Por Paulo Tiaraju Quando lhe deram este nome, o Seu Minguinho não possuía uma finalidade específica, no máximo fazia companhia ao Seu Vizinho. Somente muitos anos depois é que passou a ter uma função digital no teclado das máquinas de datilografar e, modernamente, nos teclados dos computadores. Entre todos os senhores Minguinhos, o que seria o mais celebrizado e poderoso do país, justamente é o mais visível por sua ausência. Sua permanente não exposição na mídia chegou a ser motivo de zombaria, logo neutralizada pela naturalidade e o bom humor da mão que o perdeu em circunstâncias trágicas.
Mudando de mão, coube ao Pai de Todos, que, justamente por ter esta autoridade, a secreta missão de estimular as zonas erógenas femininas. Nihil obstat, ainda seria largamente utilizado para ofensas covardes no trânsito: “Olha aqui pra você “. A despeito dos papéis sociais de baixa relevância, tanto o Seu Minguinho, como o Seu Vizinho e o Pai de Todos conservaram uma certa inocência primeva, comparados ao sombrio Fura-Bolos. A reputação temerária deste senhor vem de longe e o seu papel na história da humanidade foi infame e avassalador. Na Idade Média foi cúmplice de crimes de lesa-humanidade praticados pela Igreja. “Quem é o herege?” – perguntava o abominável Inquisidor. Lá estava o dedo mau caráter, o maldito Indicador, para os íntimos, o singelo Fura-Bolo. Ele apontava e dedurava segundo suas conveniências políticas e financeiras, e mandava para as fogueiras de Torquemada milhares de inocentes.
Um século depois o mesmo dedo foi responsável pela devastação da resistência francesa durante a ocupação nazista. Era o dedo-duro francês, safado e covarde. Não satisfeito, o belicista ainda puxou o gatilho milhares de vezes, deu a ordem com o gesto da degola ao passar pelo pescoço, fez círculos rápidos em volta do ouvido para zombar de pessoas portadoras de doenças mentais, e, quantas vezes, sujo, apontou para você? Quantas?
O humilde Mata-Piolhos revoltava-se, mas nada podia fazer. Não concordava com estas atitudes e se opunha na clandestinidade, daí seu codinome: dedo opositor.
Justiça seja feita, não se pode generalizar. A História é testemunha dos gestos emblemáticos em que milhares de Fura- Bolos, na companhia de Pai de Todos, pediram paz e amor. Antes disso já haviam feito o V da vitória contra a Alemanha de Hitler, e, sozinho e no ar, Fura-Bolo disse para os invasores: no passaran.
Entretanto, mesmo estes, a despeito de glórias passadas, conservaram hábitos secretos e estranhos. Como justificar a volúpia com que se projetam pelas fossas nasais dos motoristas que aguardam o semáforo abrir? O que procuram com tanta ansiedade e devoção? Ouro? Petróleo? Pedras preciosas? São motivações enigmáticas e misteriosas para o universo feminino. Mas homens experimentam um prazer inconfessável no ato. Ou uma solitária frustração quando a prospecção fracassa.

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