David Coimbra: Do Wagener ao Coimbra. As paixões de David

O depoimento de Nei Manique sobre o amigo David Coimbra, de certa forma, define o estilo do jornalista. Um apaixonado por futebol, comunicação, e, …

David Coimbra - Reprodução

O depoimento de Nei Manique sobre o amigo David Coimbra, de certa forma, define o estilo do jornalista. Um apaixonado por futebol, comunicação, e, principalmente, por mulheres. David Wagener Coimbra nasceu em 28 de abril de 1962, em Porto Alegre. Passou praticamente toda a infância nas ruas do IAPI, junto ao irmão e à irmã, que vivem até hoje na Capital. Aos oito anos, quando os pais se separaram, ele já tinha uma significativa coleção de gibis e se deliciava com os livros de História Universal que faziam parte do acervo da mãe, na época professora primária. Foi mais ou menos neste período que David se apaixonou pela primeira vez.

Um namoro de infância que para o jornalista teve caráter de paixão. "As pessoas dizem que uma criança de seis anos não fica apaixonada. Mas eu era muito apaixonado pela Maria Cristina, foi uma história muito violenta de amor". Assim, as histórias de amor começaram a fazer parte da vida de David Coimbra.

O neto do sapateiro

Neto de alemães, David Coimbra herdou a saga de contador de histórias do avô, Walter Wagener, um sapateiro que teve papel fundamental na sua trajetória. "Meu avô era alemão, e acho que ele tinha muita ambição intelectual, apesar de ser um sapateiro. Então, eu tive muita influência dele na arte de contar histórias". O avô de David aprendeu a ler e escrever sozinho, lia jornal todos os dias, da primeira à última página, era um autodidata possuidor da cultura geral advinda dos livros e jornais. Um exemplo que, segundo David, fez muita diferença nas características criativas e literárias do jornalista. "As histórias que meu avô contava eram reais, histórias de futebol, de guerra e política. Muitas dessas histórias me inspiram hoje".

A história de David com seu avô lembra bem os clássicos da literatura, como o filme italiano "Cinema Paradiso" e o livro de Sérgio Caparelli, "Vovô fugiu de casa", onde as diferentes gerações se aproximam numa relação de amor, respeito e herança de legado cultural. David já expressou seu carinho pelo avô em suas crônicas, como é caso do texto "No tempo de Ao Carancho", onde o escritor fala das histórias de futebol contadas pelo avô. Além disso, seu primeiro romance - que ele se prepara para escrever - vai ser inspirado em uma história relatada pelo avô alemão.

O jornalista David Coimbra

O jornalismo é também uma paixão para David. O gosto pela leitura acabou o encaminhando para a escrita, e com isso, ele decidiu pela comunicação. "Quando eu era piá, editava um jornalzinho na escola, e, ao entrar na faculdade de jornalismo, já trabalhava na Livraria Sulina, fazendo assessoria de imprensa". David formou-se em 1984 e no ano seguinte estreou no Diário Catarinense. A partir daí, dedicou-se à TV, ao rádio e principalmente ao jornal impresso, já que sempre foi apaixonado por trabalhar em redação.

David já recebeu diversos prêmios de jornalismo, entre eles o Prêmio Ari. Atualmente é o editor de esportes de Zero Hora, onde escreve uma média de seis textos por semana. "Eu tenho que estar sempre criando alguma coisa e procuro me concentrar nisso?". E foi esta concentração que fez com que a equipe da redação de ZH descobrisse uma mania do editor: perceberam que enquanto está criando, fica com um ar distraído, girando o relógio de pulso entre os dedos. O primeiro livro do escritor foi "800 Noites de Junho", sobre o caso Daudt, pela editora Artes e Ofícios. Logo depois, pela mesma editora, lançou "A História dos Grenais".

Novamente em Santa Catarina, David foi contratado pela Universidade para escrever uma série de livros, "Escrevi 'Atravessando a Escuridão', sobre um comunista que foi torturado, e depois não escrevi os outros porque a ZH me contratou de novo, dessa vez como editor de esportes". De lá para cá, já editou mais quatro livros, "A Mulher do Centroavante", "A Cantada Infalível", "A Viagem" e "Crônica da Selvageria Ocidental".

A rotina de um apaixonado

A rotina de David está intimamente ligada às suas paixões. Acorda pela manhã e faz natação, inglês ou anda de bicicleta pela Avenida Beira Rio. Coisa de um apaixonado por Porto Alegre. E esta paixão ainda se reflete na freqüência que David dedica aos bares, restaurantes e cinemas da capital. O jornalista, apaixonado pelo futebol, também inclui na sua rotina jogos com o pessoal da Zero Hora. A relação da paixão com a literatura, o escritor já vem exercitando há muito tempo. "Os primeiros romances que eu comecei a ler e gostei muito foram da Agatha Christie, fiquei alucinado e li todos os livros dela", afirma.

Atualmente, gosta dos autores americanos, um estilo que foi eternizado por Ernest Hemingway, de texto seco, agressivo, selvagem e frases curtas. Entre eles, John Steinbeck, e Francis Scott Fitzgerald. Da rotina de David ainda fazem parte o cinema, os encontros com os amigos, o chope e o namôro. Depois de idas e vindas com namoradas, já aprendeu muito sobre o relacionamento amoroso. "Hoje vejo um relacionamento com muito mais responsabilidade e fui aprendendo com o meu próprio sofrimento. E não só por mim, mas quando tu desferes o golpe no outro é uma coisa muito dura".

Influências

Esse David, mais maduro, acredita que a sociedade está vivendo uma cultura de desistência das coisas, dos sentimentos e até mesmo dos lugares. "Se às vezes se está num bom emprego, num bom lugar, por que não ficar? Por que não viver a vida toda em Porto Alegre? Quando se está num lugar, se constrói coisas a nossa volta. Isso não impede que tu sejas uma pessoa desenvolvida". E é dessa forma, sem desistência, que David valoriza as pessoas que ele considera de fundamental importância na sua formação cultural e pessoal.

É o caso do avô, Walter Wagener, da mãe, Diva Maria Wagener, e dos amigos Nei Manique, Adelor Lessa e Emanuel Gomes de Mattos, este último "seguramente, um dos melhores editores do Rio Grande do Sul", garante David. Ao falar de si mesmo, David acredita que é um homem esforçado, que tenta ser leal, e que acima de tudo acredita no amor. "Mesmo escrevendo eu tento fazer isso, tento não ser agressivo com o que escrevo. Posso até criticar alguém, mas não por agressividade. Se sei que alguém ficou chateado, triste por alguma coisa que eu escrevi, fico muito mal".

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