Rafael Bohrer: Criativo e ativo

Fascinado pela publicidade desde criança, o diretor de Criação Rafael Bohrer empilha premiações dentro e fora do Brasil

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Por Juliana Freitas, em 31/10/2014
Quando uma família é composta por médicos, é normal os filhos seguirem a carreira dos pais. Porém, para Rafael Barreto de Athayde Bohrer, a história foi um pouco diferente. "Eu era um "ratinho" de banca de revista e ficava folheando vários tipos de publicação", conta, revelando a origem de sua fascinação por imagens e justificando sua escolha pela área mais criativa da comunicação. A admiração pela publicidade desde cedo talvez justifique também seu gosto pela televisão e internet, dois outros meios que considera seu entretenimento.
E assim foi na contramão da família, já que as duas irmãs, Betânia e Alice, também seguiram a carreira do pai, o pediatra Mauro Silva de Athayde Bohrer.  Formado pela PUC em Publicidade e Propaganda, o atual diretor de Criação da agência Global possui 21 anos de carreira. Na bagagem, além de passagens por grandes agências brasileiras, traz reconhecimentos conquistados dentro e fora do País.
Ainda na faculdade, dividiu o primeiro ano acadêmico com a experiência de servir ao quartel, voluntariamente. "Fazia menos disciplinas, mas isso não atrapalhou em nada meus estudos", diz. Uma experiência de um mês, que acabou virando um ano e meio de convívio e aprendizado na publicidade, marcou o começo da carreira de Rafael. Ao ir até a agência Boa Nova para  pedir ao publicitário Paulo Boa Nova um estágio, conseguiu uma vaga como past up (profissional que realiza a montagem de peças gráficas, com a colagem da composição, bromuro e artes-finais sobre um cartão), em 1993. "Passava o dia de pé montando e refilando folheto", lembra.
Depois da primeira experiência, não parou mais. Logo estava na agência Maker e, antes de mudar de Estado procurando novas experiências, ainda contou com passagens por empresas publicitárias significativas do Rio Grande do Sul, como Centro e Escala. Em 1999 rumou para São Paulo, onde teve a oportunidade de trabalhar nas agências Cápsula/TBWA e Full Jazz.
Cores trocadas
É também nessa época que recorda seu crescimento profissional, começando a atuar como arte-finalista, passando para assistente e, logo depois, ideia-júnior. Em 2003, quando retornou da experiência paulista, já ocupava a cadeira de diretor de Arte na extinta DCS, onde permaneceu por oito anos. Se tornaria ainda diretor de Criação, em 2009, juntamente com o então vice-presidente da empresa, Roberto Callage. "Foi um grande desafio porque tinha que manter o alto padrão que a agência já possuía", diz.
Foi ainda na DCS que passaria por um momento de sufoco que marcou sua carreira. Entusiasmado e com vontade de trabalhar com suas referências profissionais, os publicitários Roberto Callage e Régis Montagna, produziu uma campanha de moda que contava com as cores verde e marrom como tendência. Porém, Rafael é daltônico e sua maior dificuldade é justamente com essas cores. "Tive que produzir uma campanha inteira, desde as roupas até o cenário, nessas cores. Foi difícil, mas no final das contas, ficou superbonita", relembra, agora achando graça da situação.
Em 2012, aceitou o desafio de montar uma agência que seria braço de uma das maiores empresas publicitárias do Brasil, a DM9DDB. Foi batizada como DM9Sul, e nela o publicitário assumiu a direção de Criação, ao lado de Eduardo Menezes. "Foi um desafio grande. Começamos com seis pessoas em uma mesa e, em um ano, já contávamos com 85 profissionais", lembra, explicitando o orgulho de fazer parte do processo de criação de uma das agências de maior destaque do Estado.
O convite feito por Daniel e Alexandre Skowronsky, diretores da agência Global, em setembro do ano passado, foi mais um desafio proposto a Rafael. Com a responsabilidade de auxiliar no processo de renovação da agência, o publicitário foi provocado a modificar aquilo que já estava consolidado. "Quando se monta uma agência, você escolhe as pessoas. Quando tem que modificá-la, as pessoas já estão ali. Ter que mudar uma engrenagem que já está sedimentada  não é fácil", conta, ressaltando que o desafio foi o principal motivo que o incentivou a aceitar o convite dos irmãos Skowronsky .
Prêmios aqui e lá
Para consagrar todo o trabalho e a superação dos desafios, Rafael conta com o reconhecimento nacional e internacional de seu trabalho. Que não são poucos: entre os principais, estão os recebidos no Festival de Londres, Clio, FIAP, Clube de Criação de São Paulo, Festival de NY, Webby Awards, MaxiMídia, Profissionais do Ano da Rede Globo, Wave Festival, El Ojo de Iberoamerica, Prêmio Colunistas e Prêmio Abril de Publicidade. Deles, há dois que Rafael faz questão de destacar, os de Cannes Lion e do Salão da Propaganda.
"Todos eles têm um gostinho especial, mas as indicações e prêmios do Salão da Propaganda, promovido pela ARP, e o Cannes Lion são inesquecíveis", revela. Em relação ao primeiro, enfatiza que sente muito orgulho por ser reconhecido no âmbito em que atua, através de uma premiação em que são os próprios colegas de profissão que indicam os vencedores. E o segundo é uma satisfação profissional devido ao reconhecimento internacional que seu trabalho alcança.
Se há algo que ele não troca por nenhum prêmio é o fato de receber mensagens dos clientes e de pessoas próximas que viram seus projetos e gostaram, "são coisas que mexem com a gente". Valorizando a amizade e os relacionamentos que conseguiu construir durante sua carreira, Rafael ressalta que prêmio é bom, mas é esquecido na prateleira depois de um tempo, enquanto a cumplicidade com as pessoas à sua volta é o que ele levará até o fim da vida. "A única coisa que tem que fazer é saber manter, pois valem mais que qualquer prêmio."
Vontade de mais
Porto-alegrense nascido em 29 de maio de 1973, admite que já recebeu críticas por, às vezes, ser um pouco megalomaníaco. Mas seu bom humor acaba ofuscando essa característica. "Já trabalhei em lugares em que o clima era tenso e isso me fazia mal. Me esforço para trabalhar com o astral mais leve possível", conta.
Com uma imaginação fértil, como é possível conferir em suas criações, afirma que sente-se realizado com seu trabalho e sua trajetória, mas confessa que já se imaginou sendo arquiteto, diretor de cena e até fotógrafo, atividade pela qual confessa alimentar um amor platônico. "Mas fica só no hobby mesmo", brinca. Separado e sem filhos, confidencia um desejo pessoal que espera realizar em um futuro próximo: "Ser pai".
Ao refletir sobre o mercado publicitário atual, Rafael deixa claro que, para ele, as pessoas não gostam de publicidade. "Quem gosta de publicidade é a gente (publicitário)", diz. E defende ainda a ideia de que o grande diferencial da propaganda é aquela criação que não se parece com uma propaganda, enfatizando que as campanhas "realmente boas" estão sendo premiadas até fora da área publicitária. E garante: "O Brasil é um celeiro de produtividade. Quando a internet se desenvolver mais no País, novos caminhos vão se abrir".

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