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Ico Thomaz: Um gaúcho na esquina do mundo

Aos “40 e poucos anos”, o jornalista Ico Thomaz não dispensa roteiros pelo mundo e uma taça de vinho ao som de um bom jazz
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Crédito: Antares Martins

Por Cinthia Dias

Inquietude, bom humor, determinação e uma fala rápida que busca acompanhar a agilidade de cada história que vem na cabeça são algumas das características que podem descrever parte da personalidade do jornalista Ico Thomaz. Com pouco mais de 1,70m, o profissional diz ter conquistado com suor, honestidade e competência, um espaço no mercado da Comunicação no Rio Grande do Sul. “Os lugares onde atuei e trabalho consegui por mim e pelo meu esforço. Não tem uma pessoa que possa dizer que me colocou em alguma empresa”, informa, orgulhoso.

Ainda na adolescência, aos 15 anos, se descobriu na área ao fazer o registro do encalhamento de uma baleia nas areias de Capão da Canoa, no Litoral Norte gaúcho. “Vi aquela situação, fui para casa, peguei um gravador – com aquelas fitas cassetes – e retornei à beira da praia para entrevistar as pessoas, porque achei um absurdo aquele bicho ter morrido daquela forma.” Ao voltar para casa, sua mãe já havia diagnosticado seu futuro profissional. “Luís Henrique, tu poderias ser jornalista. Tu estás entrevistando, querendo salvar o mundo e se preocupando com a natureza”, recorda a fala de dona Schirley, que criou, sozinha, ele e os irmãos Giane, Armando e Paulo Ricardo após a morte de Pedro, seu pai. “Uma guerreira”, completa.

Nesta ocasião, houve o estalo. Desinibido desde a infância, o guri de Venâncio Aires teve mais certeza de que não seguiria os passos do pai e do avô, que trilharam o caminho da Medicina. “Nunca gostei de hospital e de sangue”, explica. Além disso, sempre gostou de ler – hábito que permanece até hoje –, mas surpreende quando conta que leu toda Bíblia em quatro anos. “Gosto de Deus e oro todos os dias. Inclusive, tenho tatuado a frase ‘O senhor é meu pastor e nada me faltará’.” Ao todo, costuma fazer a leitura de três a quatro obras por vez, sendo uma em inglês e, ao menos, uma biografia.

Ao ingressar na universidade em 1992, demorou para pegar o diploma de bacharel em Comunicação Social devido ao seu interesse em chegar mais preparado ao mercado. Para tanto, o profissional formado pela PUC priorizou as experiências, o que, consequentemente, atrasou a formatura. “O mais importante era estar ambientado com a minha futura profissão. Até mesmo porque não tinha um direcionamento de área de atuação, o que queria era comunicar.”

Passaporte sempre em mãos

Quando deixou o Grupo RBS, o dono do Boston Terrier Cesar, e dos gatos Tobias e Serafina, resolveu dar vida a um sonho antigo: residir em Nova Iorque, nos Estados Unidos. “É a esquina do mundo”, justifica. O admirador da língua inglesa embarcou rumo ao país norte-americano, onde ficou um ano, para aprimorar os aspectos de conversação e participar de cursos nas áreas de Cinema e Televisão, na New York Film Academy, e de Jornalismo, na Columbia University. “Fiz e ainda faço muitas trocas de experiências lá. É o lugar que eu mais gosto no mundo. É o quintal da minha casa.”

Hoje, costuma viajar anualmente ao lado da esposa, Louise Heine, para este destino. Das andanças pelas ruas nova-iorquinas, conta que já bateu um papo de 30 segundos com o cantor Sting, encontrou o jogador de futebol David Beckham e a atriz Julia Roberts em um restaurante. Não é pelas celebridades com quem cruzou que sente um apreço pela cidade, mas pela pluralidade e diversidade de opiniões, culturas e pessoas que teve a oportunidade de conhecer. “Fiz muitos amigos de diferentes localidades, que, inclusive, me recebem em suas casas. Eles vêm à minha e eu, para a deles”, relata, com carinho, dos vários intercâmbios que se envolveu. A mais recente experiência foi a viagem para a Itália no final de janeiro deste ano, quando um amigo italiano o recebeu de braços abertos.

Também em NY pôde desfrutar com plenitude de suas duas paixões: jazz e talkshows. A primeira foi assistir à apresentação de Woody Allen, a três metros de distância, degustando duas taças de vinho ao som do cineasta. “As mais caras que tomei na minha vida! Mas ele mereceu cada dólar”, garante, sem remorso. A segunda foi contemplar por três vezes o apresentador David Letterman. “Sou fissurado por programas assim e acredito que ele tenha aguçado em mim essa vontade de fazer um talkshow.” Entretanto, não somente o país de Donald Trump está registrado em seu passaporte. No ano passado, levou a “coroa”, como ele mesmo chamou a mãe, para fazer um cruzeiro pela Escandinávia, onde puderam conhecer, em 15 dias, a Suécia, Finlândia, Rússia, Estônia e Letônia.

Do pai ao marido, do radialista ao apresentador de TV

O profissional tem uma rotina agitada do momento em que acorda, com o café da manhã na cama preparado por Louise, até o horário em que vai dormir, depois de orar com o filho. Ao longo do período matutino, acessa blogs e sites de notícias e se atualiza para, assim, dar início a produção do ‘Antenados’, programa que apresenta ao lado dos colegas Paulo Brito e Claudio Duarte, na Bandeirantes. No final do dia, retorna ao microfone, desta vez na BandNews FM, para participar do ‘Happy Hour’, com as jornalistas Lúcia Mattos e Ana Cassia Henrich.

Em datas alternadas, entre uma atração e outra no Grupo Bandeirantes – onde atua desde setembro de 2013 –, se desloca até a sede da TVU para gravar o talkshow ‘No controle’, que é veiculado aos sábados, a partir das 21h. Este último é um projeto que tirou recentemente, em 2016, do papel. Além das atuações no rádio e na TV, possui uma série na internet, intitulada ‘Cama de casal’, que apresenta ao lado da esposa. Gravado em temporadas, o programa trata das intimidades de personalidades, como a dupla Claus e Vanessa, em motéis.

Aos “40 e poucos anos”, como informou misteriosamente a sua idade, mais de 15 anos são dedicados ao Jornalismo. Sua estreia no segmento aconteceu na TV Pampa, como produtor do ‘Pampa Boa Noite’, de Gilberto Simões Pires, quando ainda era estudante na Famecos. Em seguida, foi parar no Radar, da TVE, a convite do então professor da faculdade Flávio Porcello. “Uma gratidão por ele que tu não tens noção”, declara, ao lembrar o docente. Tempos mais tarde, passou no teste para substituto de Gabriel Moojen para apresentação do extinto Patrola, onde ficou por oito anos. Também teve passagens pela extinta Pop Rock, da Ulbra, pela rádio Ipanema, da Band, e pela Cidade e Atlântida, do Grupo RBS. “A realização pessoal é importante. Eu me sinto uma pessoa realizada. Sou muito feliz, porque faço o que eu gosto.”

Das diferentes empresas de Comunicação que teve a oportunidade de integrar as equipes, lembra, com carinho, de outros dois colegas que representam muito em sua carreira. “Acho importante destacar pessoas de todas as minhas fases profissionais e que as tornaram mais especiais.” São eles: Renato Martins – que descreve como uma mistura de gestor, amigo e paizão – de quem rouba, frequentemente, café sem medo; e Claro Gilberto, que lhe ensinou tudo o que sabe a respeito do universo dos eventos.

Homem de uma mulher só

Quem disse que histórias de Verão não se estendem à Capital? O romance entre o jornalista e a advogada não somente deixou o período de veraneio em Capão da Canoa como se consolidou em NY. O comunicador explica que eles eram vizinhos de condomínio na praia e que, frequentemente, ficava olhando a jovem de 1,75m. “Um belo dia, dei uma cantada, mas ela não me deu bola. Na quarta vez, deu certo.” Na ocasião, ela aproveitou para lhe dizer que já havia noivado três vezes e, praticamente, deixado os pretendentes no altar. Diante dessa situação, prometeu que nunca lhe pediria em casamento. “Disse que ‘o dia que tu quiseres, tu me pedes’”, repete o que disse à amada. Depois de seis meses juntos, Louise pediu a mão de Ico, em NY, durante um piquenique no Central Park. “Primeiro eu queria e ela ficou se fazendo, depois ela me pediu em casamento. Em poucos meses, mostrei algum valor para ela”, fala, aos risos.

Com quase cinco anos de relação, confessa que amadureceu muito mais do que imaginava, principalmente, ao dividir as responsabilidades na criação de Eduardo – fruto de uma relação antiga de sua parceira. Levar para a escola, ensinar a andar de bicicleta, rezar antes de dormir e compartilhar o gosto musical são algumas das ações que o tornaram pai. “Sem dúvida alguma, me tornei uma pessoa melhor depois de conhecê-la”, avalia.  Ao lado da companheira, também aprendeu que para ser “o cara”, não é preciso beijar várias mulheres. “Ela me fez enxergar que tu podes ser feliz e completo com apenas uma mulher. Cuidar de uma só não é fácil, requer sacrifícios. Aí sim tu serás o cara.”