Maysa Bonissoni: Marca registrada

Criatividade resume a vida da jornalista que deixou o interior de Santa Catarina para trilhar seu caminho no Rio Grande do Sul

Maysa Bonissoni - Edu Liotti

Ela sempre soube que queria ser jornalista. Chegou a cogitar Nutrição e até uma enquete feita com membros da família apontava para o esse curso. Mas, teimosa, seguiu o instinto e se matriculou no vestibular para Jornalismo. Maysa Bonissoni é natural do oeste catarinense, do pequeno município de Seara, próximo a Chapecó e Concórdia. Na época de ingressar na universidade, outra certeza além da graduação era deixar a cidade natal e morar no Rio Grande do Sul.

Televisão era a sua paixão e foi onde fez a carreira. Formada em 2001 pela Ulbra, logo ingressou na extinta TV Guaíba. Hoje, depois de uma experiência de quase 20 anos na tela, seu foco mudou, mas não completamente. Em vez da mídia tradicional, está no mundo digital comandando o canal Não é Mah Ideia. O programa, inclusive, chegou a virar atração de TV, veja só!

É casada desde 2010 com o fotógrafo Edu Liotti e a vida pessoal se mescla quase 100% com a profissional. Isso porque o amado trabalha na captação das imagens para o canal. Além disso, o sobrinho do marido, Marcelo, é quem faz a edição dos vídeos, quase todos eles gravados na própria casa da apresentadora. Ou seja, tudo em família.

Foco no entretenimento                        

A experiência mais duradoura da carreira foi no Grupo RBS, especialmente na finada TVCom, de onde saiu pouco antes do fim da emissora, no segundo semestre de 2015. Ingressou na empresa por meio do antigo programa Caras Novas, que revelava talentos na comunicação. Maysa foi um deles. "Quando vi o processo de inscrição, vi ali minha chance", relembra, ao contar que foi uma das 14 selecionadas no programa em 2002, início de uma relação que duraria pelos seguintes 12 anos.

Recorda que a primeira matéria foi acompanhando a ex-colega Rodaika, que, na época, apresentava o 'Vida e Saúde', em 2003. Depois do Caras Novas, Maysa foi convidada a fazer o programete Evolução Digital, na TVCom, que abordava o então recente universo da tecnologia. Em seguida, foi repórter no programa de Tânia Carvalho sobre decoração e saúde. Ainda, atuou como editora de Tatata Pimentel.

Chegou a fazer testes para a reportagem do jornal da TVCom, mas confessa que seu foco nunca foi no hard News. "Sempre estava à espera de algum programa de entretenimento, que era com o que me identificava", explica. E, assim, produziu matérias para o Garota Verão, para a RBS TV, e participou de coberturas do Planeta Atlântida.

Até então, ela era freelancer na empresa. A chance de efetivação surgiu, mais uma vez, com Rodaika, quando esta engravidou do segundo filho. Maysa, então, foi contratada para cobrir a licença-maternidade da colega e passou a apresentar o Papo Clipe, também na TVCom. "Foi um grande desafio e uma oportunidade que tive de mostrar o meu trabalho. Era ao vivo e diário", conta.

Turismo e viagem

A jornalista estava decidida a ter uma experiência no exterior. A ideia era estudar Inglês em Londres até que os planos frustraram quando o visto de estudante foi negado. "A Alice Urbim me ligou sem saber que eu ainda estava em Porto Alegre. Ela disse que havia surgido uma oportunidade que ia me fazer desistir da viagem", recorda. Foram, então, cinco anos à frente do Rota 36, que, depois, transformou-se em Estilo Viagem. E a experiência além-mar nunca aconteceu.

Saiu da apresentação quando engravidou da primogênita, Olívia, em 2010, e, no retorno da licença-maternidade, no ano seguinte, a atração não estava mais na grade. "Tive a oportunidade de trabalhar na TVCom no seu auge, quando as pessoas tinham carinho pela emissora", destaca. Ainda na TV, fez reportagens para o Camarote TVCom e para o TVCom Tudo Mais.

Em 2012, engravidou do segundo filho, Stefano. Da gestação surgiu a ideia de criar o quadro chamado Na Barriga da Mamãe, o qual acabou quando o caçula nasceu, em março de 2013. Na volta da licença, permaneceu um tempo com o programa Manhê, uma evolução do outro quadro. "Inclusive, a vinheta era a Olívia chamando Manhê, Manhê", fala, orgulhosa.

Pura criatividade

A escolha para viver em Porto Alegre não foi por acaso. A cidade já estava nos planos desde a juventude, quando passava parte das férias na casa dos tios Armindo e Rosane com os primos. "Ficávamos uns dias na Capital e, depois, íamos para a praia em Mariluz. Eu adorava", informa, mencionando, ainda, o primo Beto, de quem era muito amiga. "Digo que vim para cá por causa dele."

Antes de ingressar na RBS, trabalhou na loja de roupas Trópico. O que era para ser um período curto, de Verão, virou um ano quando a chamaram para integrar a equipe de Marketing do escritório MasterMind, o qual administrava toda a rede de surf shop da marca no Rio Grande do Sul.

Quando saiu da RBS, ficou um tempo em casa, cuidando das plantas e inventando trabalhos manuais. O projeto Não é Mah Ideia nasceu da sugestão de uma amiga, que a provocou dizendo que ela deveria repassar às pessoas sua criatividade. "Eu conhecia alguns canais no Youtube na linha do faça você mesmo e comecei a me inspirar", comenta.

A passagem pela Band RS, anos mais tarde, durou quase três anos, com cinco temporadas do programa Não é Mah Ideia nas manhãs de sábado. O convite surgiu a partir de uma conversa com a gerente de Jornalismo da empresa, Ciça Kramer, que havia sido chefe de Maysa na TVCom. "Foi uma satisfação transformar um projeto meu em um programa de TV", disse.

Casos e acasos

A história que envolve o marido Edu Liotti também foi um acaso do destino. Era 2008 quando eles se conheceram, ambos trabalhando no desfile do Donna Fashion Iguatemi, ela pela TVCom e ele fotografando para Zero Hora e para o escritório que havia feito a arquitetura efêmera do evento. Uma amiga em comum, a jornalista Laura Schirmer, fez as vezes de cupido. "Ela me indicou uma exposição que ele faria na Zona Sul de Porto Alegre", relembra.

Ainda sem conhecer muito aquela região da cidade, perdeu-se pelas ruas da Zona Sul. Com receio, resolveu voltar e, no retorno, uma surpresa. "Achei uma rua cheia de carros, e pensei em ir por lá, pois estava bem movimentada. Quando vi, era a rua do lugar onde ele estava. A partir de lá, ficamos juntos, em 3 de abril de 2008", registra.

Um ano depois, em 3 de abril de 2009, juntaram as escovas de dentes e, em 3 de abril de 2010, casaram. O noivado também foi inusitado. Um ano antes, eles estavam de férias na Bahia com pais de Maysa. "Minha mãe perguntou que dia iríamos casar e ele disse que podia ser em 3 de abril de 2010. Ela olhou no calendário no talão de cheques e viu que a data cairia em um sábado. Então marcamos", declara.

Os pais, Alcir e Mirta Clara, vivem em Seara até hoje, assim como o irmão caçula, Romel Mathues. Ele seguiu os passos do pai e ambos são contadores e trabalham no escritório de contabilidade administrado pelo patriarca. A mãe é bancária aposentada. Sempre que pode, Maysa vai visitá-los, contudo, lamenta que não viaja com a frequência que gostaria.

Tudo em família

Como o trabalho e a vida profissional se combinam, Maysa tem pouco tempo de lazer, mas, como gosta de enfatizar, quando se trabalha com o que ama, não se sente trabalhando. Gosta muito de mexer com as plantas e está sempre inventando moda. "Por isso o pessoal se funde tanto com o Não é Mah Ideia, porque faz parte da essência da Maysa", diz. A paixão pelo verde vem da infância, ao lembrar que a casa da avó materna tinha um jardim de inverno repleto de samambaias, onde adorava catar galhos secos.

Cozinhar é outra arte que a faz feliz e inventa de tudo um pouco. Dentre os pratos que mais gosta de preparar estão sopa de capeletti e strogonoff. Adora, também, fazer molhos de tomate para diversos fins e, claro, as crianças sempre estão prontas para uma bagunça na cozinha quando o assunto é bolo.  

Busca manter o hábito da leitura à noite, antes de dormir, mas confessa que tem lido pouco ultimamente. No entanto, é logo surpreendida pela quantidade de livros que leu nos últimos meses: seis no total. "Até que li mais do que imaginei", afirma, mostrando as obras que estão na cabeceira. São dois de Austin Kleon, sobre criatividade, 'A Ciranda das Mulheres Sábias', e 'Relicários de Afeto', da amiga Lu Gastal.

No que se refere a filmes tem visto mais as estreias de desenhos infantis com os filhos, porém destaca a apresentação de TedX 'The Call to Courage' (O chamado da coragem), de Brené Brow, na Netflix. É eclética no universo musical e se considera nostálgica dos tempos de Legião Urbana. Gosta, ainda, de lounge e pop e ouve as canções de Bruno Marz com o filho, que adora o cantor. "As crianças gostam de colocar música e ficar dançando. É fofo." Para correr, seu exercício físico preferido, prefere melodias mais agitadas e animadas.

É luterana por influência da família da mãe e vai ao culto quando consegue, mas, de novo, não tanto quanto gostaria. O casamento, aliás, foi na capela da Area 51, em Porto Alegre. No futebol, torce para o Grêmio, assim como toda a família. O pai é até fanático e o time do coração passou de geração para geração graças ao Edu, que também é gremista.

Falar sobre si mesma parece uma tarefa difícil para Maysa, sempre tão espontânea. Inclusive, pediu ajuda ao marido que estava na casa para responder à pergunta. Ele, por sua vez, preferiu não interferir. Depois de refletir um breve momento, enfim, diz: "Acho que sou uma pessoa determinada, pois consegui alcançar o que queria e traçar o caminho que planejei. Se eu pensar na minha trajetória, talvez não acreditasse em tudo o que fiz", assume.

"Outro dia minha mãe perguntou como eu conseguia aparentar estar sempre feliz, como se não tivesse nenhum problema. Claro que não é assim, afinal, o que seria da alegria se não fosse a tristeza?", questiona e finaliza: "Quero que as pessoas vejam sempre meu lado bom, e eu mesma busco ver o lado bom das coisas. Minha marca registrada é meu sorriso".

 

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