Sintonia de comunicação como obra do acaso

Por Gustavo Nunes, para Coletiva.net

O que podemos aprender nas relações sociais é que nem tudo precisa ser dito. E com certeza não é.  Esse exercício de leitura da linguagem corporal de quem temos contato é diário. Por isso, perguntamos: está tudo bem contigo? Ou seja, notamos que algo não está dentro do padrão daquela pessoa. Por que conhecemos o padrão daquele indivíduo. Mas, o que acontece quando são desconhecidos? Em algum momento da sua vida, você já deve ter dito: nossa! Parece que eu te conheço a minha vida inteira! (E não se passaram 10 minutos). Por outro lado, em poucos segundos, com outra pessoa - se você pudesse - atravessaria a rua. Assim, é a sintonia de comunicação. Um conhecimento que pode mudar a forma de lidar com as pessoas que nos circundam e trazer leveza, compreensão e alegria para a nossa rotina.

O ser humano vive com três sentidos básicos: a visão, a audição e o cinestésico. Um bom local, por exemplo, para conhecermos os sentidos que mais são utilizados por uma pessoa é o cinema. Quem é mais visual gosta de sentar bem no centro do cinema, por que precisa que a visão seja preenchida pela tela. Assim, ela não perde nenhum detalhe do filme. Já a pessoa auditiva vai procurar um cinema da cidade que tenha a última tecnologia em som. Aí, você está sentada do lado dela e ela é capaz de dizer num determinado momento do filme, com um certo pulo:

- Uau! Você viu isso?

- Isso o quê?

- O grave! Passou aqui do nosso lado!

Já a pessoa cinestésica pensa em conforto e ela vai procurar um cinema que seja muito confortável. Que ela possa pegar a bebida e a pipoca e com certeza dormir durante o filme. Mas, piadas a parte, dessa forma também funciona o relacionamento amoroso. E eu já peço desculpas antecipadamente aos terapeutas. Notaram como um casal relata a união em uma consulta?

- Doutor, ele não é capaz de dizer: eu te amo!

- Mas doutor, ela sequer me abraça!

- E você por acaso demonstra?

Se eu não estiver errado, alguém nesse diálogo precisa ouvir, sentir e ver o amor. Com esse conhecimento básico, a gente pode lidar melhor com as pessoas. Claro, existem outras ferramentas na linguagem não-verbal que podem nos auxiliar na sintonia de comunicação em nossas relações sociais. Basta a gente entender alguns sinais dentro de uma tríplice: o contexto, a congruência e o conjunto de signos. A grosso modo, respectivamente, o áudio (linguagem verbal) e o visual (linguagem não verbal). A congruência em determinada situação, mais o contexto, formando, assim, um conjunto.

Gustavo Nunes é jornalista e pós-graduado em Comunicação Empresarial.

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