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Sérgio Cóssio: Virando o jogo

Virginiano e perfeccionista, Sérgio Cóssio deixou um legado por onde passou e prova que entende tudo de reviravoltas
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Sérgio Cóssio | Divulgação/Band RS

Por Gabriela Boesel

Da infância vivida em Bagé, Sérgio Cóssio lembra como se fosse ontem. Conta, com detalhes, dos momentos em que circulava pelas dependências do Hotel do Comércio, onde morou dos oito aos 18 anos. “Me criei naquela loucura, com pai e mãe trabalhando 24 horas por dia. Eu fiz miséria, desde andar de skate pelos corredores até quebrar vidro”, recorda, entusiasmado. Antes, foi nas redondezas da avenida Azenha, em Porto Alegre, que o diretor-geral da Band RS deu os primeiros passos, sempre ao lado da família, que vivia em peso na região. Nem a casa de veraneio em Belém Novo fica de fora do relato divertido dos tempos vividos na década de 1970.

Formado em Ciências Contábeis, em Caxias do Sul, e com passagem pelo curso de Direito, em Bagé, foi na Comunicação, mais especificamente no Comercial de empresas de mídia, que Cóssio se encontrou enquanto profissional. Atualmente, sente-se realizado e certo de que deixou um legado por onde passou. “É como coroar uma carreira de crescimento, com frio na barriga e aprendizagem”, especifica, e acrescenta que a função que assumiu em janeiro casou, também, com a questão pessoal de voltar a Porto Alegre. “A forma como estou reencontrando as pessoas é como se nunca tivesse saído daqui.”

Reviravoltas

É com a frase “eu não estou aqui por acaso” que Cóssio se posiciona quando o assunto é viver. Para ele, tudo tem uma explicação, seja lógica ou espiritual. “Podia ser qualquer outro aqui, mas sou eu. E por que eu?”, questiona, ao contar, sem esconder a surpresa, a forma como chegou onde está.

Foi por indicação de João Carlos Bordin que, na época, atuava na Band em Joaçaba, em Santa Catarina, e atualmente é representante da família Saad em nível nacional, que Cóssio conquistou o cargo que ocupa hoje. Ambos se conheceram no município catarinense, quando o gaúcho foi chamado para implantar a RBS TV no local. “Nós, de todos os veículos, tínhamos uma relação muito respeitosa”, salienta, ao explicar a amizade.

Para a indicação, foram levadas em conta todas as experiências e vivências do executivo, que envolveram as reviravoltas em algumas praças da RBS. Na lista, evidencia o trabalho realizado na afiliada em Chapecó. “Na época, a RBS TV ocupava a última posição do ranking. Em questão de dois anos, ela estava em primeiro”, recorda, humildemente.

Nos 16 anos dedicados à organização midiática, Cóssio também virou o jogo em outras sedes. Ao longo desse período, assumiu o desafio de não deixar a TV e as rádios de Joinville despencarem na audiência. Mesmo apaixonado e adaptado na cidade, foi chamado para gerenciar uma operação que envolvia as rádios transmitidas no estado, com foco em separá-las do Rio Grande do Sul. Foi, então, que levou a família para Florianópolis, onde ficou os nove meses seguintes.

Da capital barriga verde, voltou para o interior, onde liderou uma operação de resgate da emissora em Lages, em 2009. E, após estas idas e vindas, foi em fevereiro de 2012 que decidiu mudar de vida. “Enxugaram as funções de gestores e os executivos tinham que assumi-las. Queriam que eu acumulasse todas as sucursais. Resolvi encerrar o ciclo”, sintetiza.

Período sabático? Que nada!

Trinta dias. Este foi o período sabático que Cóssio conseguiu tirar após deixar a RBS. Era o tempo que queria dedicar à família, que lhe acompanhou sem hesitar em todas as mudanças a trabalho. “Se não fosse minha esposa, eu não estaria aqui conversando, pois não teria saído de Bagé”, fala, orgulhoso da companheira Rúbia, com quem divide a vida há 30 anos. “Baita parceira, uma guerreira. Espetacular como mãe, esposa e pessoa. Costumo dizer que ganhei na megasena várias vezes, e acumulada! Para aguentar a mim e a esse ritmo, só ela mesmo”, declara.

Por dois anos integrou a equipe do Grupo SCC – afiliada do SBT em Santa Catarina – como diretor de Mercado Nacional, até ser convidado para ser diretor-geral da Band RS. Companheira das mudanças e incentivadora das novidades, Rúbia, junto com os filhos, está pronta para se juntar a Cóssio em Porto Alegre. “Apesar de que quase não tenho tempo, pois o trabalho aqui é intenso, está sendo difícil ficar longe deles”, confessou a saudade dos pequenos Nícolas, de três anos, e Isadora, de cinco, que ainda estão em Florianópolis.

Da união, também nasceram Analise, psicóloga, que já tem 28 anos, e Vinicius, de 21, que estuda Gastronomia. “Ninguém acredita quando conto que tive os pequenos depois de tanto tempo e com a mesma esposa”, fala, divertido e, ao mesmo tempo, envaidecido. “Aqui em casa não vai ter síndrome do ninho vazio.”

Virando a chave

As reviravoltas também envolveram a vida pessoal. Com a morte do pai, Jacinto Ilha Cóssio, o executivo se viu obrigado a amadurecer rapidamente. “Foi um período difícil, um choque. Passei de guri para homem em questão de seis meses. Virei a chave”, recorda. O jovem, que tinha os estudos como preocupação, precisou encarar a responsabilidade e buscar trabalho. “Gastamos todas as nossas despesas no tratamento do meu pai, que tinha câncer”, explica, ao lembrar que, na época, a família, que não tinha plano de saúde, investiu em cirurgias e medicação. “O filho de classe média se viu encarando o mercado de trabalho em meio aos estudos, e segurando a barra daquela situação”, lamenta.

Trabalhou em revenda de carro e gerenciou lojas até que se encontrou na Comunicação. Foi em 1995, por intermédio de uma consultoria que prestou para um jornal de Bagé, que o chamaram para assumir o setor Comercial no veículo. Depois de nove meses, os excelentes resultados do impresso chamaram a atenção do Grupo RBS, que convidou Cóssio para liderar as emissoras de TV da afiliada da Rede Globo em Uruguaiana e, mais tarde, em Bagé.

Mesmo longe, sempre perto

Família, para ele, é sinônimo de união. A explicação é simples: como o pai, que era comerciante, viajava com frequência, a mãe, Carmem Francisca, sempre preservou a convivência dos cinco filhos. Como a mãe faleceu poucos anos depois do pai, Cóssio abraçou a função de unir os parentes e, mesmo longe, sempre fez questão de estar por perto.

Inquieto e exigente, aplica as qualidades também em casa, na educação dos filhos. “Sou aquele pai que puxa a orelha, mas que também ajuda e dá força”, garante. Considerado por ele mesmo um cara simples, sincero e sem frescura, carrega, desde sempre, os ensinamentos que aprendeu com a mãe, de respeitar a todos da mesma forma. “Do mais rico ao mais pobre. Não é pela função ou questão educacional e financeira que as pessoas são melhores ou piores”, defende.

Das manias e hobbies, colecionar é a número um da lista. Mais de 500 LPs fazem parte da decoração da casa, e alimentam a paixão de Cóssio por rock. “Sou daquele que faz todo o ritual: limpo, vou a feiras, até viajo para fazer garimpagem”, conta, e revela sua fissura na banda Pink Floyd, da qual tem todos os álbuns. “Tudo o que tu imaginas deles eu tenho.” Das lembranças mais preciosas, está o show de David Gilmour na Arena do Grêmio: “Fiquei catatônico”.

Filmes também integram a lista de coleções. Cinéfilo declarado, tem uma paixão especial por documentários de história ou que retratam a vida de personalidades. DVDs e box dos clássicos do cinema, a exemplo de Francis Ford Coppola, dividem a estante com os vinis. Na literatura, confessa que deu um tempo nos livros técnicos, pois já consumiu tudo sobre gestão, qualidade total e modelos de negócios. Ultimamente, tem investido em obras mais leves, como as de Augusto Cury e do norte-americano Robin Cook, que segue a linha da verdade/ficção. Tem todos os números das revistas Superinteressante e Quatro Rodas, das quais preserva a assinatura física mesmo tendo a digital. “É um desperdício de dinheiro absurdo, mas eu gosto de folhear o papel”, admite.

Válvula de escape

Somado aos hobbies, estão as viagens. “É minha válvula de escape.” Destaca o último passeio, que teve como destino Portugal, para onde foi acompanhar a apresentação da dissertação de mestrado da primogênita. “Voltei extasiado, mordendo parede”, brinca.

A prática de exercícios físicos, apesar de agora não ser frequente, é uma que quer retomar quando as coisas se ajeitarem com a mudança. “Gosto de caminhada, e é importante para equilibrar com o garfo.” A explicação é o vício em comida italiana, mais especificamente galeto com massa, tortéi e polenta, “como um bom gringo”. Churrasco também faz parte das preferências e que, aliás, é a única refeição que se aventura a preparar. “O que me prejudica muito é ter uma esposa que sabe tudo e faz com perfeição. Não ouso botar a mão. Ela é magnífica em todos os aspectos”, derrete-se.

É católico de batismo, mas diz que trafega por todas as religiões. Carrega o terço, faz passeios religiosos e acredita que o importante é ter uma fé. Argumenta que se sente bem em qualquer lugar espiritualizado. “Tem que ter algo a mais, uma espiritualidade, uma energia nos move. Seria prepotência achar que somos somente nós aqui em corpo físico”, expõe.

Para ele, as pessoas devem ajudar umas às outras, e a melhor forma de fazê-lo é no silêncio, na atitude, com base no altruísmo, sem esperar recompensa. “Essa é a fé que eu tenho. Não me apego a rituais. Não é porque vou à missa que estou salvo, ou porque rezo que estou autorizado a fazer coisas erradas. É preciso praticar fé e religião no dia a dia.”