passou em segunda opção – descobriu o Jornalismo por influência de uma antiga professora que dizia que os textos que ele escrevia para as aulas de Antropologia, Sociologia e Ciências eram de caráter jornalístico. “Ela sugeriu, então, que eu escrevesse para o Jornal da História, da universidade, para o qual passei a enviar artigos que foram publicados. Comecei a gostar da repercussão e me convenci de que meu texto era mesmo jornalístico”, explica.

Após ter material publicado em jornais como Zero Hora, foi em Santo Ângelo que teve sua primeira experiência prática na área. Com a incumbência de assumir como editor do Jornal das Missões, Orestes viu na oportunidade a chance de definir se realmente queria ser jornalista. “Li todos os manuais de redação do mundo. Mergulhei na teoria do Jornalismo. Foi um aprendizado incrível”, declara.

Na cidade natal teve também a possibilidade de liderar a criação da extinta cooperativa 1ª Mão e trabalhar no portal A Comunidade, que, segundo conta, foi o primeiro portal de notícias do Estado, antes de ClicRBS e Terra. No município vizinho, em Ijuí, também fundou a cooperativa Hora H, que segue ativa até hoje. Lá, ficou por cerca de um ano até se cansar de viver no interior e decidir voltar para Porto Alegre.

Na Capital e sem dinheiro, Orestes aceitou o primeiro estágio que conseguiu como copydesk no recém-criado Jornal O Sul, da Rede Pampa. “Imagina se eu gostei?”. E após quatro dias na função, mandou sugestões de pauta para o então editor do jornal, Julio Sortica. Sem querer, copiou o presidente da empresa, Otávio Gadret, no e-mail, que, para sua sorte, aprovou os palpites e lhe arranjou um lugar na redação. “Foi o pior jeito de conseguir o que queria, mas cumpri meu objetivo”, recorda. Na empresa também atuou na Rádio Pampa e na TV. Contabiliza, ainda, passagens pelo Diário de Cachoeirinha, do qual participou da fundação, e pelo Correio de Gravataí, onde foi chefe de redação. Ambos do empresário Roberto Gomes de Gomes.

Divididas em ciclos de dois em dois anos, aproximadamente, e, alguns, de quatro anos, as experiências contribuíram para a situação na qual se encontra hoje. “A vida me trouxe para cá e eu tenho plena consciência disso”, afirma, e completa que gosta de desafios, pois se cansa facilmente de fazer a mesma coisa. “Não quero ser especialista em nada, pois sou o legítimo repórter: quero ser generalista”, diz, categórico.

Da redação para assessoria

Convites não faltaram na vida profissional do filho da advogada Helena. Mesmo atuando na redação do Correio de Gravataí, o irmão mais velho de Filipe e Rodrigo aceitou assumir a assessoria de comunicação da Secretaria de Minas e Energia do Estado, comandada pelo seu conterrâneo Valdir Andres, durante o governo Rigotto. Apaixonado por este ramo da Comunicação, foi por influência dos jornalistas Ana Amélia Lemos e Políbio Braga que decidiu investir na área. “Eu tinha que achar meu caminho.”

Passou pela Secretaria de Relações Institucionais – onde ficou apenas uma semana –, pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, e pela Famurs. Por um breve período, esteve na Assembleia Legislativa, época em que conheceu a esposa Elisângela Hesse, com quem está há exatamente uma década. Pietro, de seis anos, é fruto da união e razão pela qual Orestes repensou o modo de trabalho.

À época, enquanto assessor de imprensa do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), passou 22 dias em viagem pela Europa. Quando voltou, a recepção em casa o assustou. “O Pietro tinha um ano e, quando abri a porta, ele me olhou e eu vi que ele não me reconheceu. E eu pensei: ‘preciso mudar minha vida’”, lembra. Pouco tempo depois, deixou o instituto com uma certeza: “Se eu não mudasse de vida, talvez até acabasse com meu casamento. Foi uma escolha fundamental.”

Sommelier na Comunicação

A experiência no Ibravin foi tão intensa que o vinho passou a fazer parte da vida do jornalista. Cervejeiro desde jovem, nunca imaginou que um dia seria sommelier. Hoje, como vice-presidente da Associação Brasileira de Someliers (ABS), é um conhecedor da bebida e, inclusive, dá cursos especializados. “É algo que nunca mais vou deixar. Me conquistou para toda vida.”

Com tantas opções, Orestes confessa que responder qual o vinho preferido é “uma das coisas mais difíceis para quem gosta da bebida”. Mas com muito esforço, selecionou quatro: Pinot Noir da Borgonha, na França, Champagne francesa, espumante brasileiro e Merlot da Serra Gaúcha.

Amante do vinho, é também favorável à tradição gaúcha dos churrascos. “Sempre gostei de cozinhar, mas nunca soube muitas receitas. São sempre os mesmos três ou quatro pratos”, brinca. Em casa, quem comanda o fogão é a esposa, “eu fico a cargo das bebidas”.

Alinhado aos prazeres da vida, viajar é uma das atividades que mais gosta. Engana-se quem pensa que ele só passeia nas férias. “Todo final de semana. Vamos para Santo Ângelo, Bento Gonçalves ou para a praia”, conta e acrescenta que o Pietro até estranha quando ficam em casa. Na bagagem, sempre leva três ou quatro livros, afinal, o comunicador não se limita a uma obra por vez, pois gosta de variar os assuntos. No momento está relendo os títulos ‘Felicidade’, de Eduardo Giannetti, e ‘A Cauda Longa’, de Chris Anderson.

Foco e determinação

Guiado pela frase ‘A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo’, do escritor austríaco Peter Drucker, Orestes resume que, daqui a cinco anos, quer ter tempo de criar o filho. Tem também a convicção de que estará atuando na área da Comunicação, mesmo sem saber onde e como. “Nós tentamos projetar o futuro, e nem sempre dá. Mas é o que eu enxergo”, analisa.

Obsolescência é o seu grande medo. Emotivo por ter chegado aos 40 anos de idade, o profissional ainda não se acostumou a ser chamado de senhor pelos mais jovens. “Eu não sou senhor. As pessoas não enxergam que eu estou no auge dos meus 22 anos?”, questiona, em tom de brincadeira. Com receio de não conseguir acompanhar as novidades, buscou formas de se manter renovado e inspirado. E aquela certeza que tinha quando recém havia entrado na faculdade, de que não conseguiria seguir carreira acadêmica, já não existe mais. “Penso em tentar mestrado e doutorado e, quem sabe, investir na academia”, projeta.

Costuma dizer que é incrédulo, mesmo tendo feito todas as tradições católicas, por incentivo da mãe. Entretanto, na juventude, se identificava mais com a igreja evangélica, que frequentava por influência do pai. Mesmo sendo mais racional, acredita que a fé muda com o passar dos anos. “Queremos levar o Pietro para esse lado e mostrar que existe religião e fé para, depois, ele escolher por conta própria”, explica.

Determinação é a palavra que o define, afinal, quando quer alguma coisa, faz de tudo para consegui-la. “Foi assim no O Sul, mesmo sem intenção”, retoma. E quando não quer, a resposta aparece logo: “Eu descubro o que eu não quero quando não estou muito determinado.” Acredita que a característica é uma herança da mãe, que prestou vestibular, estudou e hoje é servidora pública na Justiça. “Eu a admiro, pois ela fez tudo isso depois de criar três filhos”.