Se a sua empresa funcionar como a maioria, você acabou de encerrar o Planejamento Estratégico 2021. Tudo aconteceu exatamente igual aos anos anteriores: depois de muitos relatórios, memorandos e discussões, cada departamento informou as metas e ambições do ano seguinte e pleitearam uma verba mensal a ser destinada a cada projeto.
Tudo isso é feito pensando em garantir maior eficiência e previsibilidade. Afinal, você já sabe quais ações serão mais importantes no ano, possui parâmetros de comparação dos gastos e provavelmente não vai gastar mais do que o previsto.
No entanto, estas mesmas técnicas de gestão também deixam os processos mais lentos e burocráticos. E o pior: tornam a empresa incapaz de reagir ao contexto de forma ágil. Engessando as estruturas para seguir o planejamento estratégico, a empresa deixa de aproveitar oportunidades e acaba repetindo sempre um modelo conhecido sem muita ousadia, afinal, quem consegue inovar tendo que planejar antecipadamente as ações e o custo de cada uma delas com um ano de antecedência?
Este é o momento de incorporar novas formas de gestão que aumentem nossa capacidade de lidar com a incerteza e reagir ao contexto de forma mais natural. Experimente fazer planejamentos mais curtos pensando no semestre ou trimestre ao invés do ano. Experimente separar uma boa parte da verba para projetos de oportunidade. Experimente não separar a verba por departamentos que competem entre si por este dinheiro e fazer com que eles colaborem em projetos estratégicos.
Para deixar as empresas mais ágeis e tolerantes à incerteza, as pequenas coisas contam muito. Já pensou que a cultura de resistência à mudança da sua empresa pode começar em algo tão simples quanto a divisão da verba?
Daniele Lazzarotto é publicitária, fundadora e diretora de Estratégia da consultoria Cordão

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