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Simone Santos: Feita para a tela

Apresentadora de voz firme, Simone Santos pensou muitas vezes em desistir da carreira
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Simone Santos | Divulgação

Por Gabriele Lorscheiter

Poucos minutos são suficientes para descrever a jornalista Simone Santos como uma mulher vaidosa. À primeira vista, o cabelo com bobes indica que a apresentadora da TV Record RS se prepara para encarar as câmeras. Em direção ao camarim, para finalizar a maquiagem, foi preciso passar pela redação, e é nesse momento que, de forma muito carinhosa, faz questão de apresentar cada colega.

Natural de Caxias do Sul, Simone é a mais nova de oito irmãos, sendo três homens e cinco mulheres. “Sou a caçula, caçula mesmo, a rapa do tacho. Nasci 10 anos após a minha irmã mais nova, hoje estou com 41. Os mais velhos já não moravam com meus pais, então meus companheiros de brincadeiras foram meus sobrinhos”, recorda. Ao falar da família e da infância, os olhos se enchem de lágrimas e a emoção vem à tona. “Éramos muito pobres. Enfrentamos muitas dificuldades, mas essa condição não foi empecilho para estudar”, lembra.

A voz forte e a suave forma de gesticular se explicam quando fala sobre a participação no coro da igreja e nos grupos de teatro que frequentou até os 25 anos. Com pais católicos praticantes, o altar seria o primeiro sinal da profissão a seguir. “Sempre amei cantar. Permaneci no coro até entrar na faculdade. Foi lá que escutei pela primeira vez que minha voz era bonita. O padre me elogiava muito e disse que deveria fazer Jornalismo para trabalhar em rádio. Nem dei bola, pois não me imaginava fazendo isso”, conta.

Ainda na escola, começou a frequentar grupos de teatro. Por todo lugar que passou, emprego e faculdade, a prática da atuação permaneceu. Quando trabalhou no Hospital Pompéia, de Caxias do Sul, teve a oportunidade de participar de uma competição, na qual foi escolhida melhor atriz. “Guardo o troféu até hoje. O teatro ajudou a me desinibir, a impostar a voz e a lidar com a plateia. Quando fui trabalhar na TV, já não tinha aquele pavor de todo iniciante”, afirma.

Jornalismo, será?!

A dúvida do que estudar perseguiu Simone até mesmo quando decidiu fazer Jornalismo. Após terminar o segundo grau, começou a procurar emprego, mas para uma jovem de 17 anos, sem experiência, era tarefa difícil. Em conversa com uma amiga do coral, que era estudante de Enfermagem, foi aconselhada a fazer curso técnico na área, assim garantiria renda para pagar a faculdade. Concordou e, por isso, trabalhou no Hospital Pompéia por quase uma década.

Durante este período, prestou vestibular para Direito, na Universidade de Caxias do Sul (UCS), passou, mas não quis cursar. Para acompanhar uma grande amiga, resolveu fazer Serviço Social: “Detestei, mas mesmo assim fiz seis semestres. Tudo isso só para não me separar dela. Coisa de gente imatura”, comenta. O vai e vem não parou por aí. A volta para o Direito rendeu três semestres dispensados. Na época, a bolsa de estudos que ganhara logo que passou no vestibular permitia somente mais uma troca.

Veio a ideia de fazer Artes Cênicas, porém só a Ufrgs oferecia o curso. “Imagina para a minha mãe, a caçula vindo sozinha para a Capital… Não havia nenhuma possibilidade. Como era a única filha em casa, meus pais já bem idosos, minha mãe doente, pensei bem e resolvi que o ideal era ficar”, explica.

A partir disso, aquela sugestão do padre ficou latente em sua cabeça e lá foi a apresentadora. “Fui até o final, mesmo sem gostar. As crises de identidade atrapalharam muito minha jornada. Em alguns momentos, achava que servia, em tantos outros, não. A maturidade, a experiência e a necessidade de trabalhar eram as armas que eu tinha para enfrentar o que jamais pensei que faria”, destaca.

Os primeiros passos

Na faculdade, teve a oportunidade de conhecer a jornalista Cristiane Finger, apresentadora do SBT na época. Na segunda cadeira de telejornalismo, a turma tinha que produzir e apresentar um telejornal, para o qual Simone foi escolhida pela professora para ser a âncora. “Naquele momento, perdi todo respeito por ela. Onde já se viu escolher alguém fora dos padrões estéticos exigidos pela televisão?”, brinca, aos risos.

Em 1999, um ano antes de se formar, foi indicada por funcionários da universidade, que trabalhavam na UCS TV, para conhecer o gerente-geral da emissora, Evandro Fontana. Após passar por um teste, a jornalista foi contratada como estagiária. Lá, fez de tudo: produziu, apresentou, foi repórter. “Faltava um apresentador e eles diziam: ‘a Simone está aí, coloca ela’, e assim fui me virando. Minha primeira aparição foi na cobertura da Festa da Uva. Foram tempos difíceis, mas aprendi muito. Ganhava R$ 100 e, às vezes, não tinha dinheiro nem para passagem, nem para almoçar, comia apenas um sanduíche que trazia de casa”, conta.

A voz forte chamou a atenção do então gerente de Jornalismo da RBS Caxias, Gerson Cruz, que a convidou para fazer um teste. Após a contratação, Simone trabalhou na sucursal de Bento Gonçalves. Na volta para Caxias, entre as atividades exercidas, apresentou o Jornal do Almoço. Permaneceu na emissora por seis anos, até ser convidada pelo então coordenador da extinta TVCom, Júlio Cargnino, para vir para Porto Alegre.

De cara, a jornalista relutou e negou o convite. “Minha mãe estava muito doente, lutou durante anos contra um câncer. Precisava estar perto para cuidar dela”, detalha. Além disso, pensava que a oportunidade estava muito longe da realidade, pois não confiava em si, e chegou a pensar em desistir de tudo. No novo cargo, encontrou resistência por parte de alguns colegas, vivendo situações difíceis, até mesmo de sabotagem. “O Júlio me ajudou muito nesse sentido, pois conhecia as pessoas”, destaca, agradecida.

Na emissora, apresentou o Jornal TVCOM, que tinha duas edições, e ainda teve a oportunidade de substituir a jornalista Daniela Ungaretti em dois momentos – primeiro no Bom Dia Rio Grande e depois no RBS Notícias. Nesta última, a bancada era dividida com o jornalista André Haar, mas, na mesma época, ele deixou o jornal e se mudou para São Paulo. As movimentações proporcionaram que Simone fizesse dupla com Paola Vernareccia, uma profissional que tem sua admiração até hoje.

A Record

A história de cumplicidade com a emissora Record se iniciou antes mesmo da primeira transmissão. Simone, a convite do então coordenador de Jornalismo e repórter da Record no Rio Grande do Sul e Mercosul, Marcos Martinelli, participou do projeto de estruturação dos programas que fariam parte da grade. Em 2007, passou a dividir a bancada do Rio Grande no Ar, ao lado de André Haar.

Após seis anos, a jornalista deixou a emissora, porém a saída durou apenas quatro meses. “Meu contrato estava para vencer e, na época, havia assumido uma nova gerente que me fez uma proposta a qual achei desrespeitosa, então, decidi sair”, afirma. Depois de um telefonema do então presidente do Grupo Record, Fabiano Freitas, a jornalista voltou a assumir seu posto. “Já disse para o Fabiano que fico aqui até morrer, desde que me deixem fazer o que gosto e sei fazer. Fico aqui enquanto me quiserem, enquanto for uma relação de respeito e harmonia”, salienta.

A fortaleza, a princesa e a Simone

Casada há 13 anos com o jornalista fotográfico Vlademir Canella, a apresentadora afirma que, se não fosse ele, não teria vindo para Porto Alegre. “Nos conhecemos na RBS Caxias. Vlade foi minha âncora, meu suporte, além disso, é meu maior crítico e melhor amigo. Fiquei mais tranquila quando veio para a Capital trabalhar na Record. Ele foi decisivo para a minha vinda e manutenção, pois pensei muitas vezes em desistir”, fala, emocionada.

Simone é mãe da Laura, de 7 anos. “Ela é a minha princesa. Muito tranquila, dócil e esperta. É a luz do meu dia”, se derrete. A rotina agitada não permite que mãe e filha curtam mais momentos juntas durante a semana, por isso, os fins de semana são dedicados para curtir a família e a casa. “Literalmente, tiro o fim de semana para descansar. Aproveito para ler, tomar chimarrão, brincar com a Laura, que gosta de andar de bicicleta e patins”, detalha.

A vaidade não para no cabelo arrumado e na impecável maquiagem. Devido a um melasma, a apresentadora realiza um acompanhamento com dermatologista. Além disso, faz massagem terapêutica, drenagem e alguns procedimentos estéticos. “Não sou neurótica, mas por estar na TV, os cuidados devem ser um pouco mais intensos. Também controlo a alimentação, mas sou apaixonada por doce”, confessa, ao se dizer “uma formiga”.

Os esportes também fazem parte da rotina de Simone, que se diz movida a adrenalina. Na lista de atividades físicas, entram aulas de hidrobyke e musculação com um personal trainee, corridas e, mais recentemente, começou a fazer pilates.

Sobre a insegurança que sempre a acompanhou, a jornalista é enfática: “A palavra que hoje me denomina é batalhadora. Se cheguei onde cheguei, foi com muito trabalho, sacrifício, esforço e coragem. Sou muito feliz com o que tenho e ainda conquistarei muitas coisas. Li esses dias um post no Facebook em homenagem ao Dia da Mulher: ‘amo a mulher que me tornei’. Sim, eu realmente amo a mulher que me tornei”, finaliza.