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Dilema ou dieta de suas redes sociais, qual a saída?

Por Julio Gostisa, para Coletiva.net

Para escrever este texto, desconectei minhas redes sociais, minimizei meu e-mail e desliguei meu smartphone (not so smart by the way, deveria ser chamado de dumbphone, mas isso fica para uma outra coluna). Se você acessa seu aparelho celular antes mesmo de fazer pipi pela manhã, sabe muito bem do que eu estou falando. Os magos da distração pegaram você também. 

Voltamos ao assunto das redes sociais. Com esta momentânea desconexão de meu “mundo virtual”, eu consigo reduzir minha ansiedade, ficar longe do inferno do imediatismo do whatsapp, me afastar de centenas de novas informações fragmentadas, aumentar minha concentração e escrever com a atenção necessária. Deveria ser sempre assim, mas não é.  

Na semana passada, assisti a um filme que fala sobre a intensidade do vício causado pelas redes sociais. Tinha várias entrevistas com os próprios engenheiros da atenção chocados com o nível de dependência dos usuários diante dos sistemas que eles mesmos criaram. Por que de tanto espanto? Afinal, foram treinados e contratados para desenhar aplicativos e softwares de distração. Deu certo. Agora é vender esse tempo e dados pessoais dos usuários e mantê-los conectados. Roda volta a girar. Viva a desatenção! 

Comento que eu já pensei seriamente em me desconectar por completo e sair definitivamente das minhas redes sociais. Pensei, pensei e não consegui efetivar esta vontade. Sigo conectado. Mas sei que a cada dia que passa, estou mais próximo de tomar esta importante decisão. Mas continuo com as mesmas dúvidas que a maioria de meus amigos. 

As maiores perdas em não ter redes sociais em pleno século 21 se resumem a maioria dos usuários pensar que (1) não podem rejeitar esta “tecnologia fundamentalmente moderna”, (2) não serei encontrado por empresas, não serei descoberto, ninguém saberá quem eu sou de verdade, (3) não está me prejudicando, eu curto estar conectado, não é para tanto e por último (4) terei menos amigos, perderei eventos relevantes para minha vida e tudo ficará muito lento sem acesso às redes sociais. 

Bons motivos, mas que podem ser analisados em detalhe como faz o Dr. Cal Newport (www.youtube.com/watch?v=3E7hkPZ-HTk) embasado em anos de estudo do comportamento do ser humano. Vale investir alguns minutos de sua vida assistindo a este vídeo. Quase me convenceu a me desconectar. Foi por pouco.

Ele comenta de forma leve e inteligente que (1) não se trata de uma tecnologia fundamentalmente moderna, mas sim de uma forma eficiente de termos acesso a novas tecnologias, também (2) explica que se fizermos algo importante, relevante, diferenciado em nossas vidas seremos sim notados e encontrados, de verdade (3) podemos até pensar que não existe nenhum dano causado, mas existe sim e são muitos. 

Nossa atenção sendo fragmentada a cada minuto e sendo expostos a cuidadosas exposições de nossa rede de amigos à pontos positivos de suas vidas nos deixa mais ansiosos e deprimidos, portanto produzimos menos. Por último, não precisamos de 100.000 amigos-seguidores para sermos felizes, precisamos somente de alguns poucos e relevantes comenta Dr. Newport.

Mas então… O QUE SERIA DE NOSSAS VIDAS SEM REDES SOCIAIS? Imagino que nas primeiras duas semanas seríamos extremamente impacientes e viveríamos de mal humor. Na terceira semana, começaríamos a ver uma pequena luz no fim do túnel. Teria início uma fase mais produtiva em nossas vidas. Pode funcionar.

Eu ainda não consegui atingir este nível de desprendimento. Por isso sugiro que todos tentem pelo menos fazer uma DIETA DE ACESSO ÀS SUAS REDES SOCIAIS. Tentem reduzir o acesso durante o dia, consumam com moderação e definam horários para verificar cada uma delas. Comigo tem funcionado, pois tenho lido mais livros e revistas. Passo muito mais tempo com minha família. Pode existir vida com menos ou sem acesso às redes sociais? Queridos engenheiros da atenção, vocês estão quase me perdendo. Força na peruca.

 

Julio Gostisa é fundador da empresa Rottattiva Gestão Empresarial.

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