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Com a escolha do Brasil para sediar os jogos da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016, a maioria dos brasileiros começa a conviver com uma prática essencial para o sucesso, seja no âmbito público, privado ou pessoal: o planejamento. “Quando viramos a última década muita gente já começava a adotar planejamento estratégico e ferramentas modernas de gestão. Os grandes grupos empresariais privados deram o exemplo e logo veio uma pressão para modernização da gestão pública”, lembra André Coutinho, sócio diretor da consultoria Symnetics, de São Paulo, especialista na área.
A Agenda 2020, que produziu movimentos em várias regiões do interior do Rio Grande do Sul, é um exemplo bem sucedido desta nova disposição. “O país está saindo da adolescência e entrando na maturidade, começando ainda que timidamente a planejar seu futuro. Nossa mentalidade está evoluindo”, ressalta Coutinho. E, neste contexto, a realização de megaeventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos no País se apresenta como grandes referenciais da necessidade desta prática. “Eventos como esses são desafios muito grandes em termos de gestão e de planejamento e precisamos apresentar resultados compatíveis com as expectativas mundiais”, afirma o Presidente do Programa Gaúcho de Qualidade e de Produtividade (PGQP) Ricardo Felizzola.
O gaúcho Fabrizio Ferronato responsável pelo setor de planejamento e análise financeira da multinacional Thomson Reuters, com sede em Nova York, (40ª empresa no ranking da revista Business Week), também concorda que o planejamento estratégico será vital para o sucesso da empreitada brasileira. Para Ferronato o ganho virá ao longo dos anos em que a indústria brasileira usufruir da boa publicidade gerada e a infraestrutura do país for atualizada, melhorando a qualidade de vida da população e aumentando a atratividade do país junto ao mercado externo.
A questão, no entanto, é saber se o planejamento que ajuda a controlar os objetivos e as metas das empresas, públicas ou privadas, pode se tornar prática num país conhecido pelo “jeitinho” e onde o longo prazo máximo permitido é a organização do carnaval do ano seguinte. Para Ronald Krummenauer, Diretor Executivo da Polo RS – Agencia de Desenvolvimento e da Agenda 2020, as coisas podem mudar. “Talvez não vá se popularizar como o desejado, mas a necessidade de pensarmos no longo prazo como, pode ser o início de uma nova fase para o Brasil”, acredita Krummenauer.
O consultor aposentado e voluntário da Agenda 2020, Celso Barcelos, acredita na popularização, mas alerta para os valores morais que devem ser levados em consideração nesta prática. “Temos que considerar que o pensar é a essência do planejar e que esse pensamento deve envolver reflexos intelectuais, emocionais e, principalmente éticos”, ressalta. Trata-se, em síntese, de uma oportunidade importante para o País incorporar, definitivamente, a prática do planejamento em seu dia-a-dia e que pode, inclusive, ir além da Olimpíada ou dos Jogos da Copa do Mundo.


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