Jurandir Soares: Antenas no mundo

Em 50 anos de dedicação, o jornalista especializado em política internacional orgulha-se com a credibilidade do seu trabalho, conquistada dia-a-dia

Aos 65 anos, o jornalista Jurandir Soares esbanja entusiasmo. Especializado em política internacional, é apresentador dos programas O Mundo na Guaíba, Guaíba Revista e Projeto Mercosul, na Rádio Guaíba. Mesmo com 50 anos de jornalismo, demonstra disposição e o prazer em atuar em cada comentário. Também é colunista, na mesma área, no Correio do Povo, e apresentador do programa de debates Atividade, na Ulbra TV. Uma das conquistas que preza muito é a credibilidade do seu trabalho, alcançada ao longo dos anos. "Essa é a maior bagagem que eu tenho: a credibilidade profissional", emociona-se, ao registrar o reconhecimento que recebe de colegas, amigos, desconhecidos, autoridades.


Para Jurandir, o segredo é dedicação e responsabilidade, além de sempre destacar o lado positivo das coisas e ver o futuro com otimismo. "Mas se eu te disser que me sinto realizado, acho que eu teria que parar com tudo? Quero ir muito adiante, ainda tem muita coisa pela frente. Até porque, como a área da comunicação é muito visada e disputada, conseqüentemente exige que, a cada dia, o profissional se renove, se recicle e enfrente novos desafios. Tem que estar antenado sempre", alerta.


Por conta de sua experiência e conhecimento sobre as questões do mundo, é autor de três livros: "Israel x Palestina - As raízes do ódio" (1989) e "Oriente Médio - de Maomé à Guerra do Golfo" (1991), lançados pela Editora da UFRGS, e "Iugoslávia - Guerra Civil e Desintegração" (1996), da Editora Novo Século.


Vocação precoce


Jurandir Soares dos Santos nasceu em Canela, em 29 de julho de 1943. Aos cinco anos, a família se mudou para Taquara. Ainda piá, com apenas 12 anos, já dava "pitacos" na emissora de rádio da cidade, participando de programas de auditório. "Já comecei a tomar gosto, me identifiquei?", conta. Logo, aos 13, já começava a fazer os primeiros trabalhos na Rádio Taquara. Foi assim até completar 15 anos, quando foi estudar em colégio interno de Novo Hamburgo. Mesmo assim, não deixou de lado a área em que atuaria para o resto da vida. Fazia o serviço de "auto-falante" da escola e também o jornal do time de futebol de salão do qual fazia parte, nos finais de semana, em Taquara.


Concluído o curso, por influência da família, "aquela vontade dos pais de o filho ter uma profissão bacana - ?tem que ser médico? -  me atirei na aventura de fazer vestibular, por dois anos consecutivos, para Medicina. E evidente que não passei porque não tem nada a ver", diverte-se. Depois desta tentativa, começou a refletir sobre as suas origens, até dar-se conta que tudo o que gostava de fazer estava ligado à comunicação. E assim foi simples decidir: sem contar para a família, prestou vestibular para Jornalismo na PUC. Aos 23 anos, já morando em Porto Alegre , passou a atuar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), através de concurso público, na área administrativa. Mas aos poucos passou a tomar conta de algumas atividades ligadas à sua área, como um boletim dos atos emitidos pelo Departamento de Pessoal. "Além daqueles atos normativos, comecei a inserir notas e notícias", relembra.


Em 1970, quando estava se formando, Jurandir fundou o Jornal da Universidade, primeira publicação da instituição de ensino. Em seguida, também participou da estruturação da primeira Assessoria de Imprensa da Ufrgs. Paralelo a tudo isto, já formado - é da mesma turma de Ana Amélia Lemos, Geraldo Canalli, Marques Leonan e Alberto Blum, entre outros nomes -, em 1971 começou a trabalhar na Editoria de Geral da Folha da Tarde. "Porque o jornalista, pra sobreviver, não o fazia com um só emprego. Tinha que ter dois, três empregos. Então, durante muito tempo da minha vida, eu trabalhei em três lugares". Logo, foi convidado a atuar na editoria Internacional da FT, vespertino da Caldas Júnior que circulou até o início da década de 80. "Foi onde eu me apaixonei pela área", conta.


Repórter internacional


Inicialmente, o tema que chamou a atenção de Jurandir foi o conflito no Oriente Médio. Por conta deste interesse, o jornalista fez pós-graduação em Ciências Políticas com especialização em Relações Internacionais na Ufrgs. Envolvido pelas questões do mundo, passou a escrever uma coluna diária, na Folha da Tarde, que se chamava Repórter Internacional, com uma análise sobre os principais fatos ocorridos no mundo, o que faz até hoje na Rádio Guaíba. Em função desta atividade, teve a oportunidade de fazer muitas viagens. Jurandir destaca, com gosto, um convite que, na época, o distinguiu bastante. Em 1980, o governo dos Estados Unidos o convidou a conhecer o país, percorrendo, durante um mês, as principais cidades, jornais, televisões e revistas.


No ano seguinte, recebeu um convite do governo da Arábia Saudita para, também, visitar o país para tomar conhecimento das questões relacionadas ao Oriente Médio. A partir destes dois up grades,  Jurandir se tornou editor de Internacional e chefe de Redação da Folha da Tarde. Em 1982, passou a atuar também na TV Guaíba, fazendo comentários sobre a Guerra das Malvinas, conflito entre Argentina e Inglaterra. Em seguida, em função da mesma pauta, foi convidado a participar de programas na Rádio Guaíba. Também teve passagem pelo Correio do Povo como editor de Internacional, até 1984, quando o jornal fechou. Em 1986, com a reabertura da publicação, voltou na mesma função e depois passou a ser chefe de Redação.


O jornalista conta que em 1989 se deu um dos fatos mais marcantes da sua vida profissional. Foi quando ele foi cobrir a queda do muro de Berlin e a primeira eleição da Alemanha reunificada. "Eu tive a oportunidade de percorrer as duas Alemanhas: oriental comunista e ocidental capitalista, e perceber a diferença enorme que existia entre uma e outra, uma diferença que estava ali, bem marcante ainda." Em 1991, deixou o Correio do Povo para atuar na Plural Comunicação, mas continuou atuando na TV Guaíba. Na Ufrgs, ficou até 1992, quando se aposentou.


Em 1999, voltou para a Rádio Guaíba para substituir Mendes Ribeiro na apresentação de "A Hora e a Vez". Em seguida, o jornalista estreou no Bom Dia, novo nome dado ao programa, além de fazer comentários de política internacional ao longo da programação da emissora e coluna no Correio do Povo. Logo, estreou, também, os semanais O Mundo na Guaíba e Projeto Mercosul, programas que apresenta até hoje, além do Guaíba Revista. Atualmente ainda faz comentários internacionais em vários programas da emissora AM. E, desde o último mês, emite suas opiniões também na Guaíba FM. Todos os assuntos da área internacional estão no site do jornalista, atualizado diariamente.


Pai orgulhoso e avô de primeira viagem


O jornalista se emociona ao falar da família e de sua trajetória profissional. "Uma das maiores gratificações é o cara se realizar como pai, também, não só como porfissional. E conseguir conciliar a tua vida profissional, o que é muito difícil trabalhando em dois ou três lugares, com a vida pessoal", acredita. Há 35 anos é casado com a socióloga e administradora Elizabeth, 55 anos, que trabalha com transferência de tecnologia na PUC e também é professora da pós-graduação da instituição. Menciona orgulhoso os filhos: Rafaela, 32 anos, arquiteta, mãe de João, que nasceu no último dia 17 de novembro; Tiago, 29, jornalista, um dos sócios da agência digital W3Haus; e Fábio, 25 anos, administrador.


Apesar de apenas um dos filhos ter seguido a profissão do pai, todos eles, de alguma maneira, têm contato com a área. É que "entre os oito integrantes, nós mais os três agregados, cinco são jornalistas!", diverte-se ao citar uma das peculiaridades da família. E hoje, olhando para trás e avaliando todo o caminho percorrido, Jurandir não tem dúvidas de que a escolha foi acertada: ele faz o que gosta. "Eu curto tremendamente chegar aqui, sentar na frente do microfone, ladeado por outras pessoas, e apresentar um programa ou conduzir um debate ou uma entrevista. Isto é muito agradável, é muito gratificante. É uma atividade que te dá vigor, que te dá vida".


Considera que um dos seus defeitos é não ser marqueteiro do próprio trabalho, o que evidencia uma das características de seu perfil: a humildade. E acredita que a responsabilidade para com os compromissos que assume também figura entre seus atributos.


Fugindo da rotina


Como não poderia ser diferente, Jurandir também gosta muito de conhecer lugares. Certo de que viajar sempre foi muito importante. Por isso, sempre que possível e pelo menos três vezes ao ano, ele e a esposa conciliam viagens de trabalho com alguns dias de lazer. Nem assim o jornalista deixa de trabalhar. "Exceto o Guaíba Revista, onde sou substituído, eu faço tudo de onde eu estou", explica, contando que carrega consigo um laptop totalmente equipado com todas as tecnologias de áudio necessárias para que seja possível enviar qualquer material pela Internet.


Sempre gostou de jogar futebol, seja salão, futebol sete ou até de campo. Desde 1976, faz parte de um grupo que se reúne todos os sábados para partidas contra adversários. São amigos que vieram de Taquara para a capital gaúcha. "Eu, com toda esta minha estatura avantajada, sou goleiro", brinca, numa referência à altura, 1,70 metros . Parou de jogar futebol de campo poucos anos atrás, quando passou o bastão para um dos filhos. Hoje, ele comparece pra bancar o treinador. Segue praticando futebol sete, com o mesmo grupo, que joga entre si durante a semana. Jurandir é gremista e conselheiro do Clube. Há mais dez anos, descobriu outra atividade esportiva que lhe dá muito prazer: toda terça e quinta-feira, joga padel.


O ativo Jurandir gosta de reunir filhos e amigos para um bom churrasco. No seu local favorito: "Estes anos todos de trabalho e luta nesta profissão me proporcionaram ter hoje o meu apartamento de cobertura, com uma lareira para curtir o frio e tomar um vinho, e a minha churrasqueira com espaço para receber as pessoas que eu gosto. Então, o churrasco de domingo é sagrado".

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