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Por Lucas Rohãn Não sei como adjetivar o que li – e até agora estou tentando acreditar que li – na prova do Enade …

Por Lucas Rohãn

Não sei como adjetivar o que li – e até agora estou tentando acreditar que li – na prova do Enade no último final de semana. Sou formando em jornalismo e, assim como quando entrei na faculdade, fui obrigado a fazer a prova. Segundo a minha Universidade, se não fizesse, estaria impossibilitado de receber o diploma. A prova continha algumas questões gerais e, a maior parte delas, questões chamadas “específicas sobre jornalismo”.

Após fazer a prova alguém me perguntou como tinha saído. Respondi, no calor da hora e ainda indignado, que bastava imaginar o Governo Lula como o melhor do mundo e qualquer pessoa se sairia muito bem no exame. A cada dia que passa, percebo que a minha resposta inicial era de fato a mais correta.

Algumas questões da prova tocavam em pontos importantes para o país, todas enaltecendo feitos do último governo. Alfabetização, economia e assuntos do tipo. Duas questões chamaram-me a atenção: a primeira, que mandava o aluno comparar jornais populares com jornais classificados como “grandes”. A questão afirmava que o jornal popular é “geralmente criticado por ser sensacionalista, inventar e/ou omitir fatos e preocupar-se apenas em faturar”. Sobre os jornais de grande porte, a prova afirmava: “…considerado mais responsável, por vezes esquece o verdadeiro interesse pela informação, manipulando a notícia em favor de outros interesses empresariais, financeiros, comerciais, etc”. Como pode uma generalização a esse ponto?

A questão que mais me chamou a atenção tocava naquela polêmica declaração do presidente Lula de que a crise mundial “lá fora era um tsunami e aqui no Brasil chegaria uma marolinha”. A questão afirmava que a imprensa fez alarde na época, mas que o tempo confirmou que o presidente estava certo. Confirmou? O pior eram as opções para o aluno assinalar o porquê de a mídia ter agido assim. Entre elas havia “irresponsabilidade” e “manipulação política da mídia”. Pelo menos a correta era “livre exercício da crítica”.

Desde a minha irrelevância, fico pensando em coisas como essa. Como pode um governo usar uma prova que é dita avaliativa de todo um ensino superior de um país para tentar esse tipo de lavagem cerebral? Concluo, ainda desde a minha irrelevância, que não podemos confiar nas notas de avaliação do Enade que serão divulgadas com alarde posteriormente. Penso que elas vão refletir qual universidade tem mais jornalistas – no meu caso – que concordam com o governo atual.

 

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