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Zento Kulczynski: O homem do relacionamento

À frente do Canal 20, desde 2015, o relações-públicas Zento Kulczynski nem imagina como seria sua vida se não trabalhasse com Comunicação
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Zento | Divulgação/Coletiva

Zento | Divulgação/Coletiva

Por Gabriele Lorscheiter

À frente do Canal 20 desde 2015, José Antônio Grandini Kuhn Kulczynski Júnior, mais conhecido como Zento, se mostra inicialmente tímido, mas a tensão logo dá espaço a um bate-papo bem-humorado. Em seu currículo, acumula experiências importantes que o levaram a assumir o desafio de comandar um canal de televisão.

A identificação com o ato de comunicar vem da infância quando tinha o rádio, a televisão e o jornal como seus melhores amigos. “Dormia com o rádio embaixo do travesseiro. Teve uma época que a Bandeirantes transmitia os treinos da Seleção Brasileira de futebol e lembro-me de pegar minha máquina de escrever para fazer comentários. Ao acordar, a primeira coisa que fazia era pegar o jornal para ler as notícias e, na televisão, o que me atraía eram o futebol e as novelas, pois era apaixonado pelas tramas”, conta, empolgado.

Por indicação de um amigo e influenciado pelo irmão, Zento iniciou sua trajetória profissional aos 14 anos como Menor Praticante, no extinto Banco Real. Por orientação da capacitação, o jovem tinha que passar por todos os setores da empresa como forma de aprendizado, e a atividade que mais o encantou foi estar em contato com o cliente. Atuou no banco por quatro anos e, aos 18, saiu para se dedicar aos estudos para o vestibular da Ufrgs.

Nascido em uma família composta por oito dentistas, entre eles o pai José Antônio, e o irmão mais velho Álvaro, ambos já falecidos, tudo indicava que seguiria a tradição. “Ainda criança, acompanhava meu pai no consultório e acreditava que estava propenso a percorrer o caminho da família”, diz. Porém, após tentar quatro vezes o vestibular para Odontologia, algo mostrou que isso não era o que queria. Como segunda opção, inscreveu-se em Relações Públicas na Ulbra, graduação na qual concluiu em 1996.

Relação com a Net

Foi na faculdade que a história de Zento com a Net começou, por influência do professor Max Rosemberg Lacher, que, atualmente, é diretor da ESPM-Sul. Ele lhe indicou para uma vaga de estágio na companhia. “Fui o primeiro estagiário de relações-públicas da Net e, em 1993, duas semanas antes da operação começar em Porto Alegre, fui efetivado”, revela, orgulhoso.

Além da área de RP, Zento passou pelos setores de Marketing e Programação, que lhe deu a oportunidade de trabalhar na Operação do Canal 20, época que o publicitário lembra com carinho. “A Net transmitia os jogos do Campeonato Gaúcho e, uma ou duas vezes por semana, eu organizava uma equipe para cobrir os jogos. Tive a oportunidade de trabalhar com comunicadores como Marco Antônio Pereira e Cléber Grabauska que, na infância, eram meus ídolos”, comenta. Zento também destaca a amizade que fez com o radialista Darci Filho, e com o técnico de futebol Cláudio Duarte.

Outro momento importante de sua carreira na Net foi a criação de um evento de estreia do Campeonato Brasileiro de futebol, no canal Premiere, direcionado para a imprensa. “Posso afirmar que a ação foi um divisor de águas na comunicação esportiva do Estado. Há 15 anos, reunimos do produtor ao diretor de cada emissora para uma confraternização. Nada de entrega de release. Todos eram convidados para um momento de lazer com uma boa comida, banda e jogos de fla-flu e botão”, recorda. “Ainda lembro quando Luiz Carlos Reche, que, na época, estava na Rádio Guaíba, falou: ‘pensei 10 vezes antes de aceitar o convite e entrar numa empresa do Grupo RBS’”.

Na cara e na coragem

Após deixar a empresa, em 2001, foi convidado para trabalhar no novo setor de Marketing Esportivo criado pela RBS Interativa, antigo braço do Grupo RBS, juntamente com Roberto Pauletti, atual diretor do Grupo Sinos SA. Naquela época, a organização já não fazia mais parte do grupo, mas a parceria entre ambas continuou. Após um ano, a área foi extinta, e surgiu a oportunidade do relações-públicas ir para o setor de eventos da RBS. Entretanto, era o momento de escrever uma nova história. “Decidi que era a hora de empreender, de passar de funcionário para gestor do meu próprio negócio. Em 2003, sozinho, na cara e na coragem, montei a Zentocom Comunicação Integrada”, enfatiza.

A ligação com o esporte, tanto na vida profissional, quanto na pessoal – sempre jogou basquete, tênis e futebol – levou Zento a focar na assessoria esportiva. O primeiro trabalho foi para um campeonato de Bodyboard em Arroio do Sal. “Durante um dia inteiro tive que ficar atrás do cliente para, no final, receber um valor irrisório. Na época, já tinha filhos e percebi que atender apenas a um nicho não era uma estratégia competitiva”, analisa.

Após três meses, José Antônio Félix, na época presidente da Net e, atualmente, presidente do grupo América Móvil no Brasil, que opera no País com as marcas Claro, NET e Embratel, solicitou para Mara Baraldo, então gerente de Marketing da Net, que chamasse Zento para uma conversa. “Fui chamado para fazer a assessoria local da empresa. Desde então, renovei meus laços com a Net. Não adianta, está no meu DNA”, alega.

Em 2005, com o crescimento, a Zentocom ganhou Aline Ferreira, sócia e esposa, com quem é casado há 18 anos. Ela chegou para realizar a gestão e auxiliar na prospecção de clientes. Pedagoga por formação, Aline tinha experiência acumulada na área da educação, fato que ajudou a conquistar marcas como o colégio Bom Conselho e a Fapa, antes da venda para o grupo Laureate.

Zento também foi diretor de Marketing do Grêmio, em 2006. Entretanto, por ser seu time do coração, não pôde ficar no cargo por muito tempo. “Fui convidado pelo então diretor Flávio Paiva. Meu trabalho é movido pelo relacionamento e, apesar de ser viciado no time, optei por deixar o posto para não comprometer os negócios” revela.

Com foco no bom relacionamento, zelar pela reputação dos clientes é sua prioridade. Um caso marcante foi o combate entre a Net e o cronista Paulo Sant’Ana. Após a publicação de seguidas colunas, nas quais o cronista relatava problemas com a companhia, foi definido um plano de ação para reverter a situação. “Passamos uma tarde inteira com o Paulo Sant’Ana, e no outro dia sua coluna falava que a atitude tinha sido uma aula de assessoria de imprensa. Meu nome foi citado no texto, por isso guardo o jornal até hoje”, recorda.

Apelido de infância

Zento ganhou o apelido ainda na infância, quando seu melhor amigo começou a chamá-lo desta forma. Mal sabiam eles que o seria tão forte a ponto de se tornar um ‘novo nome’. “Não sei exatamente o motivo que levou o meu amigo a me chamar assim. Acho que ele foi diminuindo meu nome até formar Zento. Ele era o único que me chamava desse jeito, mas logo outros amigos também aderiram à proposta”, relata.

Logo que assumiu a assessoria da Net, teve a certeza que o nome traria sorte e sucesso para o negócio. “Quando entrava em contato com pessoas ligadas à Net, me apresentava como José Antônio, porém não me reconheciam. Quando falava Zento, ficava tudo mais claro. Tive que dar o braço a torcer e batizei a agência com o meu apelido”, conta.

Prestes a completar 47 anos, o gremista de coração já se acostumou com a ideia de dividir a casa com duas coloradas, a esposa e a filha Laura, de 13 anos. Do lado dele, está o filho Vitor, que é gêmeo de Laura. “Lá em casa, os meninos são gremistas e as meninas coloradas. Estamos sempre juntos nos jogos com torcida mista”, brinca. Aliás, Zento preza muito estar com a família e, mesmo com a correria diária, não abre mão de reuni-los em, pelo menos, uma das refeições.

Entre atividades físicas e lazer com os amigos e familiares, prefere a segunda opção. Há pouco tempo retomou o hábito de ler. No momento divide sua leitura entre as obras ‘Conversas Difíceis’, dos autores Douglas Stone, Bruce Patton e Sheila Henn; e ‘Ainda Estou Aqui’, de Marcelo Rubens Paiva.

O filho mais novo da professora aposentada Zélia Noêmia se vê como um verdadeiro diplomata. “Prezo pelo bom senso sempre, busco ajudar e oferecer a todos que estão ao meu lado o melhor de mim. Minha maior conquista são os bons relacionamentos que fiz ao longo da minha trajetória”, acredita.