Claudia Gonçalves: Vontade de fazer

Sócia-diretora da Dez Comunicação e vice-presidente da ARP, Claudia Gonçalves revela-se apaixonada pela profissão

Intensidade e inquietude são dois termos bastante usados por Claudia Gonçalves e que resumem bem a personalidade da sócia-diretora da Dez Comunicação. Revelam também características em comum entre a Publicidade e a vice-presidente de Relações Estratégicas da agência, agora também vp da Associação Rio-grandense de Propaganda (ARP). De pensamento e fala ágil e com 25 anos de mercado, busca a superação em tudo que faz. Para ela, "não existe: fiz e está bom. Mas sim: fiz, e o que posso fazer melhor?".
"Profissional de poucas agências", como se define, ingressou na Dez em 1996, na área de Atendimento, ajudando a criar o departamento. Mais tarde, passou a diretora, assumiu outras áreas como Planejamento e Mídia, até ocupar a posição atual. "Foram 16 anos, que voaram numa trajetória muito ascendente. A Dez hoje é reconhecida no mercado, é uma marca relevante, e fico muito feliz de ter ajudado a construir essa marca, que ainda tem muito pela frente", acredita.
Foi na extinta produtora de vídeo Imago que iniciou a carreira e, como Atendimento, pôde conviver com grande parte das agências de publicidade da época. Após, teve passagem pela antiga produtora Zero 512, pela Norton, de São Paulo, e pela Escala. O primeiro contato com o ambiente da propaganda, entretanto, foi mais cedo, quando ainda com cinco anos atuava em campanhas de rádio e TV.
Apesar da proximidade com o meio, garante que, quando criança, nunca desejou ser publicitária. A adoração pelos animais a levou a decidir-se por Medicina Veterinária no vestibular, mas, em pouco tempo, percebeu que aquela não era a profissão que queria e partiu para a Comunicação. O gosto pela leitura, pelo contato com o público e pelos relacionamentos foi i, dos fatores que a conduziram à Publicidade.
Para a provocação, a superação
Claudia acredita ser alguém com grande capacidade de realização, senso de engajamento e motivação, enfim, uma pessoa que faz acontecer. Para ela, desafios não apenas são bem-vindos como necessários. "Quando as coisas estão ficando muito iguais, crio logo algo para fazer diferente", esclarece. É justamente um desafio o momento lembrado por ela como um dos mais marcantes da carreira.
Era 1997, quando a Dez conquistou a conta da Telefônica Celular, segmento praticamente desconhecido pelo mercado à época. "Aquilo virou a agência e a minha vida de cabeça para baixo. Trabalhava 15, 16 horas por dia até em fins de semana, lendo, aprendendo tudo o que podia. E todos nós aprendemos, inclusive o mercado", avalia.
Recorda que, para estabelecer a companhia no Brasil, o grupo espanhol tinha um plano bastante audacioso. Mesmo assim, todas as metas foram atingidas pela agência, fazendo com que o cliente alcançasse boa participação no mercado. "Foram três anos de trabalho intenso, com resultados espetaculares. Desse período, tenho o maior orgulho de ter ajudado a desenvolver profissionais, que eram meus estagiários e assistentes na época, e hoje são diretores de departamento, de empresas". Acredita que o episódio contribuiu para o crescimento profissional e para o desenvolvimento da habilidade de gerenciar pessoas.
Pluralidade no agir e interagir
"Rotina pra mim é não ter rotina." Assim ela explica a vida como publicitária, acrescentando que a única atividade realmente definida ao acordar é ir para a Dez. Até organiza na agenda um gerenciamento cotidiano, mas dificilmente é possível mantê-lo, já que, na verdade, o andamento do dia não é ela quem dita. "Sou muito do que demandam de mim. Meu tempo é dos clientes, da Dez, dos funcionários."
A fuga à monotonia, aliás, é uma das particularidades da Publicidade que a atrai na profissão. "Sempre surge uma nova forma de comunicar, de pesquisar, de se relacionar e, por conta dessa evolução, precisamos ser muito criativos, inovar sempre. Esse binômio "criação-inovação" nutre muito a atividade e é isso que me encanta", resume.A busca constante por atualização, a riqueza de informação, e as experiências culturais, comportamentais, intelectuais também integram a lista.
Longe de ter gurus, é no cotidiano que Claudia encontra sua inspiração. A verdadeira admiração está nas atitudes, no pensamento, no trabalho e na persistência de pessoas com as quais convive. Acredita que o relacionamento com diferentes culturas e referências rende sempre um aprendizado. "Pode vir de um assistente, que eu sei que "rala" muito, tem uma perseverança absurda e eu acho isso bárbaro, porque sei o quanto se precisa provar e como cada vez é mais complicado", explica.
Com pessoas e animais
Claudia é a filha do meio de Lourdes Antônia Giombelli Gonçalves e do representante comercial Enildo Alfredo Vieira Gonçalves, numa prole de três, composta ainda pelos irmãos Carla e Edilson. Da infância, além das brincadeiras de rua com a turma do bairro, duas lembranças surgem na memória com carinho. A primeira delas mostra que o interesse pelos relacionamentos e pela proximidade com as pessoas parecia aflorar já naquela época. Lembra que a mãe levava o irmão mais novo à escola e, ao retornar, não a encontrava em casa. "Estava sempre na casa do vizinho do lado, do vizinho de cima, do vizinho de baixo", recorda. O sapateiro da esquina e a professora também eram brindados com visitas: a vizinhança era sua casa.
Adoradora dos animais, ela relembra também que, durante muito tempo, a mãe não permitia ter cachorro em casa. A limitação, porém, não foi obstáculo para que tivesse outros bichos, como peixe e tartaruga. As investidas foram tantas que, quando estava "prestes a montar um zoológico", a mãe cedeu e, enfim, comprou o animalzinho. A paixão é alimentada até hoje e compartilhada com o atual mascote da família, um lhasa apso.
Na folga da publicidade
O gosto por frutas é praticamente um vício para Claudia. Quando vai ao mercado, enche o carrinho com elas e depois sofre por não conseguir consumi-las. O exercício físico é outra parte essencial no seu dia a dia. "É igual a tomar banho", compara em tom de brincadeira. Ginástica, Pilates, corrida e andar de bicicleta são alguns dos esportes que pratica. Além de, é claro, acompanhar os filhos Felipe, 12 anos, e Rafael, 9, nas brincadeiras de skate e futebol. Ao lado deles e do marido, o engenheiro agrônomo Daniel Gudde, é que gosta de passar os momentos de lazer, quando vão ao cinema e ao teatro, entre outras atividades.
É na mesma companhia que vive o que chama de momento de realização, período no qual ficam todos deitados na cama, tapados até o pescoço, apenas curtindo o momento. "Sempre digo que amigo e família é bom porque podemos apenas ficar sentado ao lado, sem precisar dizer nada, e só a companhia já nos tranquiliza, nos traz paz", explica.
Juntos há 26 anos e casados há 16, agradece o apoio do marido durante a trajetória profissional, ao lembrar que nunca recebeu qualquer cobrança pelos momentos de ausência em razão das constantes viagens a trabalho. É no esposo que encontra o ponto de equilíbrio à sua personalidade mais pragmática. "Ele sempre consegue descontrair, deixar o ambiente mais leve e essas virtudes são complementares ao meu jeito mais ortodoxo. Essa combinação me faz um ser humano melhor", sintetiza.
Pensando no amanhã
No campo pessoal, a busca é pela tranquilidade. Diz que queria ser mais calma, no sentido de poder relaxar para ter um rendimento maior em determinadas situações. "Hoje, nós somos consumidos pela palavra reunião e são essas pequenas coisas que, no somatório, fazem uma diferença muito grande", acredita.
Já no profissional, o projeto futuro é fazer mestrado para poder lecionar, pois vê a docência como um processo de constante reciclagem. "A gente aprende e ensina. É uma forma de estar com pessoas mais jovens, que te proporcionam um refresh", explica.
Crê que tem na sinceridade e na amizade suas principais qualidades. Confessa que a franqueza excessiva já lhe rendeu críticas e é, hoje, razão de cuidados. Já os defeitos ficam por conta da ansiedade, que, para ela, ainda precisa ser trabalhada. Ao avaliar o caminho percorrido até aqui, não hesita em dizer que é uma pessoa realizada. Do contrário, simular seria bastante difícil. Isso porque, de energia latente, não consegue esconder quando algo a abala. "Sou movida pela felicidade", reafirma.
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