Max Lacher: Um profissional, várias funções

O publicitário e professor revela suas preferências e fala da paixão por lecionar

Por Márcia Farias
Prazer em tudo o que faz. Esta é uma das premissas que norteia a vida do professor Max Lacher. Os olhos verdes claros, muito claros, aliás, brilham a cada vez que fala sobre a atividade acadêmica, a trajetória profissional e a família. Aos 50 anos, confessa que já tem certa dificuldade em lidar com a idade, mas nem pensa em parar de trabalhar. Formado em Publicidade e Propaganda pela Fabico, o interesse pela comunicação surgiu enquanto cursava a faculdade de Economia. Para desespero dos pais, Bruno e Ivanosca, a um ano e meio da formatura, após uma disciplina que incluía propaganda, decidiu mudar. Hoje, com mais de 20 anos rodados na profissão, tem certeza que a coragem deu frutos.
Atuando como diretor de Operações da ESPM-Sul, a nova função tem exigido diminuir cada vez mais a carga horária de aulas, mas a ideia não lhe agrada. Diz que o contato com os alunos é a grande paixão e o que o abastece até hoje. "É como botar o dedo na tomada e recarregar a bateria." Por outro lado, se tivesse que escolher entre as funções atuais, o desafio de atuar na diretoria é instigante. Aliás, a única coisa que o faz desistir de algo, ou nem tentar, é exatamente a possibilidade de não ter prazer no que faz.
Companheiros de vida
Casado com Zelândi há 25 anos, é pai de Rafael, de 10. Falar do menino faz aparecer, por diversas vezes, um sorriso que parece bobo, mas que exprime, na verdade, felicidade e orgulho: "Ele tem um ótimo humor, a não ser quando acorda. É muito ativo e adora esportes radicais, algo do qual fico um pouco longe. A minha vontade é que um dia ele corra ao meu lado, mas ele ainda não sabe disso", revela, explicando que foi pai tarde por decisão do casal. "Não acreditava quando me diziam que a paternidade era a melhor coisa do mundo. Hoje, entendo e concordo", completa, para em seguida destacar que o pouco tempo que sobra é dedicado a Rafael. "Longe do trabalho, momento é de curtir minha família, fazer churrasco, receber amigos e aproveitar o dia."
Para falar da esposa, não poupa elogios e diz acreditar que o casamento é baseado no companheirismo. "É uma grande parceira", resume, e alinha que entre as qualidades da companheira está o dom para a gastronomia. "Tudo que ela cozinha é irritantemente bom. Nenhum prato é apenas mais uma comida. Definitivamente, tenho uma mulher maravilhosa ao lado", derrete-se.
Os valores familiares que preserva hoje são herança dos pais. Max acredita que teve sorte de ser criado com muitas oportunidades, pois, além de apoio, os pais sempre se esforçaram para dar aos filhos tudo o que os próprios não tiveram. O professor ainda tem dois irmãos, a mais velha, Guitel, que também é publicitária, e o mais novo, o economista Eduardo.
Tênis, para que te quero
Esportista desde a adolescência, já praticou vôlei, futebol, basquete e até natação - a última modalidade conta que aprendeu "depois de velho", pois, apesar do gosto pelo exercício, o medo da água era grande e até um empecilho para cursar Educação Física, já que, na época de prestar vestibular, existiam as provas práticas e elas incluíam o nado. A disciplina para o esporte (e para tudo na vida, diga-se de passagem) ele atribui à experiência de ter passado pelo quartel. Aluno do CPOR, fazia parte de todas as equipes esportivas e isto, inclusive, fez com que o período de serviço à pátria fosse até considerado uma diversão.
Hoje, se tem algo que vai com Max para todo lugar é o par de tênis. A paixão atual é pela corrida e, para não perder o ritmo, a meta deste ano é participar de quatro competições propostas pelo Circuito Adidas. O folder de divulgação das datas está anexado ao mural em frente a sua mesa de trabalho e serve como motivação. Ele se reconhece como competitivo e, para exemplificar isso, conta, em tom de brincadeira, que quando treinava na Redenção, competia com os demais sem eles saberem. "Na verdade, eu sempre fui meu maior adversário", reflete. Vencido o medo de nadar, a prática até hoje tem espaço na vida de Max.
A importância dos mestres
Ao se encontrar na faculdade certa, tornou-se um aluno de destaque, e a primeira oportunidade profissional partiu de um professor, que o convidou para atuar na Riocel. A segunda chance também veio de um mestre, Laerte Martins, que no início da década de 1980 era dono da produtora Sabiá, onde iniciou a carreira.
Nesta época, na companhia de colegas da faculdade, Max montou o projeto de uma revista para público jovem. No intuito de vender a iniciativa para outro ex-professor, Sérgio Rosa (já falecido), apresentou a proposta. Apesar de negar o apoio à revista, Rosa estava disposto a contratar alguns integrantes do grupo para atuar com ele na assessoria de Marketing do Diário do Sul, pertencente ao Grupo Gazeta Mercantil. Max foi um deles.
Não demoraram a surgir novas oportunidades e uma delas foi para coordenar o setor de Marketing de Zero Hora. "Foi ali que descobri o que realmente estava fazendo, o que era de fato Marketing", recorda. Foi também no jornal que atingiu o cargo de gerente de produto e a primeira mudança mais radical do caderno Classificados foi feita em sua gestão, como orgulha-se de contar. O fato, inclusive, é destacado como o primeiro grande desafio da carreira.
Hoje, mestre
Com Mestrado em Administração com área de concentração em Marketing, Max se diz um apaixonado por ensinar. O encantamento aconteceu ainda na juventude, quando participou como voluntário no Mobral - movimento de alfabetização da década de 1970. É deste tempo, inclusive, que guarda uma lembrança especial - o melhor reconhecimento. Em certa ocasião, chegou na aula com um ar mais triste (nem lembra o motivo) e cumpriu sua atividade como sempre. No dia seguinte, entrou na sala e percebeu um pedaço de chocolate, enrolado em um guardanapo de papel. Ao perguntar para sua turma o significado do presente, ouviu de uma aluna: "Te achei tão triste ontem que quis alegrar a sua vida". "Aquele chocolate era até caro para a realidade deles, por isso encaro como o melhor elogio, porque é dado com carinho e sinceridade", avalia.
O gosto por lecionar cresceu ainda mais com a realização do Mestrado. E, novamente para desespero dos pais, Max deixou para trás uma carreira promissora como executivo de Marketing e decidiu atuar em sala de aula. "Eles até achavam que era uma fase passageira, mas ela dura até hoje", brinca. Estar próximo dos alunos faz com o mestre se sinta na obrigação de manter-se atualizado, mesmo considerando-se um dinossauro frente às novas tecnologias. Além disso, diz que é gratificante poder colaborar na formação pessoal dos estudantes.
Para chegar onde está, o professor deu aulas na Ulbra, na Fapa, na Famecos e em diversos cursos de Pós-Graduação por quase todo o Interior do Estado. Depois da academia, ainda vieram experiências em pesquisas e consultorias. Realizar sonhos? Ele responde com a serenidade que lhe é peculiar: "Quando eu era guri, queria ser rico e ouvia de um tio que, para isso, deveria trabalhar e não estudar. Decidi não ouvi-lo e resolvi que poderia fazer os dois".
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