Foi divulgado hoje, 1º , pelos representantes do padrão de TV digital europeu (DVB) um documento em que critica a falta de transparência e de abrangência nas discussões sobre a adoção da tecnologia no Brasil. O documento, assinado pela Coalização DVB Brasil, reúne empresas como Philips, Siemens e Nokia, e vai contra o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que defende o padrão japonês, o preferido das redes.
O documento da Coalização DVB sugere que a adoção da TV digital no Brasil não leve em conta apenas os interesses das redes e sim o bem comum. Com isso, querem discutir um modelo de televisão que rompa com o atual, em que as redes monopolizam o espectro de UHF e VHF. O sistema europeu privilegia a distribuição de novos canais de TV, mas não oferece alta definição. O documento pede ainda debates e reuniões com a disponibilização das respectivas notas na internet. “Houve falta de transparência e de abrangência. Não se discutiu a convergência da TV digital terrestre com a por satélite, via parabólicas”, diz Mário Baumgarten, diretor de tecnologia da Siemens. “A decisão vai afetar a indústria nos próximos 30 anos. Não é só uma discussão de TV digital, mas de reposicionamento da indústria. A convergência do televisor com o computador vem porque haverá aparelho convergido mais barato”, afirma Baumgarten.
A assessoria do ministro Hélio Costa diz que todos os interessados estão sendo ouvidos e que não há falta de transparência. Para as redes, os europeus querem mudar as leis brasileiras e impor sua tecnologia para permitir que as telefônicas ocupem o espectro de UHF e VHF e cobrem pela distribuição de conteúdo. As emissoras iniciaram no final de semana uma campanha na TV defendendo a TV aberta “100% grátis”. O governo promete decidir até 10 de março qual tecnologia adotará no país. Estão na disputa o padrão japonês, o europeu e o americano.


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