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A pandemia dos streamers

Por Thiago Zeni, para Coletiva.net

Escolas fechadas, viagens canceladas e uma série de restrições no estilo de vida das pessoas acabaram criando a fórmula perfeita para o BOOM das plataformas de transmissão ao vivo.

Pegue o Twitch (principal plataforma de stream do segmento de gamers) como exemplo. Segundo dados The Latest Streaming Industry Report, publicado pela StreamElements, o tempo de visualização de seus conteúdos cresceu 5 bilhões de horas entre abril e junho deste ano, representando um incremento de 60% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Já a nova plataforma de Zuckerberg voltado para este segmento, o Facebook Gaming, desponta em sua velocidade de adesão, ultrapassando a marca de 200% de crescimento no ano.

O aumento de interesse tem sido tão estrondoso neste meio, que até surgiu um “novo tipo de conteúdo” sendo transmitido ao vivo nestas plataformas, o “just chating” (apenas batendo um papo), onde o streamer interage com o seu público pelas ferramentas de chat, dando dicas dos games, divulgando eventos e campeonatos, sorteando produtos, falando de seus patrocinadores e conversando sobre assuntos diversos.

Falando em sortear produtos, tá aí uma coisa para prestarmos bastante atenção: estes criadores de conteúdo parecem emergir com um profissionalismo diferenciado, possuindo uma cultura para as relações comerciais bem desenvolvida. São influenciadores natos e prezam muito pela relação com os apoiadores e patrocinadores de seus canais. Além das marcas, sabem gerar receita através de seus assinantes premium nas transmissões, da monetização de seus vídeos no YouTube, e em campeonatos de games (os mais talentosos, claro).

Mas nem só de games vive o universo dos streamers. Para se ter uma ideia, a categoria de “Travel & Outdoor”, onde as pessoas transmitem seus passeios, caminhadas ao ar livre e exploram novos lugares, cresceu 183% durante a pandemia, seguido por conteúdos de música e arte.

E se você pensa que este é um fenômeno de fora e que vai demorar algum tempo para chegar no Brasil, saiba que assumimos a liderança destas plataformas nos últimos 2 meses e nos tornamos o público que mais destina tempo aos conteúdos destas plataformas. 

O que resta saber, é claro, é se esses números são resilientes. Ou seja, qual o percentual de pessoas irá voltar aos seus antigos hábitos de visualização quando tudo isso acabar, e quantos manterão este novo hábito. Mas se este for realmente o nosso “novo normal”, não podemos menosprezar o grande potencial que estas plataformas de transmissão ao vivo nos trazem.

 

Thiago Zeni é diretor de Novos Negócios @ BRA. Agência Pós-digital.

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