Luís Augusto Generali:

O prazer em trabalhar com equipes, a vontade de poder gerir um investimento diferenciado e a determinação organizacional foram argumentos suficientes para que ele …

O prazer em trabalhar com equipes, a vontade de poder gerir um investimento diferenciado e a determinação organizacional foram argumentos suficientes para que ele deixasse de lado a Economia e mudasse o foco para a Administração de Empresas. De erro estratégico, o gosto pela Economia acabou dando uma base ainda maior para trabalhar um investimento que exige controle rígido por seu caráter inovador. O executivo Luís Augusto Generali, 47 anos, soube tirar proveito disso para chegar, hoje, à Gerência Geral do Diário Gaúcho, rebento mais novo do grupo RBS. Nessa casa, onde está há 15 anos, Generali encontrou além de grandes amizades um espaço para colocar em prática seus conhecimentos e sua satisfação em administrar um negócio que abre um novo filão no mercado editorial gaúcho. Para isso, Generali preparou-se com uma especialização na área de administração, na Jacksonville State University (EUA). "Tinha optado pela Economia, incentivado pelo meu pai, que também era economista, mas descobri logo que é um trabalho, na maioria das vezes, chato e no qual as carreiras custam a deslanchar", reconhece. Natural de Porto Alegre, foi em empresas da Capital gaúcha que o executivo iniciou a sua formação profissional, dirigindo sua atuação para a gestão de pessoal, como ocorreu na Tumelero e Casas Lyra. Em 86, começou sua carreira na RBS, local onde transitou pelos principais veículos do grupo. "Meu trabalho aqui dentro me deu o que esperava, culminando com a minha indicação para tocar esse maravilhoso projeto do DG", sustenta ele. Trabalhador persistente, Generali não se considera um workaholic, mas acredita que está conseguindo levar adiante um business plan que era menor no seu início, e que, hoje, está consolidado no mercado gaúcho.
SUPORTE FAMILIAR E SUSHI
Casado há 23 anos "com a mesma mulher, Astrid", o executivo entende que o suporte familiar e a convivência com os amigos são os componentes de maior importância no seu sistema de vida atual. "Profissionalmente, acho que essa experiência nova dentro da empresa está complementando tudo o que venho fazendo nos últimos anos, o que me permite dar mais atenção para meus filhos Fernanda, de 15 anos, e Leandro, de 13 anos", salienta. Generali mostra-se, também na questão família, um administrador nato. Os filhos foram planejados, já que diz ter a consciência de que os pais têm uma parcela de renúncia a assumir para buscar um direcionamento futuro dos mesmos "para que sejam ainda mais felizes", assinala. Esse fortalecimento familiar exige um pai presente nos finais de semana. Por isso, comemora o fato de, atualmente, o Diário Gaúcho lhe dar um dia de descanso completo, já que não possui edição dominical. "Eu sou o que se chama de publisher, uma peça responsável pela rentabilidade do produto, mas que consegue dissociar o trabalho quando o assunto é compromisso com a família", diz. Para aproveitar ainda mais esse tempo, Generali é um dedicado cozinheiro. "Embora esteja constantemente em dieta, já que sou diabético, não perco a chance de reunir amigos para alguns pratos especiais", comenta, dizendo ser um apreciador da culinária italiana. "Nesse caso, o problema não são as pastas, mas os molhos que ainda me preocupam um pouco", argumenta. É pelo comer bem e pela atividade física (acorda às 6h30min para um período de esteira) que consegue controlar o diabetes, sem a necessidade de insulina. "Também posso me atrever a fazer, para pequenos grupos, um sushi, já que desde o início dos anos 80 aprecio essa cozinha típica", sublinha. Os finais de semana também guardam espaços para ver um bom vídeo e para uma outra atividade forte: a navegação na Internet. "Nas madrugadas de sábado para domingo me disponho a conferir os sites que mais gosto, principalmente os da área de comunicação, como o boston.com (do jornal Boston Globe), o da INA (International Newspaper Association) e o ClicRBS, entre outros". Luis Generali também se diz um eclético quando o assunto é música. "Eu gosto daquilo que me agrada ao ouvido, por isso adoro clássicos para ler e estudar; MPB para alegrar a vida, mas não dispenso artistas populares bem ao estilo do Diário Gaúcho, sem nenhum preconceito", revela. Na área da literatura, o executivo prefere dedicar seu interesse a obras na área de business e comunicação, mas sempre com boa dose de entretenimento "que encontro em revistas e leituras como a do bruxinho Harry Potter". Os últimos livros na cabeceira são os que contam a história do New York Times e "Os Homens são de Vênus, as Mulheres são de Marte".
TRANSPARÊNCIA E EXPANSÃO
Tendo à frente a missão de comandar um jornal, embora não cuidando diretamente do processo editorial, Generali mantém reserva no tratamento de questões políticas. "Tenho uma visão apartidária, que é imprescindível para alguém num posto como o meu, mas vejo com bons olhos essa pressão da sociedade para que o país avance politicamente", fala, lembrando que cada vez há mais visibilidade dos problemas, dos escândalos e das ações de governos e políticos. Nesse sentido, o gerente-geral do DG enfatiza ser necessária uma visão econômica menos imediatista. Para ele, cresce a visão do social, que permite discutir intervenções mais humanizadas na política e na economia nacionais. O sentimento social, de participação e discussão também está presente quando trata de trabalho. Generali acredita que o desenvolvimento de um projeto que busca sucesso precisa ser feito de forma límpida. "Se fosse escrever um livro, o que não tenho a intenção, o nome seria Administração pela Transparência, única forma que entendo ser possível definir objetivos claros, planejar o que fazer e sem dúvidas, agregando pessoas para se alcançar o sucesso", ressalta. Esse é o caminho que Luís Augusto Generali vem trilhando para concretizar o seu atual projeto, que é o de consolidar ainda mais o DG, expandindo sua área de abrangência para todo o RS. Atualmente, o diário vende mais de 8 mil exemplares fora da Região Metropolitana de Porto Alegre. "Esse é um dos produtos mais interessantes dos últimos tempos no mercado de comunicação, um somatório de talentos, tanto de executivos como de profissionais, e por isso estou aqui com o único objetivo de agregar e conduzir essa equipe", argumenta. Para tanto, Generali cita o trabalho desenvolvido por alguns gaúchos como Maurício e Nelson Sirotsky e Jorge Gerdau. "São bons exemplos daquilo que considero como ferramentas para o sucesso, a capacidade de agregar pessoas com uma visão positiva para fortalecer um objetivo comum", finaliza.

Comentários