Geraldo Corrêa: No universo multimídia

Formado em Direito e vindo de uma família tradicional da comunicação gaúcha, ele já desempenhou diversos papéis na RBS

Geraldo Barbosa Corrêa seguiu os passos do pai, Fernando Ernesto Corrêa: formou-se em Direito, mas pouco atuou na área, tendo dedicado a maior parte de sua carreira ao Grupo RBS. Fernando detém 8% das ações da empresa da qual hoje seu filho é vice-presidente da unidade de Rádio e Jornal. Nascido a 3 de outubro de 1960, em Porto Alegre, sua trajetória começou como trainee, primeiro no Citibank, depois, no Maisonnave.


Em 1982, ingressou na RBS como estagiário do setor jurídico. E faz questão de frisar que a influência do pai não facilitou seu acesso ao grupo. "Ele e minha mãe sempre prepararam a mim e aos meus irmãos para a vida. Meu pai não me preparou para trabalhar na RBS, mas procurou me aparelhar para que eu tivesse condições de disputar qualquer vaga. Nesse sentido, não foi muito flexível. E esse foi um elemento determinante na minha trajetória profissional: ter tido essa preparação para a vida e não para trabalhar na RBS", enfatiza.


Concluída a faculdade, em 1985, mudou-se para a Inglaterra por dois anos com a esposa, Kátia - que conhecera no campus da PUC -, onde realizou mestrado em Direito, na London School of Economics. Embora tenha feito até pós na área, Geraldo não pensava em advogar. Escolheu o curso por considerá-lo "bem generalista e que abre uma série de alternativas profissionais nos campos da Administração e empresarial, além da própria carreira jurídica. É um curso que dá um bom embasamento cultural e de informações". Também cursou pós-graduação em Administração de Empresas, na Ufrgs.


De volta ao Brasil, atuou sob o comando de Carlos Melzer, no núcleo de Novos Negócios. "Naquela época, falava-se muito em diversificação. Então, tínhamos investimentos fora da área de Comunicação. Fomos sócios da ADP Systems, da empresa que trouxe a Heineken para o Brasil? Eram investimentos pequenos e minoritários", explica. Quando Melzer decidiu ir para os Estados Unidos, Nelson Sirotsky convidou Geraldo para coordenar o setor. No ano seguinte, com apenas 28 anos de idade, assumiu a direção de Recursos Humanos do grupo, na qual ficou durante quatro anos. "Foi uma experiência espetacular para conhecer a dinâmica da empresa", avalia.


Estréia na mídia


Embora nessa função ele tivesse relação com os funcionários de todas as áreas do grupo - "que são o principal pilar desta empresa", enfatiza -, sua primeira experiência voltada totalmente para veículos foi como diretor de gestão da Unidade de Mídia Eletrônica, que foi formada após uma reestruturação da RBS. Até então, não existia o conceito de unidades de negócios. Foram mais quatro anos nesse cargo, período em que foi criada a Net, que cresceu a ponto de se tornar uma unidade autônoma. O vice-presidente de Mídia Eletrônica era Walmor Bergesch, que foi deslocado para gerir essa área de TV por assinatura. A partir daí, Geraldo assumiu a unidade, que há seis anos foi reestruturada novamente, passando a englobar rádio e jornal, e não mais televisão. "Estou bastante feliz nesta função", comemora.


"Tenho responsabilidade geral pela performance dos oito jornais e das 26 rádios da RBS, perante a diretoria-executiva", explica, se referindo a Nelson e Pedro Parente. Sua rotina de trabalho fixa engloba a participação nos comitês existentes dentro da empresa (Editorial, Produtos, Mercados, Negócios). Fora isso, a agenda é muito aberta. "Há um grau grande de imprevisibilidade", diz Geraldo, que procura construir sua agenda a partir das prioridades, mas cuidando para estar presente nas comunidades em que o grupo atua. "Viajo bastante, inclusive, esse caos aéreo prejudica muito", lamenta.


Reuniões setoriais, de entidades de classe de jornal e rádio, e os principais eventos nacionais e internacionais do setor, como o Congresso Mundial de Jornais e o Congresso da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), também fazem parte de sua agenda. Outra prática é visitar empresas de jornais e rádios dentro e fora do Brasil, a fim de transplantar para cá as boas práticas de gestão. "Vamos a empresas que sejam referência por alguma métrica ou prática de gestão, reconhecidas pela qualidade, rentabilidade, inovação, vanguarda ou ousadia", revela.


Críticos dentro de casa


Casado há 24 anos, Geraldo tem dois filhos com a publicitária Kátia: Maurício, de 16 anos, que prestará vestibular no verão, e Manuela, 14, que estuda jazz e está em Joinville, participando do Festival de Dança. "A escola dela foi selecionada e estou bastante orgulhoso", conta o pai-coruja. A esposa não atua mais no mercado publicitário, mas, como lê muito e tem um censo crítico apurado, acaba sendo uma espécie de conselheira. "Sempre recolho boas sugestões dela, principalmente em relação aos produtos da empresa. É uma pesquisa interna bem interessante. Vale o mesmo para os meus filhos, que são críticos naturais", revela. "Apesar de adolescente, Maurício adora rádio e esportes e ouve a Gaúcha várias horas por dia. Além de ouvinte de rádio AM, lê jornais daqui e de São Paulo diariamente", conta, embora acredite que o filho deva seguir pelas áreas de Relações Internacionais ou Comércio Exterior.


Com a família, a atividade favorita é viajar. "Pelo menos uma ou duas vezes por ano, fazemos uma viagem coletiva. Procuro conciliar minhas férias com as das crianças. Me dá muito prazer e percebo que dá prazer para eles também", relata. O último passeio foi na semana passada, quando foram para Vale Nevado, no Chile. "Foram cinco dias esquiando, inclusive fraturei o dedo", conta, mostrando o dedo enfaixado. "Vou me operar segunda-feira, colocar um pininho. Mas estava ótimo, a fratura não atrapalhou, porque foi no último dia", minimiza. Outro prazer é a leitura, especialmente livros sobre mídia e os jornais da RBS, claro. "Não tenho condições de ler os oito todos os dias, mas faço uma leitura randômica", explica. As obras que lê não considera técnicas: "É que eu gosto muito do que eu faço. O que pode parecer trabalho para os outros, para mim é lazer".


Correndo atrás


Também não abre mão de sua corrida diária. "É mais que um hábito, é um vício. Quando não corro afeta meu equilíbrio emocional, fico de mau humor. Mas o bom é que posso me exercitar em qualquer lugar, basta levar um par de tênis". Ele diz que precisa se esforçar para não transferir o mau humor para as outras pessoas quando fica com sua corrida atrasada. Isso porque ele se diz muito impaciente.


Por outro lado, se considera uma pessoa confiável e está à disposição da RBS para o que der e vier. Embora não costume fazer planos a longo prazo, para os próximo anos se vê envolvido com a atividade empresarial, e, principalmente, com o universo de mídia e comunicação. "E na RBS, mas essa não é uma decisão minha, é bilateral. O que sei com certeza é que vou continuar correndo!", garante.

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