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Fabiano Baldasso: Falem bem ou falem mal

Aclamado por uns e odiado por outros, Fabiano Baldasso pouco se importa. Ele quer mesmo é fazer barulho
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Por Gabriela Boesel

“Enquanto todos praguejavam contra o frio, eu fiz cama na varanda.” A frase poética de Raul Seixas traduz a personalidade peculiar de Fabiano Baldasso. Polêmico e de opinião forte, o jornalista alto e de voz grave não pestaneja com as perguntas e é certeiro nas respostas. Afinal, ter opinião é sua grande virtude e o motivo que o guiou na trajetória da profissão que escolheu ainda na infância.

Há pouco mais de um mês, resolveu se lançar no mercado como um influenciador digital. Deixou para trás mais de 20 anos de carreira como radialista em veículos tradicionais como as rádios Gaúcha e Bandeirantes para se aventurar no mundo das redes sociais. Hoje, Baldasso é a própria empresa. “É esse o futuro que eu vislumbro no Jornalismo. Cada pessoa será um veículo”, idealiza.

Jornalista esportivo por formação e paixão, torce o nariz para o futebol enquanto esporte. “Futebol não é saudável. Os jogadores se acabam nos treinos e nos jogos, se aposentam com uma saúde péssima, pois a prática acaba com o corpo. Sem falar que as pessoas nem gostam de assistir a uma partida. Elas gostam somente do seu time”, diz, categórico, e acrescenta que, inclusive, nem joga. “O único esporte que já gostei de praticar é corrida”, resume, ao mencionar que, antigamente, costumava correr 13km na Redenção.

2009: o ano da virada

Saída da rádio Gaúcha, lançamento da própria empresa de assessoria, início de relacionamento, contrato com a rádio Bandeirantes e explosão das redes sociais. De forma resumida, tudo isso aconteceu em 2009. “Foi um ano marcante e cheio de reviravoltas e novidades”, relembra, ao contar que decidiu largar a emissora do Grupo RBS depois de 13 anos. “Foi a primeira vez que me chamaram de louco”, diz, animado.

Realizado e cheio de viagens e coberturas importantes no currículo, Baldasso percebeu que não era essa vida de repórter que queria levar adiante. “Eu não gostava das viagens. Gostava era de acordar todo dia em Porto Alegre e ter minha rotina.” A decisão foi seguida da fundação da Trato Comunicação, assessoria de imprensa para jogadores de futebol que criou ao lado dos também jornalistas Douglas Lunardi, Rafael Antoniutti e Rodrigo Russomano – único dos quatro que ainda comanda a empresa.

Não demorou muito para Baldasso perceber que também não era o que queria. “Era uma responsabilidade imensa. Os jogadores confiavam a vida a mim. Desisti quando um pai de um deles disse ‘filho, a partir de hoje, esquece tudo o que eu já te falei. Agora só ouve o que o Baldasso falar’”, explica.

No mesmo ano em que conheceu a atual companheira, a coach Renata, com quem tem o Antônio, de cinco anos, e a Júlia, de três, recebeu o convite da Band. Vendeu sua parte na Trato e só aceitou ir para a rádio Bandeirantes com a condição de não viajar. “A primeira coisa que me ofereceram foi a cobertura da Copa do Mundo na África do Sul. Eles entenderam tudo errado”, fala, ao lembrar das negociações.

Em sete anos de empresa, foi diretor, coordenador e gestor e conseguiu o que queria: ser um homem de opinião. Enquanto comentarista e apresentador de programas da rádio, aproveitou também as oportunidades que as redes sociais ofereceram. “Foi quando surgiu o Twitter e quando o Facebook se popularizou. Me joguei e mergulhei nisso”, comenta, ao mencionar que, naquele momento, se deu conta de que aquelas ferramentas seriam o futuro da Comunicação. “Até hoje, as redes fazem parte da minha vida 20 horas por dia.”

Falem bem ou falem mal…

Formado em Jornalismo pela Unisinos, em 2006, Baldasso levou 13 anos para conquistar o diploma, devido à rotina intensa na rádio Gaúcha. No começo, o sonho era ser crítico musical, mas com a paixão por futebol e, em especial, pelo Internacional, não foi difícil se adaptar à editoria de Esportes. “Lá, me constituí como profissional e trabalhei com várias referências”, relata, ao mencionar Ruy Carlos Ostermann, Lauro Quadros, Pedro Ernesto Denardin, Antônio Carlos Macedo e Sílvio Benfica.

Mesmo longe dos microfones e das mídias tradicionais de Comunicação, Baldasso não abandonou nenhuma de suas paixões. Agora, com a possibilidade de expressar aos quatro ventos, é ainda mais envolvido com futebol e com o time do coração, para o qual, inclusive, trabalha. “Presto um serviço de influenciador digital para o Inter, com a ideia é mostrar o clube que os veículos normais não mostram”, resume, e acrescenta que, dos 100 mil sócios, 40 mil o seguem nas redes. E faz questão de esclarecer: “Sou um formador de opinião, não um oficialista. Ser contratado pelo time não influencia a minha opinião, pois estou a serviço da torcida, como um comunicador que representa a torcida.”

A consequência de ser amado pelos colorados é óbvia: uma legião de gremistas o abomina. Porém, ele não enxerga isso como negativo. Pelo contrário, comemora. O problema seria se eles fossem indiferentes. “Costumo fazer uma brincadeira com os torcedores do Grêmio: qual foi a última vez que, num churrasco de domingo, eles não mencionaram meu nome?”, provoca.

A introdução nas redes sociais não foi fácil, visto que, como ele mesmo diz, tinha uma incompetência em lidar com elas, pois nunca lhe foi ensinado. “De repente, eu estava em um universo onde eu dizia uma coisa e duas mil pessoas me respondiam. Então precisei me adaptar com essa realidade”, pontua. Para ingressar de fato no novo ambiente, Baldasso adaptou sua linguagem, deixou a formalidade de lado, agregou humor e entretenimento, sempre atento ao estilo da internet. “Errei muito, mas consegui buscar uma forma própria de chegar onde queria. Me refiz nas redes sociais.”

Enfrentou muitos ‘nãos’, é verdade, mas, hoje, enche o peito ao falar que encontrou na internet a fórmula de fazer o que mais gosta: dar opinião. “Hoje tenho 10 clientes patrocinadores nas redes sociais. Tenho orgulho de dizer que o sonho profissional que eu tinha, de transformar minhas redes sociais em um negócio, eu consegui”, celebra, honrado.

Sobre sua condição de formador de opinião, decidiu que, independentemente da situação, sempre iria se posicionar e nunca ficaria em cima do muro. “Minha condição de homem de opinião sempre foi o posicionamento, e quem se posiciona tem rejeição. As pessoas sabem tudo o que eu penso sobre todos os assuntos.”

Diz que sempre procurou entender a rejeição e compreende que ela não é prejudicial. “Minha provocação nunca foi desrespeitosa. É dentro do que o futebol permite. É brincadeira. Como sou colorado e representante da torcida do Inter, é quase um dever brincar com o Grêmio. Minha rejeição é superficial porque se baseia em intolerância. Ela vira pó, se dissipa. Não se sustenta”, discorre.

Presença constante

Seja em Porto Alegre, na estrada ou em Caxias do Sul, onde reside há três anos, Baldasso está sempre online. Como já mencionado, as redes sociais fazem parte da sua vida 20h por dia. E isso, ele garante, não é nenhum sacrifício. “Eu amo o que faço”, enfatiza. Para ele, o grande ganho de poder trabalhar com essa fórmula é ter liberdade. “Se eu quiser deixar meu telefone de lado uma hora para brincar com meu filho, eu posso. E ter a possibilidade de levar e buscar as crianças na escola todos os dias, e estar presente na vida delas, é qualidade de vida”, diz, ao declarar que todas as escolhas profissionais que fez, foi pensando nos pequenos.

A decisão se justifica pela filha mais velha, Aloma, do primeiro relacionamento. Ele lamenta que, por ter sido pai muito jovem, aos com 18 anos, não pôde acompanhar o crescimento da primogênita. “Com minha rotina de trabalho na época e minha idade, não estive muito presente. Não farei isso com o Antônio e com a Júlia”, explica.

A mudança da Capital, onde nasceu, para a cidade serrana também foi motivada pelos filhos, a fim de lhes proporcionar mais segurança. Como a família da esposa é de lá, a resolução não foi nada difícil. Sem hobby definido, arrisca dizer que é trabalhar. “Sei que isso não é hobby, mas então digo que é usar meu smartphone”, brinca e complementa: “Minha ação extra trabalho é com os meus filhos.”

A ansiedade, destacada como defeito, resulta em uma alimentação desequilibrada e em um hábito que não consegue parar. “Estou sempre de dieta, desde que nasci. E sou um fumante que não consegue largar o cigarro”, confessa. Nas qualidades, aponta o gosto pela cozinha e admite que aprendeu a cozinhar na fase adulta. Gosta de fazer comidas básicas e tem um orgulho imenso por saber fazer feijão, arroz e carne de panela. E no topo da lista de prato preferidos está risoto de funghi.

O filho mais de velho de Antonio e Orvídea, hoje, defende que a leitura de um livro físico pode ser facilmente substituída pela internet, mas somente quando bem usada, faz questão de frisar. “Se as universidades queriam me matar, agora elas vão organizar meu velório”, diverte-se com a declaração ousada. Conta que leu muito na época da faculdade e que aprecia obras clássicas, com destaque para as de Machado de Assis.

‘Forrest Gump – O contador de histórias’ é o filme predileto do irmão mais velho da nutricionista Patrícia. “É o melhor filme de todos os tempos.” Antes de os pequenos nascerem, lembra que costumava ir ao cinema com Renata duas vezes na semana. Hoje, em casa, aproveitam quando dá uma coincidência de dos dois dormirem ao mesmo tempo, para assistirem a qualquer filme que passa na TV.

No universo musical, não se considera eclético. “Isso é desculpa de quem não entende de música.” Gosta de rock, principalmente, e é fã declarado da banda Legião Urbana, afirma que Renato Russo é seu ídolo e declara que acha charmoso o estilo ‘sexo, drogas e rock n’ roll’. Mesmo assim, defende todos os gêneros musicais, pois acredita que cada um tem suas qualidades. “Todo ritmo tem alguma coisa boa.”

Diz que se sente realizado com o que já conquistou até aqui e que o próximo objetivo é solidificar o que fez como influenciador digital. “Quero sempre estar atento às mudanças para poder me adaptar e acompanhá-las. As revoluções que eu tinha para fazer eu já fiz”, orgulha-se.