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Eduarda Streb: Uma pequena gigante

Determinada a seguir na carreira de Jornalismo, Eduarda Streb distribui mais de 20 anos de profissão em seu 1,58m de altura
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Duda Streb | Crédito: Dionathan Santos

Duda Streb | Crédito: Dionathan Santos

Por Gabriela Boesel

Quem vê Eduarda Streb de perto não imagina que, na juventude, ela se aventurou nas quadras de vôlei, basquete e, claro, futebol. Apaixonada por esporte desde criança, os 1,58m de altura nunca foram um empecilho na hora de jogar, e, mais tarde, nem no momento de encarar os desafios da profissão. Baixinha e miúda, Duda, como é mais conhecida, se mostrava uma gigante nas telas da TV, por onde os telespectadores de todo o Brasil a acompanharam durante 20 anos.

Natural de Porto Alegre, ela conheceu o mundo graças às exigências da carreira. China, Dubai, Espanha e Itália são só alguns dos carimbos no passaporte, todos conquistados ao acompanhar delegações e atletas brasileiros em competições mundo afora. Experiências que, além de agregar no exercício da profissão, lhe conferiram milhões de histórias curiosas e lembranças que carregará para sempre na memória.

Aficionada pelo que faz, garante que jamais seguiria em uma profissão diferente, embora outro desejo tenha povoado sua imaginação na infância. “Já pensei em ser aeromoça, mas mais pelo fato de viver viajando”, recorda. Os rumos na carreira até tomaram caminhos distintos, mas não de forma drástica. Ainda jornalista, Duda decidiu alçar outros voos e deixou as câmeras para se aventurar no mundo de empresária. Hoje, comanda a Duda Streb Consultoria e Assessoria de Conteúdo e Eventos.

Letras que fascinam

“Sempre gostei de escrever.” Essa é a explicação de Duda quando a pergunta é ‘Por que Jornalismo?’. Ela complementa que as letras chamavam sua atenção e conta uma história de infância que dá ainda mais sentido à escolha. “Meu pai tinha uma máquina de escrever e eu passava a limpo os meus livrinhos de criança. Então veio a TV e, quando me dei conta, estava brincando com a escova de cabelo na frente do espelho imitando repórter”, recorda, divertindo-se.

Formada pela Famecos, da PUC, diz que a escolha por Jornalismo foi natural, embora não tenha de onde puxar o gosto pela área de humanas, visto que a mãe, Vera Suzana, hoje aposentada, trabalhava com administração hospitalar, e o pai, Carlos Alberto, já falecido, era médico. Talvez tenha visto na irmã mais velha, a relações-públicas Cristina, um exemplo, já que o irmão caçula, Guilherme, também não seguiu o mesmo caminho e se graduou em Artes Plásticas.

Mesmo sem saber de onde veio o encanto, está convicta de que fez a melhor escolha, tanto que até hoje colhe os frutos de duas décadas de RBS TV. Eternamente conhecida como a Duda da TV, ela afirma que as experiências foram únicas, mas que agora quer ser lembrada como a Duda empresária. “Eu mudei e está sendo maravilhoso”, assegura.

A razão de tudo

Resposta fácil para essa afirmativa: Luiza. A pequena de seis anos foi a grande surpresa da vida de Duda, que deu à luz aos 37 anos. “Sempre quis ser mãe, mas mãe repórter não funciona”, defende. E o dia da grande escolha chegou. Por Luiza, Duda abriu mão de uma vaga de correspondente em Nova Iorque, e tem certeza de que não faria diferente. “Eu estava na SporTV, no Rio, com a Luiza pequena, quando decidi voltar para casa”, relembra, ao contar que o então diretor Raul Costa Júnior, da Globo, insistiu para que ela ficasse, com a promessa de enviá-la para os Estados Unidos. “Foi o meu primeiro ‘não’. Eu escolhi a Luiza e, a partir dali, eu estava mudando. Foi o ‘não’ que me tornou diferente.”

Embora surpreendida com a chegada da filha, Duda garante que foi a maior e a melhor conquista de sua vida. Simplesmente apaixonada por Luiza, os olhos se enchem de lágrimas quando a conversa puxa para o lado pessoal. “A gente é muito cúmplice, grudada, chiclete. Ela é muito especial”, fala, emocionada. Alguns acontecimentos foram cruciais para o primeiro não que seria seguido de outros tantos, até a definição de deixar a TV.

Foi na cobertura da Copa América na Argentina, quando Duda ficou 40 dias no país vizinho. “Quando eu voltei, ela estava caminhando, e eu não vi seus primeiros passos. Essas coisas começaram a me doer. Enquanto repórter, eu tinha as melhores oportunidades na carreira, mas eu não vi minha filha andar”, lamenta. Para encarar a vida nada rotineira de jornalista repórter, também se viu obrigada a desmamar a pequena com oito meses para encarar uma viagem a Abu Dhabi. Foi então que começou a repensar tudo.

Após deixar a SporTV, voltou a Porto Alegre em 2012, para o seu porto seguro, como chama, onde permaneceu por mais quatro anos na RBS TV, até se desligar completamente em 2016. “Tive apoio de muita gente que me ajudou a segurar essa barra para eu conseguir tocar minha profissão. Foi quando eu disse que queria me dedicar ao papel de mãe da Luiza”, diz, mantendo a convicção de que fez a escolha certa.

A mãe solteira conta com a parceria do ex-namorado e pai da Luiza, o administrador carioca Otávio. A separação aconteceu quando Duda ainda estava morando no Rio de Janeiro e a razão, como não seria diferente, foi o trabalho. “Pela minha profissão eu abri mão de muita coisa, inclusive na vida amorosa”, explica, e completa: “É difícil também para os homens, que não entendem essa vida maluca de repórter. Eu viajava muito e, por trabalhar com esporte, convivi muito no mundo masculino. Difícil de acompanhar”, justifica.

Tudo é conhecimento

A primeira oportunidade de trabalho surgiu cedo, ainda na faculdade. Foi quando um professor a convidou para assumir a vaga de diagramadora do jornal Zero Hora. “Não perco as oportunidades. Eu abraço tudo, porque tudo é conhecimento e bagagem”, assegura. Depois de entrar no Grupo RBS, as portas foram se abrindo e a profissional se moldando ao mundo do jornalismo. Se faltava repórter na redação, era Duda quem se candidatava. Se não tinha ninguém para cobrir os finais de semana, lá estava ela, disponível. Até que foi deixando a diagramação e começou a assinar suas matérias.

A extinta TVCom foi a chance para entrar na TV. Quando a emissora foi implantada, em 1995, Duda fez logo um teste de vídeo. Daí em diante, todos sabem, foi para a RBS TV e não parou mais. “Sempre dei muito valor a cada conquista. Aproveitei todas as oportunidades até chegar aonde queria.” Chegar no esporte também foi natural, já que o gosto pelos jogos sempre esteve presente na vida pessoal. Após trabalhar na editoria Geral, assumiu no lugar de Marjana Vargas.

Dentre as curiosidades destes 20 anos de carreira, relembra algumas aventuras que marcaram. O fato de ser a única mulher em meio aos homens lhe rendeu algumas histórias engraçadas, como quando foi para a China, na cobertura da Olimpíada de Pequim, em 2008. “Comprei tanta coisa para mim e para todas as mulheres da família que teve que comprar uma mala extra”, recorda. Mas a parte cômica foi no aeroporto, quando, impedida de despachar seus pertences por excesso de bagagem, precisou desfazer a mala e passar alguns itens para uma caixa de papelão.

Outra lembrança é da maratona aquática em Dubai, em 2011, quando recém havia descoberto a gravidez. Chegando no destino, contou aos colegas de reportagem sobre sua condição e pediu a parceria de todos. “Estejam comigo nesse momento”, pediu. O barco mexia tanto que Duda pensou: ‘se eu não enjoar aqui, nunca mais enjoo na gravidez’. “Dito e feito. Não passei mal nos nove meses seguintes. Acho que foi um tratamento de choque”, diverte-se.

As coberturas dos jogos de Inter e Grêmio também merecem destaque. Muitos foram os momentos memoráveis, mas também não faltam registros de confusões. “Já fugi de muita encrenca.” Uma delas lhe rendeu um polegar torto até hoje. Resultado de pedrada que tomou em um clássico entre os dois times. E falando em Gre-Nal… Não adianta, por mais que se insista, Duda não revela seu time do coração. Sobre o assunto, limita-se a dizer: “Não sei. Acho que esqueci”, brinca.

Uma nova batida

Longe da correria, garante que, hoje, vive uma vida mais ‘normal’. À frente da assessoria, assegura, também, que ainda não deu tempo de sentir falta da antiga função, já que segue no vídeo, agora no seu canal do YouTube, e no esporte, pois atende a jogadores e atletas de diversas modalidades. Também dá seus pitacos esportivos na rádio Maisnova, de Caxias do Sul.

Entretanto, esses 20 anos de repórter abriram uma lacuna em alguns aspectos. Em razão da correria, Duda não teve tempo de se dedicar aos afazeres caseiros. Cozinhar, por exemplo, é uma nova descoberta. “Sou péssima”, confessa, aos risos. “Estou aprendendo uma nova vida aos 44 anos.”

Cuidar da saúde também está nos planos da ‘nova Duda’. “Antes, eu me cuidava para aparecer bem na TV. Agora, quero cuidar de mim para mim mesma”, ressalta. Solteira, a vida amorosa também entra na lista, pois já considera uma vida a dois. “Agora me sinto mais inteira para organizar isso”, alerta.

Católica por influência da família, não frequenta a igreja, mas gosta de manter o hábito de rezar todas as noites junto com a Luiza. “Agradeço mais do que peço”, pontua. Na cabeceira, as biografias de André Agassi e Guga Kuerten seguem intactas, já que a nova fase de adaptação ainda prevalece. “Não encontro tempo, menina! Quando chego em casa, ponho a Luiza para dormir, faço minhas coisas e, de noite, parece que um caminhão passou por cima de mim. Desmaio”, justifica. Já em matéria de cinema, diz que, em função da pequena, os infantis têm entrado no repertório.

O hábito de ouvir e assistir a programas esportivos segue vivo no seu dia a dia. Mesmo quando não precisa, a rádio está sintonizada na Gaúcha e a TV ligada nos canais especializados no assunto.

Desligada por natureza, o defeito foi confirmado pela irmã, que falou ao telefone durante o bate-papo e disse que Duda vive no mundo da lua. Já no quesito qualidade, acredita ser uma pessoa do bem, com pensamento positivo e uma otimista irreparável. “Eu acordo e durmo feliz. Não vejo o problema, vejo a solução.” E também se autodefine guerreira, pois garante que não fraqueja e vai até o final. “Posso ir chorando, mas vou e não olho para trás.”