Rodrigo Orengo: Em 20 minutos tudo pode mudar

Chefe de Jornalismo da Band News, em Brasília, o profissional traz da infância a paixão por assuntos relacionados à política

Rodrigo Orengo - Reprodução

Por Patrícia Lapuente

Com oito anos de Rede Bandeirantes, o chefe de Jornalismo da Band News, em Brasília, Rodrigo Orengo, aplica na vida pessoal o slogan da empresa onde trabalha: 'Em 20 minutos tudo pode mudar'. Estar aberto a transformações e tentar mudar para melhor é o que o move, porém, há algo que nunca modificou, que é a paixão por assuntos relacionados à política. Quando criança, lembra que tinha o hábito de colecionar santinhos de candidatos deixados nas ruas para conhecer o nome de cada proponente, além de acompanhar todos os debates nacionais.

Embora inclinado à Comunicação, devido à atração que tinha pelo tema, cursar Jornalismo não foi a primeira opção. Sendo sua referência de caráter, retidão e trabalho, o pai, o médico Hilton, é o maior exemplo de Orengo e, por isso, a Medicina foi cogitada por ele. O ídolo, porém, não apoiava o desejo do filho, pois acreditava que sua rotina era muito agitada.

No entanto, a afinidade com matérias humanas, como Português, Literatura e História o levou para a Famecos. Hoje, o jornalista, que possui o pai como maior ouvinte, telespectador e apoiador, sorri ao afirmar que dedica muito mais de sua rotina ao trabalho do que o médico.

Foco acima de tudo

Desde que ingressou na faculdade, não parou de trabalhar. Como repórter do Hipertexto, jornal da Famecos, produtor na TV Guaíba e na rádio Bandeirantes, Orengo construiu a carreira de olho nas oportunidades e, caso elas não surgissem, ele as criava. Foi assim que se tornou o primeiro setorista de Política da Band, ao se voluntariar na reportagem, pelo turno da tarde, enquanto estagiava pela manhã. Para aprender a atuar na televisão, fez o mesmo: se dividia entre a rádio e a telinha.

Convidado para atuar na empresa por Renato Martins, coordenador da rádio na época, consolidou a carreira no veículo. No último ano da faculdade, foi contratado. A gratidão pela oportunidade de crescer e amadurecer profissionalmente é notável: o sorriso e o carinho proferido o entregam quando fala do veículo.

Orengo passou por quase todas as funções jornalísticas na Rede Bandeirantes e, como gostava de desafios, foi contratado como setorista político da Rádio Gaúcha a convite do então chefe de reportagem, André Machado. Na época, ingressou no curso de graduação da Ulbra em Ciências Políticas. Após seis meses na Gaúcha e no segundo semestre da Faculdade, uma vaga na rádio para ser repórter multimídia o levou para ser correspondente em Brasília, onde poderia, enfim, cobrir pautas no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal e no Palácio do Planalto, seu foco. Ele brinca que trocou uma graduação por um mestrado prático. Na época, além de entrar no ar na Gaúcha, fazia participações na RBS TV e TV Com e, também, escrevia para Zero Hora e um blog sobre política.

Após quatro anos, ele, que participou da criação da Band News Porto Alegre, inclusive, sendo âncora, retornou ao veículo. O que pesou para aceitar o convite foi a oportunidade de falar para todo o País, ganhando, assim, outros mercados para além do Rio Grande do Sul. Hoje, além de estar à frente da gestão da emissora de rádio em Brasília, apresenta programas e atua em coberturas. "Em vez de ficar atrás de uma escrivaninha falando 'vai', eu digo 'vamos'."

Para ter embasamento em relação ao trabalho administrativo, voltou aos estudos. O MBA em Gestão com ênfase em Estratégia e o curso de extensão em Filosofia Política, em Oxford, no Reino Unido, foram essenciais, segundo ele, nesta etapa. A fim de tantas funções, acorda todos os dias às 5h e lê os principais jornais do País antes de chegar aos microfones. Por isso, destaca que a principal qualidade é a persistência em correr atrás do que acredita, mesmo com dificuldades. O defeito revela ser a grande exigência que tem consigo.

Gaúcho no Lago Paranoá

Com 11 anos de carreira, o gaúcho se destaca no cenário nacional. Nos últimos dois anos foi apontado pelo Prêmio Comunique-se entre os melhores jornalistas de mídia falada do País. Orengo ainda coordenou equipes que venceram distinções como o Prêmio CNI de Jornalismo, Prêmio AMB de Jornalismo e o Prêmio Estácio de Jornalismo.

Para ter sucesso na carreira é preciso foco, dedicação e, principalmente, felicidade. Orengo conta que se adaptou muito bem a Brasília, principalmente em relação à qualidade de vida e pelas oportunidades que ela proporciona. "É por gostar tanto que luto contra esta lógica pejorativa que existe", pontua, ao se referir à má fama conferida à Capital Nacional.

A gastronomia, além dos parques e espaços verdes, é o que mais lhe agrada na cidade, pois adora estar ao ar livre. Outro ponto favorável é o clima, pois, conforme relata, ao contrário do Rio Grande do Sul, a cidade possui temperaturas amenas durante todo o ano. Entretanto, sente falta da cultura do chimarrão, hábito do qual mais sente saudade. Reunir os amigos em uma praça, mateando, não pode ser substituído lá, além do churrasco que, segundo ele, nunca é o mesmo longe de terras gaúchas. 

Os pais, Hilton e Leila, e a irmã, Fernanda, são a razão da maior saudade do Sul. Porém, mesmo longe da família, garante que está em um momento único da carreira, pois tem a satisfação de consolidar um trabalho nacional vindo de uma cobertura local. Hoje, sente-se realizado em poder falar para mais pessoas e levar a elas informações de qualidade. Apesar de concretizar a maior meta como profissional, revela que tem muito orgulho de ter feito a carreira para o público gaúcho e, até hoje, não os deixa. Por isso, para manter a conexão com o Estado, participa do programa 'Jornal Gente'.

Um certo capitão Rodrigo

O foco e a luta para conquistar o que almeja não é à toa: o nome do jornalista é inspirado no personagem Rodrigo Cambará. A mãe, Leila, leu 'O Tempo e o Vento' enquanto estava grávida. Hoje, a obra de Erico Veríssimo é a favorita de Orengo. "Sou apaixonado por História e o livro resume a do Rio Grande do Sul. É um enredo belíssimo. Não tinha como ser outro."

Além de ler, nas horas em que não está na Band, corre de três a quatro vezes por semana ao longo da cidade planejada por Oscar Niemeyer e frequenta academia. Fã de esportes, declara seu amor pelo Internacional e, mesmo longe do time, segue acompanhando os jogos do Colorado. Na TV, busca ver o maior número de filmes indicados ao Oscar. A predileção dele, contudo, são produções de época. Os seriados também fazem parte do lazer. Séries políticas como House of Cards e históricas, como Versailles, são as favoritas.

Em relação às preferências musicais, é enfático ao revelar que é 'beatlemaníaco'. Tornou-se fã de Paul - seu preferido -, John, George e Ringo após arrumar o toca-discos de casa e escutar toda a coleção de vinis do pai. Conta, inclusive, que já visitou Liverpool, na Inglaterra, duas vezes, a fim de conhecer por completo a cidade onde tudo começou para a banda.

Viajar, declara, é mais do que um hobby, então, não surpreende quando conta que já visitou mais de 30 países. Ao lado da esposa, a também jornalista Roniara Castilhos, adora conhecer culturas diferentes e vivenciar o dia a dia das pessoas. Para isso, o casal busca fugir das facilidades turísticas e andam de transporte público, por exemplo. Dos locais que mais o surpreendeu destaca a Escandinávia, região composta pela Dinamarca, pela Noruega, pela Suécia e pela Finlândia. Isso devido à alta qualidade de vida dos países e da consciência cidadã que a população deles possui. 

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