A Comunicação nasceu muito antes da Publicidade, do Marketing, do Jornalismo ou de qualquer outro curso que, hoje, ocupa a grade das faculdades e similares. Nos comunicamos desde que nos entendemos por gente, eu diria que até mesmo antes disso.
Se procurarmos no dicionário a explicação é curta e simples: “Comunicação é a ação de transmitir uma mensagem e, eventualmente, receber outra mensagem como resposta”. Se formos um pouco adiante, podemos dizer que a comunicação é um processo e que nele se envolve a troca de informações entre dois ou mais interlocutores por meio de signos e regras semióticas, mutuamente entendíveis (quem adentrou algum daqueles cursos listados no início do texto vai lembrar dessa descrição como um mantra na mente).
Objetivos da Comunicação ontem e hoje
A verdade é que a boa e velha comunicação é composta por: Um fala enquanto o outro escuta e os dois torcem para que tudo tenha sido entendido da melhor forma possível. Assim é a comunicação do dia a dia e, também, a comunicação entre cliente e vendedor, mãe e filhos, professores e alunos e, até mesmo, entre comunicador e sua audiência. O setor de Comunicação sempre terá como seu principal objetivo se fazer entender, seja lá qual for sua mensagem.
Os Desafios da Comunicação ontem e hoje
O que muda no setor da comunicação, além dos canais (alô, Era Digital, e suas infinitas social medias), são os seus desafios para entregar a mensagem de um ponto a outro, ou como aprendemos na teoria “do emissor para seus receptores”.
Nosso desafio número 1 como comunicadores (me ponho nesse “balaio” já que desde sempre estive nesse setor, mesmo que em diferentes áreas) é atingir nosso público e nos comunicarmos com cada vez mais e mais públicos (a não ser que você seja um daqueles que mira num nicho e cai de cabeça – mas eu não acho que isso se sustente por muito tempo no nosso mercado capitalista… você vai acabar conversando com vários nichos de maneira segmentada) de modo que façamos ser entendidos e que, de alguma forma, nossa audiência sinta a conexão com o modo que comunicamos. Afinal, toda marca precisa de seus “advogados”, aqueles clientes (ou não clientes, mas seguidores) fiéis.
A tal da Era da Privacidade que chegou para abalar
Você que leu até aqui devia estar se perguntando em que momento a tal “privacidade” ia adentrar o artigo. Pois bem, a linha de tempo dos desafios vai pular da velha comunicação para os dias de hoje e apresentar (ou lembrar) o nosso mais novo desafio: Era da Privacidade de Dados, ou como a área jurídica brasileira nomeou: LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei de nº 13.709/2018, é a legislação brasileira que regula as atividades de tratamento de dados pessoais e que também altera os artigos 7º e 16 do Marco Civil da Internet. Isso quer dizer que, desde 2018, estamos preparando uma lei que estabelece regras sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais, impondo mais proteção e penalidades para o não cumprimento da mesma. A LGPD entrou em vigor no Brasil neste ano de 2020, mas suas multas só passarão a valer em 2021 e, por isso, pode ser que você e a sua empresa ainda não tenham se assustado muito com ela. Mas a verdade é que, se você é do time da comunicação, você será afetado em cheio por ela, e o tempo que resta para que todas as empresas (e todos os setores) entrem em adequação com a tal Lei, não é o suficiente. Então, fica atento para esses próximos parágrafos porque toda informação é válida agora.
A LGPD nos faz cair num erro besta de que, se tem a ver com Leis e burocracias, então não tem nada a ver com o time da comunicação. Aí, lá vai a gente enviando os e-mails pro spam ou encaminhando pro setor jurídico ou administrativo. A Lei de Proteção de Dados afeta a comunicação em sua etapa mais importante, desde a entrada na Era Digital, a aquisição de novos leads. Isso porque na hora da coleta dos dados, via formulários, landing pages e semelhantes, agora precisamos adicionar o box (ou botão) para consentimento de uso dos dados via titular dos dados. Além de também listar quais vão ser os diferentes usos desses dados.
Não é só na hora da coleta que precisamos estar atentos. Precisamos explicar o porque estamos coletando os dados, para o que vamos utilizar, ter certeza de que estamos armazenando da forma correta e pelo tempo necessário e, ainda, oferecer um meio para que o titular dos dados possa entrar em contato conosco para a qualquer momento retirar o seu consentimento de uso desses mesmos dados. Já deu pra entender que essa lei, que chegou como quem não quer nada, vai dar um trabalho danado para todos os setores né?!
Como o setor de comunicação vai se adequar a LGPD?
Vamos ter que utilizar de métodos mais claros e “limpos” para alcançar novos leads. Mas sem pavor, nada disso significa que o marketing (ou o setor responsável) vai parar de trabalhar com coleta de dados. Os setores é que terão que ficar mais inteligentes e mais focados em comunicação de propósito para aumentar resultados e ganhar novos leads. Para isso, já temos algumas técnicas conhecidas e, as vezes, pouco exploradas (alô, big data).
A verdade é que, se em algum momento surgiu a dúvida sobre a necessidade de um setor de marketing dentro de empresas (sejam elas pequenas, médias ou grandes), agora o mercado vai precisar de marketeiros e/ou comunicadores ainda mais especializados orientados a dados.
Você, como profissional da área, aproveite do momento para evoluir suas técnicas e gerar ainda mais valor dentro do setor, pois quando dizem “o dado é o novo petróleo”, você pode ser o responsável por encontrar e gerir essa fonte.
Juliana Moura é coordenadora de Marketing e Endomarketing na empresa Maven Inventing Solutions.

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