Rosane de Oliveira: Rosane e a Política: 'Tudo outra vez'

As coberturas de ele costumam ser sempre iguais. Em período de campanha eleitoral começa tudo outra vez: acompanhar candidatos, divulgar pesquisas, analisar cenários. Todo ̷

Rosane de Oliveira - Reprodução

As coberturas de eleições costumam ser sempre iguais. Em período de campanha eleitoral começa tudo outra vez: acompanhar candidatos, divulgar pesquisas, analisar cenários. Todo jornalista da área política já sabe que a cada dois anos tem as maratonas eleitorais. É o caso de Rosane de Oliveira, 42 anos, um nome de grande referência neste setor. Como editora de Política do jornal Zero Hora, ela coordena as coberturas e escreve uma coluna diária, que é publicada no jornal e no ClicRbs, e ainda faz comentários na TVCOM.

Em período eleitoral, essa rotina multimídia aumenta. Para Rosane, a cobertura das eleições já não é mais uma novidade, pois está na editoria da Zero Hora há 10 anos. No entanto, considera esses momentos muito cansativos, pois a média de trabalho passa de 8h para 12h por dia, inclusive aos domingos. "Além do aumento de trabalho, eu recebo muita pressão de todos os lados: dos leitores, dos assessores de imprensa e dos próprios candidatos", desabafa. Tanta cobrança acaba revertendo em estresse físico. Até porque, com o tempo mais curto, Rosane termina deixando de realizar suas principais atividades de lazer. Na ginástica, por exemplo, não dá nem para pensar. O tempo com o marido e as crianças também fica menor. O máximo que consegue manter são as leituras, mesmo que em menor quantidade. "Eu sei que tenho algumas perdas, como a de qualidade de vida. Mas gosto do que faço e acabo ficando mais envolvida com o trabalho do que precisaria", conclui a jornalista.

Hora de transição

Passadas as eleições, é a hora da transição tanto para governos, quanto para Rosane. A rotina começa a voltar ao normal. Ela consegue dar mais atenção para os seus filhos e para o marido. É casada há 14 anos com o jornalista e escritor Tailor Diniz, que conheceu quando trabalhava na Rádio Guaíba. Eles têm dois filhos, Eduardo (11 anos) e Luiza (7 anos). Para administrar a correria do dia-a-dia conta com a ajuda de Diniz, que ela faz questão de destacar: "Antes de tudo é um grande companheiro". Ele trabalha com jornalismo cultural e acaba tendo mais tempo para ficar com as crianças. Rosane diz que todos sempre foram compreensivos. "Meus filhos se criaram sabendo que sou muito ocupada, mas vejo que são super orgulhosos do meu trabalho.

Nas últimas eleições, me diziam contentes que todo mundo tinha me visto na TVCOM", ressalta. Por isto, o pouco tempo disponível ela procura passar com as crianças, passeando, lendo ou indo ao cinema. Durante a semana, Rosane toma café com Eduardo, que estuda pela manhã, horário em que ela está em casa. Já Luiza fica três manhãs por semana com a mãe. "Nós ficamos grudadas, ela vai na manicure comigo e eu a ajudo a fazer o tema", conta. Quando Luiza está em atividades na escola em turno integral, Rosane faz ginástica e estuda inglês.

Pouca política

Muito romance e pouca política. Essa é a sua preferência quando o assunto é literatura, um de seus hobbies. Gosta de ler à noite, quando todos já estão dormindo. Rosane lê em torno de quatro a cinco livros por mês e dá preferência aos clássicos russos e franceses. Ultimamente, tem lido muitas obras gaúchas porque o marido faz resenhas para a Revista Aplauso e ela acaba tendo acesso a esta literatura na carona. Atualmente, tem na sua cabeceira o romance 'Nuvens de Magalhães', da escritora estreante Manuela Sawitzki. A última obra de política que leu foi 'Conversa com a Memória', do autor Villas-Bôas Corrêa. Também curte sair de casa para jantar, mas novamente aqui surge a frase rotineira: "Só não tenho tido muito tempo".

Outro programa que adora é cinema, e aí sempre que pode dá uma escapadinha. "Ultimamente estou vendo mais os infantis com as crianças. Scooby-Doo e Homem-Aranha é comigo mesmo", brinca. Quando está sozinha, prefere assistir dramas e comédias. Sempre que consegue, viaja com a família, e destesta viajar sem os filhos. Conta que quando o dólar estava mais barato e as crianças não estudavam, as viagens eram mais freqüentes. Ela conhece Nova Iorque e grande parte da Europa, mas do Brasil quase nada. Por isto, planeja viajar mais dentro do País.

O lagarto Armínio Fraga

Quase sempre nos fins de semana, o programa preferido de Rosane e sua família é visitar Armínio Fraga, Talaveira Bruce, Guga e Pirão. Os dois primeiros são lagartos e os outros são cães, que ficam no sítio em Eldorado do Sul. É lá que a família se reúne e curte uma vida mais natural, com a qual Rosane teve bastante contato quando criança. "Eu tive uma infância super rural, trabalhei na roça, colhia feijão, tocava o cavalo para o meu pai capinar lavoura de milho", lembra. Essa forte ligação com a terra faz Rosane se sentir bem no sítio e explica sua preferência mais por campo do que praia. "Eu sinto necessidade de botar o pé no chão", revela a jornalista. E não só o pé, é mexendo com a terra que se realiza.

No sítio, planta seus temperos, poda plantações, colhe flores. Ela entende tudo sobre jardinagem e sabe identificar o nome de quase todas árvores. "Se eu precisasse viver da terra, viveria super bem", garante. Já cozinhar não é seu ponto forte e, muitas vezes, é o marido que lhe dá algumas lições. No entanto, acaba revelando que sabe fazer um pouco mais além do trivial. Como não come carne de gado, sua especialidade é o bacalhau: "Todo mundo diz que faço muito bem esse prato", revela.

A caminho da política

Com 17 anos, largou a vida calma da cidade natal, Campos Borges, para morar e estudar na capital. O pai, muito pobre, não tinha dinheiro para custear os estudos. Então, Rosane teve que contar com a sorte e muito esforço. Estudava na PUC e trabalhava na Esso Brasileira de Petróleo. No início não foi nada fácil, morava com dez pessoas num apartamento de dois quartos.

No primeiro ano de faculdade, 1979, conseguiu crédito educativo e assim garantiu o canudo. Daí em diante, os méritos foram todos seus. Recém-formada, começou a trabalhar na assessoria de imprensa do Palácio Piratini. Não era bem o que almejava, mas continuou batalhando. Passou pelas redações da Rádio Guaíba, dos jornais O Estado do Rio Grande e Correio do Povo, onde atuou como repórter, em seguida foi subeditora na Política e depois na Economia. Em 1992, tornou-se editora de Política da Zero Hora. Sente-se satisfeita com as conquistas. E se tivesse que voltar no tempo, aconteceria como nas maratonas eleitorais: tudo outra vez. "Já fazem 20 anos que eu saí da faculdade e não tenho nenhuma dúvida de que, se eu tivesse que voltar atrás, faria tudo outra vez".

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