Cinco fenômenos negativos das redes sociais

Por Elis Radmann

A internet se tornou parte integrante de nossas vidas. Nos auxilia na comunicação instantânea, no processo de informação, de comercialização, no relacionamento com outras pessoas e até no entretenimento diário.

Estamos vivenciando as transformações propiciadas pela tecnologia, usufruindo de seus benefícios sem ter a clara noção dos malefícios que podem causar à sociedade em longo prazo.

Cotidianamente, somos orientados a ter cuidados com crimes cibernéticos, com a Deep Web, a Dark Web ou com as notícias falsas propaladas pelas Fake News. Assistimos aterrorizados às notícias de suicídios incitados por redes sociais e de crimes de pedofilia digital, que exploram imagens de crianças e adolescentes.

Conforme vamos conhecendo e sofrendo com os crimes cometidos no mundo digital, os poderes judiciário e legislativo desenvolvem leis para coibir esses abusos. E, assim, vamos indo em uma relação de constante aprendizado com a internet.

Contudo, é muito importante termos a consciência e observarmos os fenômenos comportamentais que podem ser causados pela internet. Como somos "objetos" dessa transformação e estamos criando nossos filhos como "cobaias" desse mundo tecnológico, é vital analisarmos os seguintes fenômenos causados pela relação contínua com as redes sociais:

1º) Individualismo = as redes sociais possibilitam que cada pessoa seja o ator principal de sua história, um mundo paralelo se cria, onde é necessário alimentar a timeline e relatar os momentos cotidianos (colocar a foto da refeição, do passeio ou até mesmo de uma briga). As redes sociais estimulam o indivíduo a dizer "o que está pensando ou sentindo". Amplia-se a preocupação individual e diminui-se a preocupação com o social.

2º) Impaciência = se cada um é um e cada um tem pressa, acredita que o mundo está a seu serviço. O individualismo potencializa a falta de paciência, pois diminui a empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro). Tudo precisa ser muito rápido: se espera que a resposta a uma mensagem seja instantânea, que a foto seja curtida e comentada, que se dê atenção rápida a quem pede atenção (em alguns casos, são muitos pedidos de atenção).

3º) Ansiedade = Se cada indivíduo se sente único em sua relação com o smartphone e suas redes sociais, a expectativa também é potencializada. A impaciência é seguida de ansiedade. Os tempos do mundo virtual são diferentes dos tempos do mundo real, qualquer espera parece infinita e muitas pessoas sofrem quando não são respondidas no tempo que desejam. É cada vez mais comum crianças e adolescentes desejarem ser youtubers ou influenciadores digitais, abrindo canais e esperando audiência. E os sentimentos que oscilam entre a expectativa e a frustração são motivadores da ansiedade.

4º) Distração digital = se caracteriza pela dificuldade de concentração, ocasionada pela multitarefa, que cria uma atenção parcial contínua, de uma mente que pula de uma coisa para outra. É difícil a atenção simultânea ao estudo e ao WhatsApp ou trabalho e as postagens do Facebook. Esse é um tema em debate e estudo na psicologia.

5º) Nomofobia = é quando a internet começa a causar dependência e se tornar um vício. A nomofobia é o medo de não ter acesso ao celular, e se caracteriza pela angústia de não acessar a internet e as redes sociais, tornando a pessoa impaciente ou desesperada por ficar sem comunicação. Para estas pessoas o mundo virtual se torna mais importante do que o mundo real.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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