O jornalista gaúcho Guilherme Portanova, seqüestrado pelo PCC, participou ontem à noite de um encontro com estudantes de comunicação da Unisinos.
Segundo informação do site Comunique-se, o repórter criticou a maneira como está sendo debatido o episódio em que se envolveu. “Não deveríamos discutir se a atitude tomada pela Rede Globo foi correta ou não. Claro que acredito que foi, mas a questão não é essa. Devemos chamar a sociedade para debater todo o processo, o porquê de estarmos nessa situação e como combatê-la”, explicou.
No encontro, o repórter disse que não quer recontar a história que já saiu em diversos veículos de comunicação, mas sim provocar o debate sobre a realidade da sociedade brasileira. Apesar de não ser agradável falar sobre o assunto, ele garante que não ficou com “nenhum tipo de trauma”. Sobre a cobertura feita pela imprensa, o jornalista disse que leu apenas três matérias publicadas na Zero hora, mas recebeu de um amigo um envelope com tudo que foi divulgado sobre o caso. “Talvez esse arquivo sirva para acender uma fogueira daqui a alguns anos”.
O jornalista criticou a sociedade e os meios de comunicação quanto ao rápido esquecimento e aceitação. “Nos dois dias posteriores só se falava nisso, mas na quarta-feira o Internacional ganhou a Libertadores e acabou a história do jornalista seqüestrado. Não podemos deixar esta discussão morrer assim. Já que a sociedade se omite, é dever da mídia promover esse debate”, disse Portanova.
Portanova está de licença remunerada por tempo indeterminado, mas acredita que não voltará a atuar em São Paulo tão cedo. “Minha imagem está muito ligada ao seqüestro. Seria difícil cobrir uma pauta agora. Já conversei com Raul (Raul Costa Junior, diretor de jornalismo da RBS TV) sobre a possibilidade de voltar para a RBS, mas nada está decidido. Acredito que dentro de 40 ou 60 dias terei uma definição”.


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