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Alexandre Fetter: Humor nos microfones

Com quase três décadas dedicadas ao rádio, Alexandre Fetter destaca sua vocação para transformar pessoas e programas em sucesso
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Alexandre Fetter | Divulgação/RBS

Por Gabriela Boesel

Loiro de cabelo bagunçado e a vitalidade de um guri de 25 anos. Assim se apresenta Alexandre Fetter que, aos 50, considera-se da geração Y. A voz, inconfundível, é a mesma de quando começou a fazer-se conhecido, ainda na extinta Pop Rock, a rádio da Ulbra que criou ao lado de Mauro Borba, em 1997.

Guiado pelo humor, acredita que esta é a melhor forma de levar a vida: dando risada. Para ele, a razão disso tudo é o exemplo que viu no pai, Mário Osvaldo, já falecido, que, contabilista e brigadiano de formação, trabalhava na Contabilidade da Brigada Militar. “Penso que o estresse do trabalho tenha sido o motivo pelo qual ele adoeceu. Por isso, faço o que gosto e trabalho com gente feliz, pois risada é um grande preventivo.”

Da infância, carrega a lembrança de um radinho de pilha vermelho que ganhou de presente dos pais. Mal sabiam que, inconscientemente, Mário e a professora aposentada Carmen Lúcia estavam incentivando o filho mais velho a seguir a carreira de comunicador. E, agora, com quase três décadas dedicadas ao meio radiofônico, Alexandre Fetter acredita que sua grande vocação seja transformar pessoas e programas em sucesso.

Do improviso ao sucesso

Foi com uma ideia na cabeça e uma ligação que tudo começou. “No improviso, propus ao Mauro Borba para fazermos uma rádio dentro de uma universidade, doido para quebrar a Atlântida. Ele topou”, relembra, ao contar que deixou a emissora do Grupo RBS, em 1997, após não receber o aumento salarial que havia solicitado na época. Sobre a nova rádio, Mauro Borba aceitou o convite, que resultou na 107 Pop Rock, que durou até 2007.

Na Ulbra, apresentaram o projeto verbalmente para o vice-reitor, que adorou a ideia, pois acompanhava Fetter no extinto ‘Programa X’, da Atlântida. Montou sua equipe e nasceu o Cafezinho, atração de humor que alavancou a emissora e a tornou competitiva no mercado. “O Cafezinho movimentou o cenário do rádio em Porto Alegre. Em seis meses, a Pop Rock era Top 3 e a Atlântida estava lá embaixo no ranking.”

O sucesso estrondoso atiçou a concorrência e, em 2005, Fetter voltou a conversar com a RBS. “Dois anos depois, comprei a ideia de voltar com a proposta de criar um produto que fosse abafar o sucesso do Cafezinho. Assim nasceu o Pretinho Básico”, resume. No pacote profissional, também estava a missão de alavancar a Itapema 102,3, que estava desassistida. Hoje, a emissora comemora 10 anos de P&B.

Formação sem academia

Sem formação acadêmica, o comunicador explica que os 28 de profissão foram o suficiente para que aprendesse na prática como trabalhar. “Aprendi mais do que teria aprendido em quatro anos na faculdade”, justifica, ao mesmo tempo em que enfatiza: “Não estou dizendo que o curso não é importante.” Até chegou a prestar vestibular, dois, para falar a verdade. Indeciso quanto à escolha do curso, tentou para Educação Física e para Publicidade e Propaganda. “Nem sei se passei”, diz, ao explicar que as provas foram feitas na mesma semana em que o pai morreu. “Isso mexeu muito na estrutura da família e na minha vida.”

Foi enquanto trabalhava no Bradesco que fez o primeiro teste para a rádio, em 1987. Ofereceu-se para trabalhar na Capital FM e, no mesmo dia, foi chamado para assumir a apresentação do programa da noite. “Quando cheguei em casa depois da entrevista, a mãe disse que um cara da rádio tinha ligado. Retornei a chamada e ele contou que o locutor da noite tinha acabado de pedir demissão. Me chamou para estrear naquele mesmo dia, às 20h”, conta, impressionado até hoje com o rumo da história.

Quando a emissora fechou as portas, o comunicador já estava trabalhando na Litoral FM – atual Jovem Pan da praia. De lá, foi para a Imigrantes, de São Leopoldo, que hoje é a rádio Alegria, e, depois, para Universal. Tudo isso em questão de cinco meses, até se fixar no Grupo RBS.

Vida compartilhada

Casado com a jornalista Rodaika, também do Grupo RBS, e de quem fala com muito carinho, Fetter garante que nenhum deles leva assuntos relacionados ao trabalho para casa. “Estamos em plataformas e momentos diferentes”, resume. Declaradamente apaixonado pela companheira, com quem divide a vida desde 2000, conta, encabulado, sobre o início do relacionamento.

Ambos colaboradores da RBS na época foram apresentados por uma amiga em comum quando Rodaika ainda estava na emissora de TV em Pelotas. “Conversamos para viabilizar uma participação dela na rádio, mas não resultou em nenhum enlace profissional. Em compensação, rolou aquela vontade de conhecê-la um pouco mais”, fala, com um brilho no olhar.

Considera-se um ‘cara família’, característica que é reforçada pela esposa. “A postura dele no programa (Pretinho Básico) é parecida com a que ele tem na vida”, explica a jornalista. E completa: “Em casa, ele é um cara extremamente carinhoso, tranquilo com tudo e tem uma visão familiar muito forte. Toda oportunidade que tem, ele quer ficar em casa, sempre muito próximo dos filhos”, relata.

Pai de Théo, de 12 anos, fruto do casal, Fetter diz que seu hobby atual é acompanhar seu crescimento. “Ele está aprendendo a tocar instrumento musical e minha distração é ver de perto essa evolução.” Também se considera pai de Brenda, de 24 anos, filha da Rodaika, que resultou de um relacionamento da adolescência. Segundo a comunicadora, ambos têm uma relação muito próxima, o que, para ela, se explica pelo fato de terem nascido no mesmo dia e na mesma hora.

Talento caseiro

Cozinhar é sua especialidade. Modesto, diz que não faz nada especial, informação que é logo desmentida por Rodaika. “Não sei o que eu comeria se não fosse o Alexandre. Ele é superenvolvido com comida e bebida, e faz com prazer.” Tal paixão resultou na hamburgueria Severo Garage, que abriu em 2015. A empresa surgiu do antigo programa que apresentava no YouTube da Atlântida, ‘Meu Rango Afu’, no qual recebia convidados para cozinhar. “Uma vez chamei um amigo que fazia hambúrgueres, daí veio a ideia de abrir um estabelecimento”, resume.

Para equilibrar com o gosto de comer, Fetter costuma correr e fazer musculação, sem falar no futebol sagrado das terças-feiras com os amigos. “Corpo e mente têm que estar preparados. A forma física faz parte do sucesso do negócio.” No campo musical, o único estilo do qual não gosta declaradamente é do funk de hoje em dia. “Aquele que incita a violência eu falo contra mesmo. É questão de crença”, enfatiza, ao declarar que não tem nenhum rótulo nem preconceito contra as demais classes musicais. “Ao longo da carreira, por trabalhar com música, fui aprendendo.”

O comunicador acredita ser uma pessoa que tenta melhorar a vida de todo mundo. “Estou sempre trabalhando pelo coletivo.” Nesse sentido, Rodaika é só elogios: “O Alexandre é um cara que tem uma energia muito boa e que agrega. Ele passa a segurança que tu precisa quando tem que tomar alguma decisão. Ele soma.”

Assim como na música, Fetter aprendeu, ao longo da vida, a não se deslumbrar com o sucesso. Para ele, nada é mais importante e bacana do que a humildade. “A gente não é melhor que ninguém e isso é bem claro para mim. No auge dos meus 50 anos, esse é o maior aprendizado da minha vida.”