Fabiana Becker: Entre laços e compassos

Com 20 anos de carreira, ela garante que a comunicação organizacional é coisa do destino

Fabiana Becker - Divulgação

Formada em Relações Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) desde 1999, Fabiana Becker iniciou a graduação por ter afinidade com o grupo de colegas da gêmea Alessandra Becker, formada no mesmo curso. "Eu queria Odontologia, mas não passei no vestibular. Já conhecia a turminha que tinha afinidade com minha irmã, achava eles muito legais. Pensei comigo: por que não?", relembra. Após esta experiência "às cegas", ela garante ter sido destino os rumos profissionais que a brindaram com a Fale Consultoras, empresa da qual é sócia da irmã.

Depois de ter passado por uma experiência no Grupo RBS no início da graduação, Fabiana teve a errônea convicção de que comunicação interna não era seu caminho. "Me apaixonei pela aula de um professor. Era às 7h30 da manhã. Falávamos sobre comportamento do consumidor, eu comecei a estudar a respeito, já querendo abandonar meu curso para ingressar em Marketing", confessa. Mas foi após uma conversa com a mãe, Dagma Baroni, que pediu para que ela concluísse Relações Públicas, com a promessa de que cursaria o que quisesse depois, que a profissional se convenceu a assim fazer. 

Em 2000, logo em seguida do término da graduação, emendou pós-graduação em Varejo e E-commerce, o que garantiu sua mudança para Caxias do Sul dois anos depois. Lá, trabalhou na Lojas Colombo e cursou pós-graduação em Marketing na Universidade de Caxias do Sul, fazendo com que se cumprisse o juramento de sua mãe. Mudou-se ainda para Jaguará do Sul, em Santa Catarina, para trabalhar na Rede Breithaupt, especializada em materiais de construção - e onde teve a oportunidade de trabalhar com Marketing pela primeira vez. Foi quando estava nas Lojas Berlanda, em Curitibanos, que foi convidada pela irmã para voltar ao Rio Grande do Sul.

Desde então, as filhas de Tadeu Dutra Becker tocam a Fale Consultoras, empresa que Fabiana garante ser a resposta do destino daquela tentativa de afastar-se da comunicação dentro das organizações. "A vida me puxou de volta e eu consegui convencer a Ale, que sempre trabalhou dentro de agências de publicidade, a também se apaixonar pela comunicação corporativa", comemora. 

No meio disso

Com o nascimento da filha Daniela Becker, hoje com 12 anos, Fabiana começou a repensar no ritmo acelerado que sua vida tinha. "Eram muitas viagens, não havia tempo para acompanhar o crescimento e os momentos especiais que ela passaria", justifica, contando que foi em 2010, no momento em que já estavam morando sozinhas em Santa Catarina, após o rompimento com Gilmar de Oliveira, que ela recebeu a proposta de se mudar para mais longe ainda, mas optou por não o fazer. "Voltei e acordei com minha irmã que os momentos especiais da minha filha são inegociáveis", afirma, categórica.

Atualmente, leva a filha para a escola e a incentiva a investir o tempo em atividades extracurriculares e a correr atrás de seus sonhos. "Ela já fez ballet, já fez aulas de inglês e coreano, porque quer muito viajar", menciona, com admiração. E deixa claro que a bola da vez é novamente a dança: "Agora, a Dani está aprendendo a dançar K-pop, porque está apaixonada pelo estilo musical".

Há cinco anos namorando com André Warlich, quem a inspirou a gostar de velejar, ela ganhou Dora, de 11 anos, como enteada. Juntos, eles passam fins de semana e feriados em Porto Alegre ou apresentando histórias para as garotas. "Elas se consideram irmãs, se dão muito bem e formam uma dupla peculiar", diz, referindo-se ao fato de que Daniela é questionadora e eclética, enquanto Dora é introspectiva e observadora.

Filha de pais que se separaram aos seus oito anos, Fabiana também tem Nathalie como irmã caçula (por parte de pai), algo que, para ela, deixa muito claro quem tem o poder de decisão na família. "Somos nós, as mulheres. Tenho meu afilhado, que veio para tentar equilibrar, mas ainda somos em maior número, difícil reverter", assegura, aos risos. Apesar disso, a união faz parte da família e as relações, tanto entre ela e o pai, quanto entre Daniela e Gilmar, nunca sofreram qualquer abalo. "Temos a cultura de preservar nossos elos. Somos todos parceiros e convivemos bem, sem histórias mal contadas ou atrito pessoal. O amor é o que nos une e nunca será diferente", garante. 

Tendo sua mãe como exemplo de mulher, a profissional rememora que nunca percebeu momentos de fragilidade em dona Dagma. Para Fabiana, a professora de matemática aposentada sempre foi a base na construção de sua consciência sobre a importância de lutar pelos direitos das mulheres. "Na época em que meus pais se separaram, era muito mal visto quando mulheres eram divorciadas e com filhos. Nunca vi minha mãe se perguntar o que pensavam dela. Pelo contrário, sempre a vi lutando muito para provar que isso é normal", lembra, emocionada. 

Mulher de fases

Com 43 anos, a relações-públicas analisa que está em um momento onde há três escolhas: "Ou eu me apego ao passado e fico competindo com ele e querendo voltar no tempo; ou desisto e me conformo com as experiências que já vivi, sem buscar por novas; ou ainda, busco uma evolução espiritual". E não foi para a religiosidade que caminhou a conversa. A verdade é que a evolução entendida por ela é muito ligada ao fato de continuar pensando no futuro, olhando para frente, querendo novas experiências, se abrindo para o novo. Demonstrando entusiasmo e convicção, ela deixa clara a sua vontade de seguir contribuindo para a construção de um futuro melhor para todas as pessoas que cruzarem ou não seu caminho.

Racionalidade extrema e ceticismo são apontados por ela como defeitos que carrega desde que se entende por gente. "Minha filha consegue me acessar melhor, mas não me deixo levar. Sou extremamente questionadora. Queria ter um perfil de deixar as emoções aflorarem melhor e mais livres, mas é uma construção árdua", relata. Em contrapartida, o poder de persuasão, que ela observa como característica, pode ou não ser sua melhor qualidade. A dúvida, segundo ela, se dá porque os lados positivo e negativo são separados por uma linha muito tênue. Fabiana também aponta em si o engajamento como atributo. "Não tem tempo ruim, só damos desculpa para aquilo que não queremos fazer", ensina.

Praticante de esportes, por entendê-los como facilitadores do desenvolvimento da comunicação, Fabiana diz que, graças ao empenho do namorado em levá-la para velejar, hoje, consegue perceber a importância de manter o foco e saber como fazer para que isso aconteça. "Quando estamos lá - no barco - é um momento em que desligamos do mundo. Qualquer falha no trabalho em equipe faz com que a gente afunde. Isso acontece também no nosso dia a dia. Tive a sorte conseguir de captar essa mensagem", valoriza.

A aquariana, de 30 de janeiro, observa em si a constante busca por ideais e é, nessa luta, que utiliza da capacidade que tem de mobilizar pessoas. Ela entende que do seu signo traz também a consciência coletiva. "Minha filha vive dizendo: aquarianos não gostam de humanos, gostam da humanidade", adverte. O que a salva, conforme seu pensamento, é o ascendente em Capricórnio, que a mantém com os pés no chão.  

O futuro é continuar incomodando

Professora nos cursos de férias na ESPM-Sul, a relações-públicas adianta estar se preparando para lecionar em cursos de graduação de Porto Alegre, pois observa a necessidade de ressignificação da Educação. O mestrado em Design é para poder olhar os movimentos desse cenário, conforme conta. O objetivo da profissional é perseguir a missão de perturbar quem está na zona de conforto e provocar reflexão de futuros profissionais.

Daniela entende o que a mãe faz e manda referência via WhatsApp constantemente. Ativista da causa LGBT, a garota explicou recentemente para Fabiana os conceitos de pansexualidade, bissexualidade e transexualidade. "Aprendo muito com ela, gosto desse olhar humano que ela tem", exalta, orgulhosa da herdeira. Questionadora, assim como a relações-públicas, a menina tem uma excelente oratória e consegue o que quer com discursos bem fundamentados. "Acabo não negando o que acredito que seja parte da sua formação. Garanto a ela o direito de experimentar", frisa Fabiana. Um tanto quanto obstinada, Dani deixa a mamãe ainda mais orgulhosa pela demonstração de estar disposta a fazer sacrifícios em nome dos seus objetivos. "Ela está cada vez mais resiliente, porque exercita a paciência. Minha filha é estrategista", conclui, envaidecida.

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