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Maria Cristina Sant’Anna: Da licenciatura ao Marketing

Dentro e fora do SBT RS, profissional pratica ensinamentos da inteligência emocional e da filosofia espírita
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Maria Cristina Sant’Anna | Divulgação

Por Cinthia Dias

Criada em meio às realidades urbana e rural, Maria Cristina Sant’Anna carrega, ao longo de seus 52 anos, todos os aprendizados que conquistou nas duas esferas, mas, principalmente, no interior do Rio Grande do Sul. De segunda a sexta-feira, era escola, ver os pais tocarem o comércio da família, brincadeira com os colegas de aula e vizinhos da rua, e, nos finais de semana, deslocava-se junto com os pais e os irmãos Luiz Carlos, Paulo, Leonardo e Márcia para Sentinela no Sul. Com destino ao sítio localizado no distrito de Tapes, visitavam os avós maternos e entravam em contato com a natureza plena, muitos animais e uma sanga. “Nós fazíamos muitos amigos na comunidade e levávamos nossas roupas para eles. Minha mãe sempre nos ensinou a não ver diferenças sociais e culturais nas pessoas.” Do contato com a população sentinelense, recorda com carinho e satisfação, as refeições e as conversas ao redor do fogão a lenha, quando compartilhavam uma panela recheada de pinhões.

Os comerciantes Luiz e Maria Helena quase a inspiraram a seguir e ambicionar pela administração dos negócios, porém uma oportunidade de trabalho na extinta agência de pesquisa de mercado Messa Propaganda a fez trilhar um caminho diferente. Nela, executou projetos, em âmbito nacional, junto às empresas e entidades públicas, no que resultou em conhecimentos quantitativos e qualitativos nos setores de Saúde, Educação, Social e Comportamento Eleitoral. Conhecida no meio das empresas de Publicidade, foi chamada para atuar na extinta Síntese Propaganda. A partir disso, tomou gosto pela área: “É bem como dizem, a Comunicação é uma cachaça. A gente vicia e não larga mais.”

Aos 85 anos, a matriarca dos Sant’Anna mora sozinha no recanto que herdou dos pais – pois, há menos de quatro anos, seu esposo faleceu – e, quinzenalmente, recebe a visita de Cris, como foi apelidada pelos amigos e parentes. A viúva, vista pela caçula como independente, dinâmica e extremamente ativa, enche-a de orgulho por ter dado continuidade ao sonho do casal. Muito antes da perda, já com a prole amadurecida, venderam os estabelecimentos comerciais que administravam – uma barbearia e uma tabacaria, próximas da antiga cervejaria Brahma, na Cristóvão Colombo – para ter uma vida mais tranquila. Quando avisa que está para chegar, a mãe prepara seu prato favorito: arroz com galinha. “É simples, mas tem o gosto da minha infância.”

Nem mãe, nem profissional

Quando o final do expediente chega, a personagem da profissional de Marketing há mais de 30 anos é deixada de lado para que outra, cheia de gostos e particularidades, entre em cena. Amante assumida de práticas esportivas, ininterruptamente marca presença nas aulas da arte marcial tailandesa Muay Thai – para fins de defesa pessoal e como uma sessão de terapia – e de exercícios funcionais na academia em frente à sua residência no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. No currículo, a última atividade diferente da esportista foi hidrobike.

Fora isso, nas quintas-feiras à noite, participa da programação de atividades na Sociedade Espírita Ramiro D’Ávila, localizada na avenida Getúlio Vargas, onde assiste a palestras e toma passe, prática da doutrina que não fazia parte de sua história até um amigo lhe apresentar. “Isso fez com que eu entendesse alguns aspectos da vida, que o catolicismo não me permitia”, diz, ao se referir à religião na qual foi criada. O espiritismo lhe deu respostas e a preparou para a morte prematura do irmão mais velho, que morreu vítima de câncer. Consequentemente, pôde dar mais assistência aos pais e, da perda, tirou a lição de que nada neste mundo é seu.

Também revela que gosta de assistir a filmes de romance, comédia e aventura. Apaixonada por cinema, confessa que seus longas e diretores favoritos são, respectivamente, Intriga internacional, de Alfred Hitchcock; Noivo neurótico, noiva nervosa, de Woody Allen; e Casablanca, de Michael Curtiz. Além dos clássicos, é assídua a séries, como ‘Mundo visto de cima’, ‘Pedro pelo mundo’ e ‘Edifício Paraíso’, no GNT; e ‘Vai que Cola’, protagonizada pelo ator e comediante Paulo Gustavo, no Multishow. “Desopilo vendo ele. É pura bobagem e palhaçada, mas ele é demais.” Comparada aos seriemaníacos, é uma novata no universo de Netflix, e garante que está ansiosa para conferir ‘Breaking Bad’.

Era para ser

A maternidade chegou antes do previsto. Aos 16 anos, deu à luz Guilherme, hoje com 35. Com a sua chegada, o relacionamento com Eduardo, que é irmão de um ex-namorado de sua irmã, durou, ainda, 10 anos. Na época, a novidade fez muito barulho e trouxe ruídos para o ambiente familiar, que demorou menos de dois meses para retomar a tranquilidade. Em contrapartida, afastou-se das aulas por vergonha da barriga, que começou a marcar nas roupas. Com uma boa parte da adolescência sem poder ir ao cinema e às reuniões dançantes, garante que não se arrepende, pois o filho é sua razão de viver.

Com frequência, o telefone toca e avisa que ela terá companhia no final de semana para o almoço ou para a janta. A antecedência serve para que Cris faça o prato preferido de Gui: arroz, batata frita, bife à milanesa e feijão. Seu maior orgulho é ver quem ele se tornou: “Está formado e bem encaminhado pessoal e profissionalmente”. O personal training, que mora sozinho em um apartamento no bairro Azenha, possui um vínculo forte de amizade com a profissional de Marketing, com quem compartilha absolutamente tudo. “Era para ser. Ele é um presente de Deus na minha vida”, afirma, com gratidão.

Além destes, cozinha o que chama de trivial, ainda mais com a chegada de Cristofer há pouco menos de um ano. Vegetariano, o namorado é responsável por preparar receitas mais elaboradas, ao passo que são mais leves e saudáveis. “Ele adora cozinhar e me ensinar a cultura dele. Estamos em uma relação madura e harmônica, que nos permite resolver com tranquilidade as questões do dia a dia.” Com a união dos dois, ambos com filhos de outros casamentos, as refeições ficaram mais completas.

Virada nos planos

Ao contrário da maioria dos profissionais atuantes na Comunicação, Cris é graduada em Letras, com habilitação em Português, Espanhol e Inglês, pela Fapa. Quando ingressou na Publicidade, decidiu cursar pós-graduação em ‘Gestão em Marketing’ e ‘Marketing e Relacionamento’ na ESPM-Sul. A partir destes conhecimentos e da vivência diária no segmento, foi convidada, em 1989, para integrar o time Comercial da RBS TV, onde passou pelos departamentos de Divulgação e Comunicação e Planejamento e Marketing. De lá, recebeu uma proposta de contratação do Grupo Bandeirantes, que não a segurou por mais de um ano, pois optou por retornar ao Grupo RBS, para trabalhar em Zero Hora e na TVCom.

Em 2001, a convite do então diretor do SBT RS, Ivan Daniel, iniciou uma história na emissora que dura há mais de 15 anos. Deste período, destaca seu envolvimento e participação nos processos de mudanças de comportamento e posicionamento da marca, que, em cada momento de sua carreira, foram diferentes – ora como assistente, ora como coordenadora de setor. “Hoje, faço planejamento e divulgação de novas campanhas locais.” Das 40 horas semanais que trabalha como um braço Comercial da matriz de São Paulo, também ressalta que o que mais admira são o convívio e a relação que construiu com os colegas.

Para fazer a gestão, usufrui dos aprendizados que um livro sobre inteligência emocional lhe ensinou. Após a leitura, fez uma análise de como deveria trabalhar o psicológico das pessoas, buscando ressaltar as qualidades a fim de resultar em rendimento pessoal e profissional. Em sua avaliação, falar somente os defeitos afeta no desenvolvimento individual e coletivo em que se está inserido. “Essa leitura me marcou e, desde então, cuido muito como me dirijo a elas”, afirma, zelosa.