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José Maurício Pires Alves: Relacionamento em foco

Publicitário por vocação, José Maurício Pires Alves liderou a área Comercial de algumas das principais empresas de Comunicação gaúchas e hoje conduz a consultoria Atalho
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Por Karen Vidaleti

De hábitos simples, bom humor e carisma inconfundível, José Maurício Pires Alves valoriza imensamente os laços construídos ao longo dos 80 anos de vida e das quase seis décadas de contribuição para o mercado de comunicação. Não por coincidência, foi na área de comercialização e relacionamento que se desenvolveu como profissional e, pode-se dizer, também deixou sua marca na Comunicação gaúcha. Atualmente, vivendo em São Paulo, ele dirige a consultoria Atalho – Soluções em Comunicação.

Mineiro, natural de Juiz de Fora, Zé – como todos o chamam – criou-se no Rio de Janeiro, de onde provêm traços do sotaque que guarda até hoje e também onde conquistou a primeira oportunidade de trabalho na comunicação. Corria 1958 quando ele, que desejava ser produtor de TV, convenceu o pai, José Pires Alves Júnior, um comerciante de boas relações, a arranjar uma reunião com Almeida Castro, então diretor-geral da TV Tupi, pertencente ao grupo Diários Associados. Queria aproveitar a experiência de produção e roteiro de teatro para as peças do Colégio Santo Antônio Maria Zaccaria. “Éramos obrigados a encenar peças para os outros alunos. Me formei e cheguei à conclusão que eu era um grande produtor”, relata, em tom divertido.

Em meio à conversa, no entanto, foi convencido que não tinha o necessário para o cargo, porém seguiu convicto em sair dali com algo. “E tem vaga para quê?”, insistiu, ao que acabou ganhado uma oportunidade como aprendiz de câmera. Quando o Diários Associados preparava-se para instalar emissoras na Bahia e no Rio Grande do Sul, Zé estava entre os profissionais que receberiam treinamento para colocar os canais no ar. Foi assim que chegou à capital gaúcha, integrando a equipe que colocaria no ar a TV Piratini. “Ia para ficar seis meses em Porto Alegre, vieram mais seis meses, mais seis e mais seis… acabou que fiquei 30 anos”.

Na emissora, permaneceu até abril de 1967, indo de assistente executivo a realizador de programas, diretor de produção e de TV, antes de receber um convite para trabalhar na agência McCann Erickson. “Na TV, tinha a Garota Propaganda, que eram comerciais feitos com meninas lindas, e eu tinha interesse nos dois artigos”, diz ao falar da aproximação com a Publicidade. Na McCann, atuou como redator por dois anos, até que foi convidado por Jayme Sirotsky a integrar uma espécie de agência interna, que estavam montando para a atender à Zero Hora e Rádio Gaúcha. A experiência, entretanto, não duraria muito. Logo, Salimen Jr. e Walmor Bergesch o fizeram trocar a Gaúcha por outro projeto, a implantação da TV Difusora, que se concretizou em outubro de 1969.

Negócios

O ciclo na Difusora, onde atuou como diretor-geral e diretor de Comercialização e Marketing, durou cerca de seis anos, encerrando-se com o retorno à Rádio e TV Gaúcha, onde assumiu a diretoria de Comercialização e Marketing. Desta vez, foram 25 anos intermediando as relações comerciais da empresa, período que inclui a liderança da Superintendência de Comercialização Nacional da RBS, em São Paulo. “A lei do Comercial é a relação pessoal”, assegura, ao contar que a proximidade e a amizade com executivos da Globo já ajudaram a apagar pequenos incêndios.

Com a aposentadoria pelo Grupo RBS já acordada com Nelson Sirotsky, recebeu de Johnny Saad a proposta para assumir o mesmo cargo na Rede Bandeirantes. “Havia acertado uma cláusula de que não poderia trabalhar com um concorrente. Então, precisei mostrar para o Nelson que a Band não concorria com a RBS”, explica. Foi assim que firmou com a rede de Saad um contrato com duração de cinco anos. “Cheguei cheio de amor para dar e descobri uma coisa interessante: eu não estava acostumado ao insucesso”, admite, ao narrar que as dificuldades encontradas nas vendas o fizeram desistir do contrato antes de seu encerramento.

Desde então, o trabalho segue através da Atalho, pela qual presta assessoria comercial, desenvolve projetos especiais e promove as relações empresariais na área de Comunicação. Em atividade desde 2000, a empresa atuou na instalação de sucursais do jornal Valor Econômico, no lançamento e comercialização de direitos de arena para a Globo Esportes no Sul, no reposicionamento das emissoras do Sistema Globo de Rádios no Rio Grande do Sul, na instalação e operação de sucursal nacional da empresa de mídia exterior Ativa, entre outros projetos.

A dedicação a entidades de comunicação também faz parte da carreira. No Rio Grande do Sul, foi diretor da ADVB e da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), pela qual recebeu o título de Publicitário do Ano em 1981. Ainda integrou o Conselho Superior do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), do qual hoje é membro da 8ª Câmara de Ética; e presidiu a Associação dos Profissionais de Propaganda (APP Brasil), onde atualmente é diretor Cultural.

Das origens

Nascido em 23 de junho de 1936, chegou ao Rio de Janeiro com os pais, José Pires Alves Júnior e Luzia Palmyra Falci Alves, nos primeiros anos de vida. Entre as lembranças de menino, o irmão de Maria Helena e Jorge Roberto Falci Alves mantém preservada na memória a oportunidade de assistir à partida final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã, com um dos 16 ingressos que a família ganhou de última hora. “Uma semana antes, não tinha mais ingressos. Então, ninguém acreditava que fossem verdadeiros”, recorda.

Um desejo de infância, ser médico, foi aos poucos afastado pela reprovação na única escola pública local que oferecia formação na área, junto da impossibilidade em arcar com os custos do ensino privado. Mais tarde, descobriu um posto em que se trabalhava pouco, cerca de três horas, e se tinha um bom salário. Era a radiologia, função que também chegou a desempenhar em Porto Alegre, no Sindicado dos Bancários. “Fiquei seis meses lá e desisti, mas me marcou também.”

Já na Comunicação, a formação foi adquirida no próprio mercado de trabalho, para o qual também levou muitos dos ensinamentos do pai, como, por exemplo, o valor dos relacionamentos. “Meu pai era um cara muito sério, mas muito presente”, afirma. Casado há dois anos com Maria da Graça Corrêa Alves, tem três filhas do primeiro matrimônio: a psicóloga Andrea Philbert Alves, a nutricionista Fernanda Philbert Alves e a corretora de imóveis Claudia Philbert Alves. Do trio, Zé não esconde o orgulho. Enquanto Fernanda e Claudia experimentaram a Publicidade antes de rumarem para as profissões atuais, Andrea integra, atualmente, o time de colunistas do Diário Gaúcho, do Grupo RBS.

Sempre em frente

Depois dos anos em que aproveitou o Carnaval no Rio de Janeiro, desfilando pela Beija-flor, a música brasileira mantém-se como aquela que mais agrada aos ouvidos. Para assistir, tem preferência por documentários de canais como History e H2, além de noticiosos como Jornal Nacional. Nos anos em que viveu em Porto Alegre, adotou o Internacional como time do coração e ainda hoje exibe a camisa colorada pelas ruas da capital paulista, mesmo que admita se sentir em desvantagem frente ao número de gremistas por lá. Já as leituras abrangem obras de ficção, enquanto os assuntos de economia têm sido evitados pela carga negativa. Mesmo assim, se mostra confiante: “2017 é o ano que marca o reinício do crescimento econômico”.

O lazer é desfrutado ao lado da família e dos amigos, seja com uma feijoada na tarde de sábado ou um churrasco de domingo. Conta que, há 20 anos, integra um grupo de amigos que se encontra a cada dois meses para uma tarde de descontração, com uma restrição: falar de trabalho é proibido. “Vinte anos atrás, 16 profissionais receberam uma convocação para um grupo, que tinha a ambição de reunir 100 amigos, sem falar de negócios. Hoje, são 50 amigos muito unidos.”

No dia a dia, a leitura de jornais como Folha de S.Paulo e Estadão precede a rotina de trabalho, visitas e reuniões. Depois de muito tempo mantendo um escritório próprio em sala comercial, toda a estrutura que precisa foi realocada em uma das suítes do apartamento em que vive, no bairro Morumbi. Entre os projetos atuais estão o plano de comercialização para os 80 anos da APP Brasil. Ao falar da forma como leva a vida, é enfático: “Sou contra me queixar”. Nem mesmo os engarrafamentos da Terra da garoa são capazes de mudar esse entendimento. Para esses momentos, arranjou uma utilidade e distração: refletir sobre os comentários para o espaço que mantém há oito anos na Agência Radioweb. “Engarrafamento, para mim, é barbada”, sintetiza.

Da trajetória, guarda referências de figuras como Washington Olivetto, Roberto Duailibi, Maurício e Jayme Sirotsky. “Maurício era um cara com muita visão de futuro. Maurício era prático, objetivo, e formava uma dupla maravilhosa com Jayme”, reforça. Sem a intenção de afastar-se do dia a dia de trabalho, Zé analisa as intensas mudanças na Comunicação;  enfatiza a importância da verdade, da qualidade, da tradição e da credibilidade; e faz planos para a Atalho. “Não costumo pensar muito atrás. Sou um otimista! A comunicação mudou muito e os meios de comunicação vão ter muitas oportunidades de se adaptar à conectividade e mídia digital.” Independentemente do que o futuro reserva, crê que o relacionamento sempre terá papel crucial. “O mundo é da venda. E o meu forte é a relação”, finaliza.