E não, não vou romantizar o impacto e os sentimentos que o Jornalismo causa na nossa vida. Na verdade, quero falar algo que eu sempre ouvi, mas entendi, com propriedade, ao longo de 2020: O MERCADO É CRUEL. Acreditem, com estudantes e profissionais liberais a situação é ainda pior.
A precarização da nossa profissão não é novidade para ninguém. Por mais necessária que seja a informação confiável, checada e veiculada com qualidade, nosso trabalho não é valorizado nem por nós mesmos. E nesse barco vou incluir a Assessoria de Imprensa, porque a afirmação também condiz com o dia a dia da área.
Tenho consciência de que chegamos a este ponto por faltarem vagas formais e sobrarem boletos para pagar. Essa é minha realidade também. “Ilana, tu estás generalizando!” Sim. Estou. É o que fazem com a gente o tempo inteiro. E o pior: com nossa permissão.
Vou dar um exemplo prático, contando o que aconteceu comigo: então, eu saí do Coletiva.net por uma proposta que me pagaria quase o dobro (numa situação como essas, não tem amor pela camisa que segure um vivente). Ocorre que eu demorei demais para ingressar na vaga e o pessoal me substituiu por outro profissional, muito competente por sinal.
Ok. Agi com cautela. Mantive a calma. Voltei para o mercado de oportunidades. Minha tranquilidade durou um mês. O dinheiro acabou, os boletos não. E aí, disse eu ao desespero: “Seja bem-vindo, só não repara a bagunça!” Foi nesse momento que uma saga começou: a era dos freelas. Ok, seria possível sobreviver com eles. O que dificulta a vida é: a gente não sabe cobrar e aceita qualquer R$100, R$200, R$300 por projetos que vão tomar 15, 20, 30 dias. Já parou pra pensar que essa grana paga só a internet do home office?
Antes que me perguntem: sim, podemos conciliar mais de dois, três, quatro clientes. Mas quem, nos dias de hoje, dorme tranquilo ganhando R$1500? Não dá. Nem morando com os pais, nem sendo bolsista pelo ProUni, muito menos se tu precisas pagar qualquer valor referente à graduação.
Não tenho mais motivos para lamentar. Por cara de pau (porque sorte, definitivamente, não tenho), existem seres iluminados que me oportunizam experiências que me enchem de orgulho e fôlego para seguir em frente. Mas eu preciso pedir para os jovenzinhos, que estão quase saindo da faculdade e ganhando o mercado de trabalho: por favor, não aceitem menos que o justo!
A valorização do Jornalismo deve começar por nós! Não fui um bom exemplo até o momento, mas me comprometo a ser daqui para a frente. Reflitam e iniciem 2021 com sangue nos olhos! Defendam o Jornalismo profissional! Valorizem o curso de vocês, os professores que os acompanham, as atividades que são feitas ao longo dos quatro anos de estudo. Tenham em mente a importância de ser jornalista.
Ilana Xavier é formada em Jornalismo pelo IPA e estagiária do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

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