As pessoas mudam de hábito e isso impacta na mídia

Painel sobre AI e o Futuro do Jornalismo reuniu especialistas para debater o assunto

Painel sobre AI e o Futuro do Jornalismo no SXSW - Crédito: Divulgação/Coletiva.net

Por Gabriela Boesel, enviada especial ao SXSW

Meredith Broussard, professora da faculdade de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque; Elite Truong, editora de iniciativas estratégicas do The Washington Post; e Emily Withrow, diretora do Estúdio Quartz; debateram sobre inteligência artificial e o futuro do Jornalismo. Mediadas por Rubina Fillion, que é diretora de engajamento de audiência do The Intercept, as painelistas falaram sobre suas percepções e perspectivas para a profissão.

A mudança de hábitos das pessoas foi apontada como fator importante e que afeta diretamente a mídia. "As pessoas mudam, então, é complicado pensar em ter o código perfeito para entregar o que elas querem", falou. "Uma criança gosta de uma coisa e, quando vira adolescente, não gosta mais. Acho que temos que ter isso em mente, especialmente os designers de experiência", alertou.

Sobre isso, Emily falou que acredita em adptar conteúdo para cada pessoa. "Quem assiste notícia às 8h da manha pode não ser a mesma pessoa que faz o mesmo às 20h", exemplificou. Especulação foi a palavra escolhida por Meredith para se referir às estatísticas quanto à inteligência artificial, que disse que é preciso ser realista quanto a IA. "Os robôs não vão roubar nosso trabalho, não precisamos ter uma crise existencial", defendeu. Sobre isso, Emily disse que os dados e ferramentas são usados para estudar machine learning e se utiliza estas informações para entender o que está acontecendo, analisar padrões e aplicar IA.

No que se refere à automação, Elite comentou que trabalha com gráficos, cujas informações ajudem a localizar comentários ruins, como racistas, por exemplo, além de zonas de interesse. Meredith concordou e disse que o processo de automação no jornalismo auxilia na interpretação da audiência, em consequência, a entendê-la e se conectar com o público. "Isso mudou como o jornal é diagramado, na ordem das notícias", compartilhou Emily. "Os algoritmos contribuem para encontrarmos os pontos cegos do jornal e acredito que no futuro, a IA ou os dados vão nos ajudar a entender o que o público realmente quer", pontuou.

A diferença de gerações também foi pautada. Para Emily, é importante enxergar essa divergência. "Adultos no Estados Unidos se sentem desconfortáveis falando com uma caixa (Alexa), enquanto as crianças já nascem assim. Precisamos nos adaptar a falar com robôs", afirmou, ao que foi confrontada por Meredith, que informou que interfaces de voz não funciona com diferentes sotaques. "Esses sistemas não estão criados com igualdade. Ele não entende quando um indiano fala inglês, por exemplo", condenou. "Acho que isso é pelo trabalho que dá criar todo um sistema de dados para isso, coletar diferentes dialetos e colocar em um software. Isso é caro e ninguém quer fazer. Quantas línguas têm no mundo? Daria muito trabalho", analisou.

A divulgação de informações nas redes sociais também foi debatida. Emily disse que as pessoas abrem muito suas vidas particulares, abrindo mão da privacidade. "Todo mundo tem a informação, o Google, o Facebook, o The Washington Post. Tudo está perto, é transparente. As pessoas precisam saber o que fazem com suas informações."

O SXSW é um conjunto de festivais de cinema, música e tecnologia, que acontece anualmente, nos Estados Unidos, desde 1987. A cobertura internacional de Coletiva.net é proporcionada pelo apoio das marcas Banrisul e Dinamize.

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