Roberto Cervo Melão: Um eterno aprendiz

Aos 65 anos, Roberto Cervo Melão, presidente da Agert, se considera um eterno aprendiz

Roberto Cervo Melão | Crédito: Divulgação/Agert
O apelido da época do futebol, "Melão", é usado no nome até hoje, caso contrário, ninguém o reconheceria. Seu cabelo era completamente loiro e branco, e, como ele mesmo depõe, "realmente, parecia com a fruta". Ele é o empresário Roberto Cervo Melão, atual presidente da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert). Nasceu em 15 de dezembro de 1949 e saiu de casa aos 11 anos para estudar no Pré-Seminário Rainha dos Apóstolos, de Faxinal do Soturno, em regime de internato. Naquele período, este tipo de ensino era comum, pois a cidade natal possuía um seminário de padres palotinos.
O pré-seminário era para os mais jovens, acordava-se às 5h45 e a jornada das aulas durava o dia inteiro. "Lá, nós tínhamos uma programação completa todos os dias. Só ia pra casa nas férias pequenas, que era em julho, e nas grandes, que era em janeiro e fevereiro", conta Melão. Permaneceu no internato até os 13 anos. Formou-se no ginásio pela Escola Rainha dos Apóstolos e foi estudar Viticultura e Enologia em Bento Gonçalves, por volta de 1966. Melão lembra-se de sentar em frente à TV para assistir aos programas da Jovem Guarda, época em que vestiu sua primeira calça jeans desbotada.
O que realmente marcou sua juventude foi o futebol. Melão jogou no Riograndense Futebol Clube, em Santa Maria, por volta de 1972. "Eu jogava por amor. Fui jogar lá porque eu sou gremista", admite. No Riograndense, foi centroavante e goleador. Chegou a ser convidado para jogar no Grêmio, no Vasco da Gama e também na Portuguesa. Atualmente, pratica o esporte nos sábados à tarde, na categoria dos 60 anos.
Em contato com o esporte
Não aceitou jogar em nenhum dos times citados anteriormente, pois, na época, era professor estadual, mas sempre foi apaixonado por esportes. Seu ponto forte sempre foi, sem sombra de dúvidas, como frisa, o planejamento, que diz ter aprendido com os padres palotinos. "Eu planejo sempre o amanhã, ou 30 dias, ou seis meses, ou um ano", diz. Quando concluiu sua formação em Viticultura e Enologia, aos 19 anos, foi emancipado pelos pais, Achilles e Helena, e passou a lecionar Técnicas Agrícolas no Colégio Estadual Dom Antônio Reis, em Faxinal. Seis meses depois, foi chamado pela 24ª Delegacia de Ensino, porque estava treinando os alunos: formou um time de vôlei masculino e feminino, levava os alunos para competir natação no rio, organizava, na época, futebol de salão, futebol de campo e atletismo em todas as modalidades. "Eu fazia quando eu tinha tempo, para me ocupar", relata.
Todos os alunos participavam e até chegaram a disputar jogos estaduais em Cachoeira do Sul, onde ganharam destaque. Após esta experiência, Melão foi chamado pela delegada de ensino e colocado como professor de Educação Física do segundo grau. Após três anos, diplomados na área começaram a assumir as turmas e, para continuar dando aula de Técnicas Agrícolas, Melão tinha que realizar um curso superior. Conquistou a formação pela faculdade de férias de "Artes Práticas", na antiga Fidene, atual Unijuí, no município de Ijuí.
Além de lecionar, também havia assumido a fábrica de bebidas do seu pai. "Foram ótimas experiências pra mim. De acordo com o que eu faço hoje, tudo isso serviu de aprendizado para o futuro, me transformou na pessoa que eu sou hoje", assume. Casou-se em 1978 com Miriam e teve dois filhos: Henrique, que está se formando em Administração, e Carolina, defensora pública.
A rede e suas atividades
Em 1974, comprou 5% das ações da Rádio São Roque, de Faxinal do Soturno, tornando-se sócio. Por essa época, ele e o diretor da emissora foram conhecer as dependências da Rádio Guaíba. Quando o diretor perguntou o que era necessário para fazer uma rádio, Melão gravou a resposta objetiva: "A Rádio Guaíba se faz com arroz e feijão, bem feito, com muito tempero pra todo mundo gostar". Nunca mais esqueceu a lição. A Rádio São Roque entrou no ar em 1º de fevereiro de 1975. "A rádio tem que ser feita para o ouvinte, foi assim que eu aprendi a fazer", enfatiza.
Hoje é diretor da Rede Jauru de Comunicação - batizada com este nome e alusão ao Rio Jauru, no Mato Grosso, onde seu sogro tinha uma fazenda. A rede conta com a Rádio Jauru FM, a Rádio São Roque AM e o Jornal Cidades do Vale, que é semanal. Além disso, Melão é pecuarista e proprietário de uma área rural em Santa Margarida do Sul, ao lado de São Gabriel, é sócio-diretor da concessionária Volkswagen Japel - Jacuí Auto Peças Limitada, em Faxinal, presidente da Agert e presidente de quatro hospitais: em Faxinal do Soturno, Dona Francisca, São João do Polêsine e Campo Bom.
Para administrar todas estas responsabilidades, Melão conta com um gerente para cada um dos "negócios". Sua esposa, Miriam, e o filho Henrique também ajudam em tudo. "Senão, não tem condições, não tem como", admite. Em 1984, comprou 100% das ações da Rádio São Roque, criou a FM e, depois, criou o Jornal. A partir daí, foi trocando ideias sobre a área, participando de cursos, seminários e das atividades da Agert. "Eu fui atrás para conhecer, para aprender e para poder discutir", relata.
Caminhada na Agert
Ingressou na Agert quando Lauro Müller era presidente, por volta de 1989. Nesta época, ainda não fazia parte da diretoria, mas já participava de tudo. No decorrer dos anos, foi quatro vezes presidente do Congresso Gaúcho de Rádio, uma vez na gestão de Lauro Müller, duas com Paulo Sérgio Pinto e a quarta com Afonso Motta. Após a gestão de Afonso, Melão assumiu a presidência da associação, onde ficou por quatro anos - de 2007 a 2011. Seu sucessor foi Alexandre Gadret, e, em 2013, Melão foi reeleito pela terceira vez. O período será até outubro de 2015, quando irá ocorrer o Congresso Gaúcho de Rádio e Televisão com a posse do novo presidente. "Ser reeleito pela terceira vez presidente da Agert, pra mim, foi algo espetacular! É muita consideração dos meus companheiros do Rio Grande do Sul, foi algo que me deixou extremamente sensibilizado", revela.
Desde a primeira experiência como presidente da associação, procura resolver todas as dificuldades que as rádios do Interior possuem. Também neste período, a Agert recebeu indicação das demais associações estaduais do setor para representar o segmento no Conselho Superior da Abert, como forma de reconhecimento pela sua atuação em favor dos associados. Defende até hoje todas as causas necessárias para o interior do Estado, sem nunca deixar de lado outras questões, e sempre está disponível às grandes empresas. "Procurei levar a Agert para o Interior e buscar soluções para todos eles (os radiodifusores)", expõe.
Considera-se um homem muito leal e trabalhador, mas, ao mesmo tempo, é muito ansioso por conta da correria em que vive. Costuma transformar críticas e elogios em aprendizados da vida, pois encara o trabalho como uma obrigação de fazer o seu melhor. Um dos principais objetivos da sua vida é deixar um legado para quem assumir a Agert, para que tenha esse caminho de trabalho.
Valsa e um bom vinho
Adora "um bom vinho, um bom charuto" e uma valsa de Strauss. É apaixonado por filmes, e a sua mania de levantar cedo o acompanha até hoje. Nos poucos momentos de folga, gosta de assistir futebol na televisão, acompanhar os noticiários e ler, no mínimo, quatro jornais por dia. Fica um pouco mais calmo quando escuta música clássica, mas está sempre pensando no trabalho. "Minha vida é feita de trabalho, muito trabalho. Eu sou um eterno aprendiz", declara. Um dos livros marcou sua vida foi "O Monge e o Executivo - Uma história sobre a essência da liderança", de James C. Hunter.
Tem verdadeira paixão por churrasco, gosta de assar e escolher o vinho. Católico, tem momentos diários de oração e diz que jamais deixará de fazer isso: ao anoitecer e ao amanhecer, agradece à vida e à saúde que Deus lhe dá. Um dos melhores momentos de sua vida foi assistir à final da Copa do Mundo, em 2014, no Maracanã com sua esposa, presente que ganhou quando foi premiado pela Volkswagen, por estar entre as 30 melhores concessionárias do Brasil.
Não tem planos estabelecidos para o futuro, só deseja viver muito bem e deixar um legado de trabalho. Pretende morar em Faxinal pelo resto da vida e apenas sai de lá para ir à sua fazenda em Santa Margarida do Sul. Afirma que só poderá declarar-se uma pessoa realizada quando todos os seus familiares estiverem encaminhados para uma boa vida. "Ainda sou um homem preparado para o que der e vier. Tem muita coisa pra fazer ainda". "A vida e o sucesso existem para todos nós. Se a vida for aproveitada com responsabilidade, ela te dá uma projeção de sucesso: depende só de ti."

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