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Alessandro Cauduro: Visionário do mundo digital

CEO da Huia revela curiosidade pelo mundo da tecnologia
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Em uma pequena sala de vidro envolta por muitos laptops e uma equipe de 170 funcionários, o CEO da Huia (produtora digital do grupo Chief Innovation Officer do Nonconformity), Alessandro Cauduro, conta de onde surgiu a paixão pela tecnologia e como ajuda a construir uma das maiores agências digitais do Brasil, a W3Haus. Durante o bate-papo, transparece ser um homem simples, dedicado e com muita, muita curiosidade e iniciativa. Estas qualidades que, talvez, o tenham projetado a chegar onde chegou e o façam avançar sempre em busca do novo.

O primeiro contato com a internet aconteceu muito cedo. Aos nove anos de idade foi morar em Londres, na Inglaterra, onde seus pais, Neusa Clarisse Tomé Cauduro e Flávio Vinicius Cauduro, ambos professores, foram cursar doutorado. Em 1987, ganhou um Macintosh do pai, e desde então, nunca mais se desconectou. “Lembro que, quando tinha uns 10 anos, meu pai me levava para os laboratórios da faculdade e lá havia muitos PHDs e doutorandos. Era engraçado, pois eu sabia usar o computador mais do que eles”, recorda o executivo, que compara a facilidade com que as crianças têm de acessar a internet nos dias de hoje.

A tecnologia

A escolha pela graduação em Ciência da Computação, pela Ufrgs, veio ao natural. Alessandro passava horas nos laboratórios, que, na época, só existiam nas universidades. Por indicação de colegas e professores, que percebiam a facilidade do aluno com o mundo digital, começou a estagiar na empresa de tecnologia criadora do Portal Terra, NutecNet. Lá, conheceu Chico Baldini e Tiago Ritter, também amantes e criadores de projetos para o ainda pouco conhecido mundo da internet.

Quando se formou, foi morar durante um ano na Bélgica, na Europa, onde trabalhou com software, e seu irmão, Rodrigo Cauduro, o substituiu na vaga da NutecNet. “Durante este período, continuamos em contato. Eu, Tiago, Chico e meu irmão falávamos em abrir um negócio, mas eram apenas projetos. Quando voltei ao Brasil, fomos jogar uma sinuca e decidimos fazer acontecer’, revela. Foi então que, no ano de 2000, em uma pequena sala no fundo do quintal da residência dos Cauduro, que surgiu o primeiro escritório da W3Haus.

Quatro jovens sonhadores e um investimento único de dois mil reais cada. Compraram seus computadores, se instalaram em uma sala simples, vazia, com apenas uma mesa, mas cheia de energia e vontade de imergir no mundo online. “Aquela ainda era uma época arcaica em acesso à internet. Era o momento de se explicar o que era aquele serviço moderno. Como trabalhávamos com isto, tínhamos que explicar o que era a internet. E sempre tivemos uma pegada de inovação, de fazer coisas diferentes. Acredito que isto nos destacou muito no mercado. ”

A empresa estava crescendo. Diversos projetos, ideias, mas uma coisa frustrava Alessandro: a estagnação da capital gaúcha em relação a tudo que é novo. “Nossa cidade é muito conservadora em relação ao que não conhece. Criávamos projetos bacanas, mas o mercado daqui não comprava. Foi então que decidimos dar um passo a mais”. E com coragem e ousadia que o caracterizam, abriu escritório em Londres, em 2006. “Foi um momento importante e de muito aprendizado. Tínhamos uma área de atendimento, um ponto comercial. Meu irmão foi para lá, captava os clientes e, aqui do Brasil, desenvolvíamos os projetos”, conta.

Iniciativa e coragem

O feeling de ir atrás do desconhecido, de buscar o novo e passar esta informação adiante está dentro do profissional da tecnologia. Sem muito planejamento, Cauduro conta que sempre foi ágil quando se trata de negócios. Com a cara e a coragem, viajou para os Estados Unidos e marcou uma série de reuniões com figuras das empresas de tecnologia mais importantes da América do Norte. “Em 2007, decidimos explorar o mercado norte-americano. Não tinha muito conhecimento do que se passava lá fora, mas sabia quem a W3 era e queria apresentar o nosso trabalho”. A firmeza e atitude nas decisões trouxeram muitos retornos positivos, clientes que alavancaram a empresa e, consequentemente, fizeram de Alessandro um profissional mais realizado e confiante.

A entrega para o trabalho dança junto com o lazer. A tecnologia sempre andou ao lado do entretenimento para Cauduro, que revela prazer em lançar projetos, inovar e descobrir. “Eu mergulho de cabeça no assunto que me desperta interesse. Estudo, pesquiso, vou atrás e não me preocupo em tomar um não.” A determinação daquele jovem curioso o tornou um profissional muito bem resolvido e sucedido.

‘English’

O período em que viveu com a família em Londres, durante a infância, o marcou positivamente. A vivência proporcionou muitas experiências, como a fluência na língua britânica. “Em apenas três meses, estava falando fluentemente. Virei um inglesinho”, brinca. A perfeição na fala confundiu um professor de Alessandro, que, após seis anos, quando iria retornar à América, o questionou: ‘Mas o que vais fazer no Brasil?’. ‘Eu sou de lá’, respondeu. Espantado, o professor exclama: ‘Mas como assim?’, recorda.

Além disso, o período rendeu um apelido que leva para o resto da vida: ‘English’, como foi nomeado pelos colegas brasileiros, quando retornou. “A galera brincava que eu parecia aqueles documentários da BBC”, conta, rindo um bocado.

Amor de laboratório

Destino ou coincidência, foi nas dependências do laboratório eletrônico de Arte e Design da Ufrgs onde conheceu a futura esposa, Mariana Bacaltchuk. “Ela era aluna da Fabico e eu vivia no laboratório. Ficamos amigos no início, e acabamos ficando juntos muito tempo depois.” A internet o aproximou da amada, que há 17 anos está ao lado de Cauduro – sendo 14 como casados. Os filhos do casal são de coração. Por enquanto, três gatinhos são os donos da atenção dos apaixonados.

Inspirações

Quando a W3Haus estava iniciando no mercado de trabalho, ainda sem muito conhecimento do que estava fazendo, se inspirava no webdesigner norte-americano Joshua Davis, que aplicou suas técnicas na internet. “Ele foi um dos primeiros a utilizar a matemática para gerar arte. E o nosso início foi bem assim. Juntamos a criatividade com a tecnologia”, garante. Apesar de citar esta referência, Cauduro diz não seguir absoluto um ponto. “Busco captar o melhor de cada pessoa e, a partir destes pontos, formulo minha opinião”, conta ao comentar que tem acompanhado alguns youtubers de tecnologia.

Além de se empenhar em projetos para a empresa, o CEO se dedica a ajudar outras instituições, visando ao melhor para o coletivo. É um dos fundadores da Associação Brasileira dos Agentes Digitais do Rio Grande do Sul, além de investir em startups variadas. É também um dos integrantes do SODA – grupo das principais agências digitais do mundo, todas selecionadas por indicação rigorosa. “A W3Haus foi a terceira agência brasileira a entrar para o grupo, em 2013. Eles incentivam a ensinar o que cada um sabe, é uma troca de informações muito rica, um ótimo networking”, explica sobre o encontro que acontece uma vez por ano, em locais diferentes do mundo.

Pingue-Pongue

Quando se trata de falar sobre o lado pessoal, Cauduro é direto e objetivo. Comida? “Gosto, pena que engorda”, brinca. A preferência do executivo está na culinária tailandesa. Livros? “Só leio obras técnicas’, sorri, ao esconder as obras que se encontravam ao lado da mesa, um pouco sem jeito por respirar o mundo tecnológico. “Eu amo a tecnologia, pesquiso, respiro e projeto isso, mas também gosto de ler sobre empreendedorismo.” Música? Gosta do estilos dos anos 1980, e admite que talvez seja um pouco de saudosismo. Cinema? Prefere filmes de ficção, mas sem muitas explosões. Hobbie? Fotografia. Qualidade? Sinceridade. E o defeito? “Mergulho muito a fundo nas coisas que me interessam. Eu passo do ponto de pesquisar o suficiente. Perco o ponto de parar de consumir o conteúdo para a execução.” Um desejo? Quer ter mais experiências fora do Brasil, sendo elas profissionais ou pessoais. Fazer coisas diferentes, ver outras culturas.

O dia a dia do executivo é movimentado. Acorda cedo, lê as notícias em seu laptop para se inteirar sobre o que está acontecendo ao redor do mundo e parte para o trabalho. É durante a manhã que coloca as ideias no lugar e projeta o restante do dia, enquanto a equipe não chega. Durante o horário de almoço, faz natação, momento que considera essencial para conseguir relaxar e ficar um pouco distante do mundo online. Na água, ele esvazia a cabeça e renova as ideias.

E inovar é o que move o CEO. “Gosto do que faço. Colocar em prática tudo aquilo que idealizo. Gostaria de fazer isto para sempre, mas não tão pesado como é no dia a dia de hoje. Se pudesse, deixaria esta rotina mais leve”, admite. Curioso, acredita ser um eterno insatisfeito. E, mesmo após um dia cheio no escritório, quando chega em casa, abre o laptop para pesquisar sobre assuntos novos. “Nunca paro. Pode ser um defeito meu. Tenho noção do que consegui realizar até hoje, mas sou um eterno insatisfeito, pois sempre acho que poderia ter feito melhor.”

Em função desta paixão e ligação com a tecnologia, até os momentos de lazer são envolvidos pela ciência. Quando sai de férias, busca visitar locais em que acontecem eventos e congressos sobre o assunto, para poder se atualizar. “Adoro viajar mundo afora. Tenho este negócio de ter experiência internacional. Aprendi a gostar. Meus pais sempre viajaram e moraram fora para se qualificarem no trabalho, e carrego este legado”, conta. Não há como negar, Cauduro é um visionário da tecnologia, amante do que faz. Seu trabalho é o seu lazer.