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Fernando Silveira: Família é TUDO

Antes de publicitário e presidente do Sinapro-RS, Fernando Silveira é filho, irmão, tio, marido, pai e amigo
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Fernando | Divulgação

Fernando | Divulgação

Por Cinthia Dias

Na sala de reuniões da agência Integrada Comunicação Total, no primeiro andar de um prédio na intensa avenida Carlos Gomes, em Porto Alegre, o publicitário Fernando Silveira relata sua trajetória profissional. Embora seja natural de São Luiz Gonzaga, ele ingressou no mercado de em Santa Rosa como estagiário do Banco do Brasil. Lá, aprendeu a manusear a rede telegráfica Telex, no qual efetuava ordens de pagamento e realizava outras atividades. “Um equipamento tataravô do Messenger”, caracteriza, bem-humorado.

Com poucas opções de instituição de ensino naquela região, as alternativas para estudar em uma faculdade são vir para Porto Alegre ou se deslocar para Santa Maria. Optou, então, pela Capital, onde prestou vestibular para Engenharia Civil, na PUC, em 1990. Apesar de ter passado nas disciplinas de Cálculo e se adaptado ao perfil dos universitários do Prédio 30, questionava as matérias, e, em um laboratório com o professor Boeira, foi aconselhado a buscar outro curso, pois não tinha perfil de engenheiro. “Ele sugeriu que eu fosse até a Famecos para assistir a algumas aulas. Como era muito tímido, acabei não indo, mas passei a frequentar o prédio 7 nos intervalos”, lembra.

Envolvido com o ambiente descontraído, decidiu realizar outro concurso para ser aluno de Publicidade e Propaganda também na universidade católica. Com o nome no listão, em 1991, passou a estudar nas duas graduações até que seu pai, Antônio, lhe propôs continuar estudando apenas aquela em que encontrasse o primeiro estágio. “Nem preciso dizer que cursei quatro semestres de Engenharia e tranquei.” No ano seguinte, já atuava na agência Martins + Andrade, cuja seleção se deu por uma prova. “Um teste muito disputado na época. Era um projeto bacana chamado de ‘Publicitário do Futuro’”, recorda, e conta que, depois do período de estágio, foi efetivado.

Agente de integração e talentos

“Existem pessoas que te visitam no Verão e amigos que te encontram o ano inteiro”, analisa a fim de definir sua relação com o publicitário Eduardo Cheffe. O amigo, que mais tarde se tornou sócio, já havia trabalhado com ele nos tempos de Martins + Andrade, mas nunca haviam conversado sobre dirigir uma agência. Em uma de suas visitas frequentes, a dupla resolveu abrir a Integrada Comunicação Total, cujo objetivo inicial era não tomar os clientes de ninguém. “Um ideal de jovens”, resume. Com a sociedade estabelecida em 2000, enfrentaram dificuldades, como dar início a uma empresa, em pleno período de férias em janeiro, sem nenhum cliente na carteira. A agência cresceu e precisou sair de uma sala em um prédio da avenida Cristóvão Colombo, na Zona Norte da Capital, para se instalar em um espaço maior, localizado na avenida Princesa Isabel, na Zona Leste.

Conforme conta, em 2012, o mercado começou a dar sinais de mutação, diferentemente de como é atualmente, e seu amigo aproveitou o momento de transição para deixar a sociedade e tocar projetos pessoais. “Um grande amigo que se tornou meu companheiro de negócios por 12 anos”, afirma sem ressentimentos e com total compreensão dos desejos de Eduardo. Com a alteração no quadro societário e as movimentações no cenário da Publicidade, remodelou o posicionamento de sua empresa, para que esta não dependesse mais da mídia, visto que se discutia campanhas on e off.  “Sofri bastante nesse processo de mudança. Foi doloroso porque tive que convencer as pessoas do que estava pensando e onde queria chegar, e os clientes de que isso tinha valor”, explica.

Se perder seu companheiro o abalou, em uma proporção inversa diz que engrandece ter dois sócios minoritários que foram seus estagiários – que, hoje, são diretores de Criação e Atendimento na Integrada. “A Cibele e o Júlio são muito melhores do que eu. Isso que é bacana! Me deixa completamente feliz ter feito parte do crescimento e amadurecimento deles”. Diretamente com ele, também atuam outros 15 profissionais e o seu terceiro sócio Alex Maurell, responsável pelo Financeiro, além dos colaboradores que operam sob demanda, com quem tem o prazer de dividir a estação de trabalho. “Minha pauta sempre foi lidar com pessoas. Em uma prestação de serviço isto é fundamental. Posso não ter ganhado tanto dinheiro, mas tenho muitos amigos no meio.”

Em busca de experiência

Na trajetória também contabiliza passagem na Símbolo, localizada em Porto Alegre, onde ficou por um ano como redator. Como costuma dizer, era uma agência “absurdamente grande” que atendia contas expressivas do mercado publicitário. Na sequência, após receber um convite do antigo diretor de Criação da Martins, Fernando Palermo, para ocupar uma vaga de redator júnior na Artplan Prime, trocou o Estado por Santa Catarina. “Na verdade, troquei seis por meia dúzia, mas não podia deixar essa oportunidade passar”, diz em relação à saída da Símbolo.

Das experiências que teve, a passagem pela Artplan Prime merece destaque, pois lá a equipe entregou peças que obtiveram resultados criativos incríveis, conforme conta. Afora as conquistas com clientes, relata que o clima organizacional era maravilhoso, bem estruturado e os profissionais eram reconhecidos. Dessa fase, confessa que se inspira em Ricardo Bornhausen, então dono da agência na época, devido ao senso de gestão de pessoas que desenvolvia em um momento onde nem se cogitava falar disso.

Também em Santa Catarina, trabalhou na WG e Quadra, onde foi responsável, aos 28 anos, pela montagem do departamento de Criação. Com a solidificação e concretização da estruturação do setor criativo, aceitou o convite do Marketing do Grupo RBS catarinense para desenvolver alguns projetos, como ‘Escola Referência’ para estudantes de instituições públicas de ensino.

Diálogo coletivo

Com a saída de Cheffe da Integrada, Fernando não perdeu apenas um sócio, mas alguém com quem podia dividir as vitórias, refletir sobre as derrotas e, principalmente, conversar sobre o mercado. Da necessidade de ter com quem dialogar, organizou com representantes da Duplo e da SPR o Grupo de Médias e Pequenas Agências (GMPA), que também debatia sobre gestão, profissionais, clientes e avaliar possíveis caminhos e soluções. Os encontros eram regulares e vários proprietários de agências foram convidados.

Como as notícias voam, o Sindicato das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul (Sinapro-RS) entrou em contato com ele para ouvir as demandas do GMPA e compreender o que se objetivava com o coletivo. “A gente questionava muito a questão da tributação. Se o projeto for o mesmo, com a mesma equipe, as agências maiores têm nota fiscal com outro valor de tributo”, relatou aos presidentes da época do Sinapro-RS, Delmar Gentil; da Associação Brasileira das Agências de Propaganda (Abap), Miguel de Lucca; e da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), Fábio Bernardi.

Esclarecida a proposta, nesse meio-tempo, o publicitário e membro da diretoria do Sinapro-RS, Lairson Kunsler, faleceu. Os demais integrantes da gestão precisavam preencher a vaga, e lhe chamaram. “Aceitei e comecei a conviver e a levar o sindicato para dentro das ações do GMPA”. No ano passado, assumiu a presidência da entidade, com objetivo de unir o mercado, as empresas do setor e as agências. “Que a gente aprenda a fazer negócios e a unir Planejamento, Atendimento, Criação, Gráfica, Mídia e Digital”, deseja em relação à sua gestão.

Antes de tudo, família

Ao se desculpar pelo atraso na entrevista, justifica: “Estava acompanhando a banca de mestrado da Cris, que é médica”, explica, ao mencionar a esposa Cristiane Kopacek. Orgulhoso por compartilhar mais essa conquista da amada, não hesita em dizer que ela e seus filhos, Fernanda, de 8 anos, e Antônio Henrique, de 6, são prioridade em sua vida. “São tudo para mim e estão sempre em primeiro plano. Não importa o que aconteça.” Antes de se tornar pai, sempre planejou manter um vínculo forte. Não é à toa que se esforça para almoçar todos os dias com eles.

Acredita que isso se deve ao amor de juventude, que nasceu ainda enquanto morava no noroeste do Estado. O casal foi apresentado por amigos em comum, que hoje são seus compadres. “Eles nos apresentaram, mas não deu certo naquela vez. Porém, quando nos reaproximamos pelo Orkut tive a certeza de que era a mulher da minha vida.”

Aos 45 anos, faz questão de aprofundar as lições de casa, passar valores cristãos e influenciar nos gostos musicais dos filhos, visto que é apaixonado por música. Ele afirma que procura, constantemente, qualificar as conversas com a dupla. “A gente tem uma obrigação tão grande de apresentar coisas boas para eles. Tenho obrigação de mostrar hoje. No futuro, se decidirem mudar, OK”. Outra influência nos pequenos foi o amor pelo futebol e pelo Sport Club Internacional, do qual os quatro são associados.

Em paralelo às funções de ‘papa’, como os pequenos o chamam, lê livros e curte estar com os amigos. Das obras que lhe marcaram, destaca a biografia do músico Eric Clapton, que, inclusive, teve a oportunidade de montar toda campanha do último show do cantor em Porto Alegre, em 2011. “O cara é incrível e as músicas dele têm um significado especial para mim. Fiz tudo de graça”, conta. Ele justifica que ouvia muito na adolescência, e que quando reencontrou Cris, ela confessou que sempre se lembrava dele ao ouvir Clapton. “Isso é Comunicação e o quanto uma lembrança tua pode marcar outra pessoa.”

Satisfeito com a família que construiu, embora não plenamente realizado profissionalmente, Fernando ainda pensa em fazer mais uma graduação em Filosofia, Teologia ou Antropologia, em nível de conhecimento. Comenta que há dois anos pediu reingresso na PUC para Direito, mas desistiu porque teria pouco tempo para ficar com sua amada e as crianças. Isso se reflete na frase que, frequentemente, escreve nos grupos de WhatsApp. “Meus amigos até pegam no meu pé por causa disso, mas família é tudo. Só que tudo em caixa alta.”